segunda-feira, 11 de junho de 2012

Manifesto contra a hipocrisia e a autocensura em prol da própria liberdade

Século XXI. O século em que tudo faz mal. Sim. Nós vivemos em um mundo no qual tudo, literalmente TUDO, faz mal à saúde. Tudo mata. Tudo é vil, danoso, nocivo.

O chocolate dá espinha. O amendoim dá disenteria. O vinho dá cirrose hepática. O cigarro dá câncer. O refrigerante dá diabetes. O churrasco aumenta o colesterol. O tomate dá pedra nos rins. A laranja contém fertilizantes que nos intoxica. O biscoito tem gordura trans. A ferrugem faz mal. O cloro faz mal. O encanamento tem ferrugem e a água que sai desse cano contém cloro. Jogar futebol desgasta os joelhos. Cantar agride as cordas vocais. Fone de ouvido ensurdece. Televisão nos cega. Internet emburrece. Beijar dá herpes. O sexo tornou-se um risco de vida com tantas doenças venéreas. Gonorréia, Sífilis, Candidíase, Vaginose, Cancro, Chato, Hepatite, HIV, HPV. Tudo faz mal. Tudo mata. Até o diazepam que o médico receita faz mal.

Eu realmente estou admirado como a expectativa de vida só vem aumentando mais e mais.
Quer saber? Problemas! Fodam-se todas essas merdas.
Vamos largar tudo isso de lado. Vamos fazer o que gostamos. Pensar livremente como a gárgula de Notre-Dame. Vamos nos empanturrar de doces. Vamos fumar, embriagar, arrotar, peidar. Vamos comer um hambúrguer bastante gorduroso. Vamos comer sem lavar a maçã caída no chão. Vamos beber água da torneira. Vamos lutar amistosamente. Jogar capoeira. Enfiar o peito do pé na fuça de alguém. Vamos gritar até ficarmos roucos e ouvir música no último volume. Vamos valsar todos nus. Transar por piedade. Acariciar nossa intimidade e esparramar nosso suor e nosso gozo pela grama. Participar todos de uma louca, longa e alegre orgia.

Pelo amor de Deus, vamos fingir que Deus não existe. Vamos dar um “foda-se” ao Paraíso, um “foda-se” ao Nirvana. Vamos fingir que Xenu é apena ficção científica, que a Mãe Tríplice é um conto de fadas, que Iansã é apenas mitologia, que Brahma é só uma bebida. Vamos fingir que não temos outra vida. Vamos fazer aquilo que gostamos simplesmente porque que gostamos. Vamos defender a idéia que temos e não as que o sacerdócio tem por nós. Defender o que sentimos sem nos preocupar com o post-mortem. Vamos fingir que nossas almas não se perderão ou que o mundo após este não será pior só porque resolvemos tratar bem os que não compactuam com nossa crença. Vamos fingir que o mundo não vai acabar. Que não há Ragnarok, Armagedom, Kali Yuga ou Yawm ad-Din.

Vamos ser sinceros com nós mesmos. Pelo menos por um dia vamos parar de julgar a podridão alheia e aceitar a nossa própria podridão. Vamos aceitar aquilo que somos somente porque é isso que somos. Todos nós sabemos que o funk carioca canta o que todos gostamos e que as cortesãs sempre fizeram parte da nobre corte e que os boêmios adoram passar um bom tempo em bordéis. Nós sabemos de um mundo de coisas que preferimos negar que sabemos por falso moralismo. Vamos assumir as nossas faltas, os nossos pensamentos, nossas idéias e emoções. Vamos nos arrepender do que dizemos, mas jamais tentar apagar o que foi dito. É melhor viver e remediar do que prevenir e não aproveitar.

Curtamos essa idéia, compartilhamos essa idéia e mais do que tudo vivamos esta idéia. Nada nos mata se não o próprio tempo, uma bala na cabeça ou uma hemorragia não remediada. Vamos libertar nosso pensamento ao menos por um dia, quem sabe nós gostamos e vivamos livres sempre?

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