quarta-feira, 18 de abril de 2012

Bem-vindo ao Mundo dos Sonhos II

   Seu corpo grita de dor, uma dor que ele é incapaz de sentir. Seus olhos se abrem, porém nada são capazes de enxergar, aos poucos a luz vai penetrando por eles. Por sobre a relva ele se encontra deitado, sem muita certeza do que acabou de acontecer, mas ele sente como é bom estar vivo. Estando recuperado de eventos já esquecidos ele começa a se levantar, tentando saber onde se encontrava. Tudo lhe é estranhamente familiar, mesmo não sabendo onde é que ele está. A seu redor nada há além de um campo mais extenso do que sua visão é capaz de supor. Sem saber para que lado seguir ele espera pelo vento que irá lhe mostrar qual caminho tomar. Sem muita demora o vento passa soprando para o leste, ou talvez para oeste, não interessa, é para lá que ele irá, ainda que lá esteja ao sul ou ao norte. Após uma quase longa jornada ele chega a algum outro lugar, a paisagem em nada mudou , mas em nada se parece com a anterior. O vento lhe trás sons de onde acabara de vir e, como se fosse um sonho, ao olhar para trás ele vê pastores sentados, onde antes não havia ninguém, como se ali estivessem desde o início dos tempos. Na direção dos pastores ele vai na esperança de ter sua curiosidade saciada antes que o mundo mudasse de novo.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Poema de Rato nº 4


Oh ratos imundos
   que se despem no início do dia
   mostram suas bundas peludas aos céus
   trepada matutina e puta nas ruas da cidade
Oh ratos desgraçados
   que se esgueiram pelo jardim
   rosas fulminadas, margaridas despedaçadas, cravinas fodidas
   priapo deus em cus infiéis
Ratos!:
   suas faces estão bem guardadas.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Bem-vindo ao Mundo dos Sonhos I


       Ainda é madrugada, a cidade inteira dorme, apenas eu não consigo dormir. A casa parece vazia, mas ainda ouço sons vindo de lugar nenhum. Lá fora a lua a iluminar no céu sorri para mim, ela me lembra alguém, eu só não sei quem. O vento sopra, as nuvens passam deixando o quarto na escuridão. O tempo passa, mas o sono não vem. Cansado de esperar em vão ele decide sair pra caminhar, nada como andar pelas ruas desertas à noite. Uma densa neblina toma conta do lugar, o mundo se esconde por trás das nuvens, apenas a lua está visível e tão próxima que até parece ser possível alcançá-la. Ele corre em sua direção, faz de tudo para alcançá-la, mal percebe ele que enquanto ele corre o céu se abre, as nuvens desaparecem ao seu redor. Da lua ele está cada vez mais próximo, mas algo o impede de continuar até ela, parecendo até mesmo uma força do além. Ele olha pra baixo e vê o que era, seus pés não mais tocavam o chão, por sobre as nuvens ele se encontrava. De repente, como num desenho animado, seu corpo fica mais pesado e ele despenca ao chão. Nesse momento só o que ele deseja é que tudo não passe de um sonho do qual ele está prestes a acordar, porém, estranhamente, ele sabe que tudo isso, de alguma maneira, é a realidade. Parece que dessa vez sua morte será real, e não outro sonho qualquer.

Leitores dos Boêmios