quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Déjà vu

   Um grito ecoa no ar, ela acorda suada e com a respiração ofegante, ela não se lembra bem sobre o que acabou de sonhar, mas sabe que acabara de ter um pesadelo, seu coração palpitante não a deixa esquecer. Com um estranho sentimento de déjà vu ela se levanta, um pouco de ar fresco e um copo de água ajudarão a acalmá-la. Com um copo na mão e o vento no rosto ela observa a lua envolta em nuvens, uma imagem tão bela que nada mais a preocupa. Após algum tempo perdida em seus pensamentos o sono lhe faz lembrar que é melhor voltar a dormir. Enquanto isso lá fora o mundo escurece, a lua desaparece por entre as nuvens. As luzes se apagam, nenhuma luz no horizonte, nunca vi uma noite tão escura. O vento começa a soprar mais forte, enlouquecendo as folhas no quintal, raios iluminam a noite. Deitada em sua cama já recuperada do susto e pronta para voltar ao mundo dos sonhos ela ouve seu nome sendo sussurrado pelo vento. Não pode ser real, devo ter ouvido errado. Mas não ouviu, seu nome é sussurrado de novo e dessa vez não foi pelo vento. Já completamente desperta ela tenta ouvir algo, mas só percebe o vento varrendo as folhas do jardim. Nem bem ela se deita de novo e o vento cessa, podendo se escutar passos lá fora. Teria sua família voltado mais cedo? Ela se levanta novamente e procura acender as luzes, porém nada acontece, o mundo se aquieta. Vendo que a luz acabara, ela procura por sua lanterna, mas tudo em vão, a lanterna também não acende e ela não sabe onde estariam as pilhas novas, a solução é acender uma vela. Descendo as escadas ela sente um vento frio, mas como poderia isso acontecer se as janelas estão todas fechadas? Com a vela em mãos ela verifica se há alguém em casa, mas a casa está vazia, como ela já imaginava, estaria sua mente lhe pregando peças? Ela sente o vento novamente, ainda mais forte que antes, e percebe que a janela da sala estava aberta, mas eu tenho certeza dela ter sido fechada. Seu coração batia tão forte que ela quase não percebe o barulho de passos vindo lá de fora. Ela olha pelo vidro da porta, mas tudo parece normal, sua vela se apaga. Ela pensa em acendê-la de novo, mas talvez o melhor seja voltar a dormir e esquecer-se dessa noite. De repente um raio ilumina o vulto lhe encarando do outro lado da porta. Assustada como jamais pensou ser possível ela corre, ela não pensa em mais nada além de ligar para a polícia, mas o telefone está mudo, maldita falta de luz. Ela ouve o barulho de vidro se quebrando e a porta se abrindo, o celular deve estar funcionando. Ela corre pela escada enquanto os passos se aproximam cada vez mais. Ela corre o máximo que pode, mas a escada nunca lhe pareceu tão longa, quanto mais ela corre mais os passos se aproximam e mais seu quarto se distancia. Cada vez mais desesperada ela reza pedindo por ajuda, mesmo não acreditando em nada disso. Já exausta e sem mais ouvir os passos ela olha para trás, só para ver o desconhecido a não mais que alguns centímetros de distância. Ela tenta gritar, mas sua voz não sai, ela está muda de terror. Paralisada de medo ela deseja que aquilo tudo não passe de um sonho ruim prestes a acabar. Ela sente as mãos frias de seu perseguidor tocando seu corpo, seu coração batendo o mais forte possível e sua respiração cada vez mais difícil. Sem mais esperanças de se safar ela fecha os olhos, desejando que aquilo acabe o mais rápido possível, o invasor começa a lhe despir, o medo é tanto que ela mal consegue respirar, tudo o que ela sente são duas mãos passeando por seu corpo nu, um grito ecoa no ar, ela acorda suada e com a respiração ofegante, ela não se lembra bem sobre o que acabou de sonhar, mas sabe que acabara de ter um pesadelo...

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Leitores dos Boêmios