quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Femme Fatale


"Nos vemos amanhã, então?"
"Sim. Pode ser às dez?"
"Da manhã ou da noite?"
"Da noite é lógico"
"Perfeito. Onde vai ser?"
"Na Afonso Pena, perto do Palácio das Artes, que tal"
"Ótimo! Para não haver desencontros procure por uma Haley Davidson"
"Ah pode deixar! Agente se acha de um jeito qualquer."
"Até amanhã, então."
"Até."

Ambos desligaram o telefone ao mesmo tempo e foram dormir. Antes de dormir Amanda olhou em seu diário e analisou o plano. Confirmava detalhe por detalhe, abriu o guarda roupa e escolheu a logo a melhor roupa para amanhã, queria vestir-se como um verdadeira femme fatale. Logo depois leu Marquês de Sade e dormiu. Júlio pegou uma revista na gaveta do guarda roupa e pensava se Amanda seria como aquelas mulheres da revista, sentiu tesão, mas tentou agüentar, e agüentou, amanhã ele tiraria o atraso.



Júlio sonhou teve sonhos libidinosos. Estava numa sala vermelha e quente, e em vários pontos havia labaredas de fogo. Havia várias mulheres ao seu redor, umas nuas, outras de lingerie, todas com caudas pontiagudas e pequenos chifres vermelhos na testa. Faziam com ele tudo o que ele gostaria que fizesse na realidade.

Amanda sonhou com a ex-namorada. Era uma sala com uma lâmpada que mal iluminava a sala. Sua ex falava coisas estranhas, dizia que algo poderia dar errado e que fosse para tomar cuidado pois era perigoso de mais o que Amanda tentava fazer. Antes de acordar Amanda disse: "Não se preocupe, eu sei me cuidar".

Ambos acordaram bem. Cada um em seu quarto, cada um em sua casa. Júlio foi ao trabalho e não trabalhou direito. Tudo o que fazia, aumentava sua expectativa para noite. Amanda estava de folga e aproveitou o dia para arrumar o cabelo, fazer as unhas, depilar... Logo logo essa já punha uma meia calça, um sutiã preto com rendas vermelhas e um vestido que deixaria qualquer um louco.

Júlio foi começar a se arrumar quase na hora de ir sair. Botou uma calça jeans, uma camisa pólo e sua jaqueta de couro. Deu uma ajeitada no cabelo e usou aquele perfume que sua namorada lhe deu no dia de aniversário. Era errado isso? Sair com outra enquanto a namorada se dedicava na faculdade? Talvez sim, mas quem se importava, ela jamais ficaria sabendo. Olhou-se no espelho e sorriu, mirou os dentes amarelados e foi os escovar até que ficassem brancos. Olhou-se no espelho novamente e se sentiu um Elvis Presley antes de engordar.

Ela: Vestida para matar. Ele: Para tirar o atraso.

Vinte e duas horas em frente o Palácio das Artes. Júlio olhava ao redor procurando Amanda - ah esses encontros marcados através de chat na net, nunca se sabe a face real da pessoa. Logo via uma mulher se aproximar, não parecia a mulher da internet. Era muito mais linda do que na foto. Ali mesmo foram se agarrando. O libido tomava conta. Se pudessem fazer tudo ali mesmo na frente de todos.

"Vamos prum motel?"

"Não" - Ela respondeu - "Conheço um lugar melhor".

"Onde?"

"Eu te guio".

Ele a ofereceu um capacete. Ela rejeitou. "O perigo desperta mais o desejo".

Lá foram eles, ambos sem capacete. Amanda segurava na cintura de Júlio e alisava sem "membro", sussurrava nos ouvidos de Júlio o caminho que ele deveria seguir. A Haley Davidson corria ao máximo, Júlio queria chegar rápido.

Rapidamente chegaram. Era um matagal puro, árvores e mato era só o que tinha.

"Onde estamos?"

"No meu motel." Amanda saiu da moto e foi tirando sua roupa enquanto caminhava para dentro da mata. Quando ela sumiu de vista Júlio foi até ela seguindo o rastro de roupas. A viu somente de lingerie, encostada numa árvore. Foi beijando-a e a abraçando. Apalpava os glúteos de Amanda e queria acariciá-la até a cabeça, mas ela impediu isso levando os braços dele de volta aos glúteos e pedindo em seus ouvidos: "Me chupa."

Ele se ajoelhou e foi baixando a calcinha.

Ela gemia.

Ela foi se ajoelhando também, pego-o pelas mãos e o fez deitar. Deixou-o de braços abertos e de olhos fechados.

Amanda lembrava-se da namorada.

Lembrou-se de quando a polícia baixou em sua casa e deu a triste notícia.

"Nós encontramos você através de uma mulher, que pelos indícios parecia ter laços de amizade muito fortes contigo. Tentamos procurar a família da moça, mas não achamos, você a conhece?" - Mostrou uma foto.

"Sim, é minha namorada. O que aconteceu com ela?"

O policial mostrou na face um misto de desconforto e tristeza, ou algo parecido.

"Eu queria ter uma forma mais suave de lhe falar isso, mas creio que não tenho". Amanda começava a chorar e o pedia para lhe contar logo o que havia acontecido. "Ela foi encontrada morta na Praça Raul Soares. Foi violentada sexualmente, nós já temos um suspeito e uma de nossas viaturas já está a procura".

Algo quente escorria pelo pescoço de Júlio e sua mente perguntava o que estava acontecendo, mas sua voz não saía. Amanda segurava, acima de sua cabeça, uma faca, que antes estava estratégicamente escondida em suas costas presa pelo sutiã, agora estava tingida de vermelho com o sangue da garganta de Júlio.

"Morra desgraçado!" Amanda gritou.

Ela se levantou e foi catando as roupas que havia deixado no chão. Vestiu-se novamente e ligou a Harley deixando o corpo morto de Júlio largado ao relento. A vingança foi feita.

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