quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Dia Quente


    Dia quente, o sol em chamas aquece a terra, o fogo toma conta de nossos corpos. O calor é intenso, a luxuria se despede do sol a partir num céu a queimar. As sombras tomam conta do mundo enquanto no céu as nuvens dançam como dançam nossos corpos nus. O fogo se alastra pelas luzes que se acendem, a cidade está em chamas. O tempo parece derreter por entre nosso suor, é forte o cheiro de pecado. A lua se esconde timidamente no céu, imaginando o que se passa por entre essas paredes. O vento vem e vai, invejando o que só eu posso ter. As nuvens se movem frenéticas no céu, até o mundo parar, até começar a chover.

sábado, 21 de janeiro de 2012

O Clamor no Deserto


Os sonhos foram feitos para serem esmigalhados. Nenhum de seus sonhos se realizará, aprenda isso e se contente, não há nada que você pode fazer para mudar isso. As utopias não passam de pinturas, pinturas com lindas paisagens, mar calmo, cavalos pastando - só servem para você admirar e mais nada. A vida é real e punitiva, pune quem você menos espera. Sim! A vida transforma sonhos em migalhas. Basta você olhar para fora de sua janela e então verá que tudo o que falo é verdade: os sonhos foram feitos para serem esmigalhados.

O boêmio estava tonto como uma égua e havia subido em uma mesa para chamar a atenção de todos à sua volta.

Desça daí! Por favor.

Vou ensinar algo a todos vocês! Ouçam essa pessoa que fala. A vida é brutal e amarga, não importa quanta anarquia você faça a vida vai de anarquizar com mais violência que fim de jogo do Atlético contra o Cruzeiro. Eis que a vida vai chegar para você e dizer: "Agora você vai ter que abrir as pernas e me deixar entrar" e a única coisa que você vai fazer é justamente deixar as pernas bem arreganhadas para a vida entrar contudo, sua cambada de fêdazunha.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

   A casa vazia, uma música se espalha solitariamente pelo quarto. Sentado na janela eu vejo o sol se despedir em lágrimas até sumir por detrás da serra. O mundo se aquieta, as sombras chegam para mergulhá-lo na escuridão. Estrelas começam a surgir por toda a terra sob o olhar solitário da lua enquanto uma estrela viaja pelo céu deixando seu rastro por onde passa, até sumir por entre as nuvens. O vento sopra, me chamando a atenção para um morcego que passa voando por mim, me lembrando que ainda há vida no mundo lá fora. Sonhos invadem a cidade, o mundo se prepara para dormir. Um vento frio passa avisando que irá chover essa noite, só que eu não tenho ninguém para me aquecer. Os sinos da igreja quebram o silêncio para se despedir desse dia que acaba e cumprimentar o que irá chegar, enquanto eu permaneço aqui esperando o sol retornar.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Femme Fatale


"Nos vemos amanhã, então?"
"Sim. Pode ser às dez?"
"Da manhã ou da noite?"
"Da noite é lógico"
"Perfeito. Onde vai ser?"
"Na Afonso Pena, perto do Palácio das Artes, que tal"
"Ótimo! Para não haver desencontros procure por uma Haley Davidson"
"Ah pode deixar! Agente se acha de um jeito qualquer."
"Até amanhã, então."
"Até."

Ambos desligaram o telefone ao mesmo tempo e foram dormir. Antes de dormir Amanda olhou em seu diário e analisou o plano. Confirmava detalhe por detalhe, abriu o guarda roupa e escolheu a logo a melhor roupa para amanhã, queria vestir-se como um verdadeira femme fatale. Logo depois leu Marquês de Sade e dormiu. Júlio pegou uma revista na gaveta do guarda roupa e pensava se Amanda seria como aquelas mulheres da revista, sentiu tesão, mas tentou agüentar, e agüentou, amanhã ele tiraria o atraso.

Leitores dos Boêmios