terça-feira, 14 de agosto de 2012

Pássaro Negro



Como pensamentos soltos no ar, ele me observa
Como sombras de um passado distante, ele me persegue
Como lembranças de uma mente inquieta, ele me condena
Como posso eu ser culpado por crimes que nem cometi?

Com as sombras de seu coração, ele me prende
Com seu olhar de desprezo, ele me pune
Com um sorriso de escarnio, ele me humilha
Como posso eu ser refém de mim mesmo?

Tal qual uma deusa ela vem me salvar
Tal qual a lua a brilhar no céu, ela tenta me ajudar
Como poderei eu derrotar a mim mesmo

Como uma tempestade ele se vai
Mas por perto ele permanecerá
Como um pássaro negro a me observar

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Vampiros

Vampiros andam pelas ruas Soturnas Como eu eles buscam sangue nas ruas Noturnas Vampiros caminham solitários Hora em grupos Farejam garotas adolescentes Bêbadas e burras Vagando pelas soturnidade das ruas Escuras

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Escura Liberdade


A escuridão me encanta
A luz tem mais valor
Também tem o amor
Casais apaixonados
Gays lésbicas héteros
Grupos adolescentes que só querem curtir
Um pau e uma boceta que se beijam
Lascívia
Querem transar, na verdade,
Um grupo adolescente atrapalha
Casais apaixonados
Tristes
Coitados
Duas moças do lado de lá
Cabeça tristonha em um colo afetuoso amante juvenil gostoso
Cabeça tristonha chorosa lúgubre tristonha
Casais apaixonados
Desejosa transa mental
Um viado chora
Uma sapata também chora
Consolos inocentes apaixonados
Ao meu lado
Sinto pulsar em mim a batida venérea pulsante descontrolada de
        um be-bop louco orgásmico
Dentro de mim e ao meu lado
Ao meu lado
Há mais de uma hora, talvez duas
Duas lésbicas apaixonadas estão na mesma posição
Duas pernas enlaçadas na cintura
Duas pernas apoiadas ao chão
Ah!
E um casal novo na escuridão
Heterossexual
Casais. Todos os casais
Se beijam
Se amassam
Casais! Casais!
Gays lésbicas heterossexuais
Aproximem-se! A escuridão vos chama
Aplacai vossas chamas pois aqui não há puritanos nem crianças
Por aqui só há amor sincero, lágrimas sinceras, beijos sinceros,
        abraços sinceros e um poeta sincero que expele seus versos
        como em um orgasmo sincero
Venham!
Venham todos os casais
Vampiros sexuais
Aqui os cachorros não ladram
Aqui os cachorros não ladram, mas transpiram pela língua e caminham ofegantes
        em um suspiro sexual

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Dipolo Induzido

À minha frente tem gente
Esperando mais gente
O ar cada vez mais quente
O ar cada vez mais rubro
Sempre tem gente
Inspirando este ar venenoso
Monóxidos e dióxidos de carbono
Imperfeitamente queimados em minh'alma
Sant'alma incompleta
Monóximos, dióxidos, trióxidos
e et ceteróxidos
Intoxiquei a mim mesmo.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Tango na Rio de Janeiro


Um homem toca tango numa esquina da Rio de Janeiro

Oh céus... seu violino nunca soou tão belo
Lhe dou moedas em agradecimento. Todos os dias lhe dou moedas
É preciso coragem para tocar tão belas melodias nas esquinas belo-horizontinas
Tinha de ser paulista
Vivas à coragem doutros estados
Nós mineiros somos medrosos e conservadores e tradicionalistas de mais para
....................ter coragem de tocar tangos em esquinas.
Precisamos um pouco da irreverência doutros estados
Venha ela em tangos
Em barrocos
Em violinos tocados em esquinas

Oh céus... teu violino nunca soou tão belo
E soará mais belo a cada dia
E eu ponho algumas moedas no estojo de teu violino
Vá... continue tocando Gardel e Bach em teu violino
Aproveita-te da minha embriaguez e embriaga-me mais ainda com tuas
....................belas melodias
Nestas esquinas
Nestas igrejas - a cada quarteirão belo-horizontino, uma igreja em estilo barroco tardio
....................e gótico
Nestas luzes posteanas
Ah estas luzes nunca estiveram tão belas
Mais a baixo está o vergalhão belo-horizontino
O Pirulito
Le sucette a la anis d'Annie
E cá em cima estou eu
Com meu vinho à bolsa pronto para ser bebido outra vez

Vai violinista paulistano
Embriaga-me com tuas notas melodiosas e harmônicas, caro moreno violinista
Embriaga-me com tuas melodias violinísticas enquanto eu me embriago em um campo
....................largo suave.
Vá... leva-me com tuas notas para campos infindos onde eu estarei junto à minha amiga
Em tuas notas eu cavalgarei em campos verdejantes
Junto à minha amada apenas em minhas imaginações
Não sei onde ela está agora
Onde estará?
Será que se lembra de minha vã existência?
Não.
Duvido muito.

Não importa.
Só importa agora é Gardel.
As notas e melodias de Gardel que se vem aos meus ouvidos
"Por uma cabeça todas as loucuras,  que importa perder mil vezes a vida"
Então se tenho hoje esta suavidade sonora
Transformando todas lembranças alegres em mais alegres ainda
Fluindo pelos meus ouvidos?

domingo, 1 de julho de 2012

Cerveja, Blues e Solidão

O que eu faço aqui longe de ti?
Eu poderia ter-te em meus braços agora?
No entanto estou aqui
Sozinho
Mirando a pizza congelada
Imaginando-te em outros braços.

Ouço o rádio tocar um blues
Não tenho ouvido blues ultimamente
E esta casa nunca foi tão grande

Esta noite eu vou de cerveja, blues e pizza congelada
Sinto o cheiro do teu cigarro em minhas narinas
Não é você.
É apenas tua lembrança
E arrependimento
Porque raios eu fiquei por aqui?
Porque raios eu não fui te ver?

sábado, 23 de junho de 2012

Homenagens ao Amor e à Intensidade

Uma ode a quem sente um amor intenso, impulsivo e explosivo.
A quem vai até o limite do corpo e da mente em prol de um amor beatnik acelerado.
A quem prefere viver a vida inteira em um segundo se assim for possível.
A quem prefere viver a vida a 1000 por hora em pouco tempo do que vivê-la a 20 por hora por um longo tempo.
A quem acredita que o amor somente é coisa banal
A quem quer pegar a sessão das cinco e beijar loucamente no escuro do cinema.
A quem quer deitar na cama e viver o puro flertar, o paraíso perdido, toques de Eros. Sarro. Tesão.
A quem acredita que o amor é tão profundo quanto uma transa sensual.
A quem quer gozar no céu e no inferno.
A quem tem pressa de viver, que deixa a certeza de lado para se arriscar apaixonadamente.
A quem tem a mente inquieta, pensa mil coisas em um milissegundo.
A quem se sente incapaz de se prender a regras e normas pre-estabelecidas.
A quem sente fervilhar no corpo a necessidade de um amor violento e fugaz aqui e agora.
A quem deseja gozar como se fosse o último gozo da vida.
A quem quer viver e amar intensamente, impulsivamente e explosivamente.

Oh intensa mulher. Somos regidos pelo mesmo planeta.
Vênus sensual, deusa do amor!
Somos regidos pelo mesmo signo terreno, pelo mesmo elemento.
Basta pedir-me com carinho que cantarei esta canção junto ao teu ouvido
Com um sorriso sereno e olhando teus olhos com um olhar amante repleto de lascívia e tesão.
Larga esse teu e venha!
Transaremos agora - é só você querer - e gozaremos como se não houvesse vida amanhã.
Vou lamber os teus seios, acariciar sua vagina e ser feliz dentro de ti e gozar em teu umbigo.
Venha, vamos viver um amor pleno e fugaz.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Manifesto contra a hipocrisia e a autocensura em prol da própria liberdade

Século XXI. O século em que tudo faz mal. Sim. Nós vivemos em um mundo no qual tudo, literalmente TUDO, faz mal à saúde. Tudo mata. Tudo é vil, danoso, nocivo.

O chocolate dá espinha. O amendoim dá disenteria. O vinho dá cirrose hepática. O cigarro dá câncer. O refrigerante dá diabetes. O churrasco aumenta o colesterol. O tomate dá pedra nos rins. A laranja contém fertilizantes que nos intoxica. O biscoito tem gordura trans. A ferrugem faz mal. O cloro faz mal. O encanamento tem ferrugem e a água que sai desse cano contém cloro. Jogar futebol desgasta os joelhos. Cantar agride as cordas vocais. Fone de ouvido ensurdece. Televisão nos cega. Internet emburrece. Beijar dá herpes. O sexo tornou-se um risco de vida com tantas doenças venéreas. Gonorréia, Sífilis, Candidíase, Vaginose, Cancro, Chato, Hepatite, HIV, HPV. Tudo faz mal. Tudo mata. Até o diazepam que o médico receita faz mal.

Eu realmente estou admirado como a expectativa de vida só vem aumentando mais e mais.
Quer saber? Problemas! Fodam-se todas essas merdas.
Vamos largar tudo isso de lado. Vamos fazer o que gostamos. Pensar livremente como a gárgula de Notre-Dame. Vamos nos empanturrar de doces. Vamos fumar, embriagar, arrotar, peidar. Vamos comer um hambúrguer bastante gorduroso. Vamos comer sem lavar a maçã caída no chão. Vamos beber água da torneira. Vamos lutar amistosamente. Jogar capoeira. Enfiar o peito do pé na fuça de alguém. Vamos gritar até ficarmos roucos e ouvir música no último volume. Vamos valsar todos nus. Transar por piedade. Acariciar nossa intimidade e esparramar nosso suor e nosso gozo pela grama. Participar todos de uma louca, longa e alegre orgia.

Pelo amor de Deus, vamos fingir que Deus não existe. Vamos dar um “foda-se” ao Paraíso, um “foda-se” ao Nirvana. Vamos fingir que Xenu é apena ficção científica, que a Mãe Tríplice é um conto de fadas, que Iansã é apenas mitologia, que Brahma é só uma bebida. Vamos fingir que não temos outra vida. Vamos fazer aquilo que gostamos simplesmente porque que gostamos. Vamos defender a idéia que temos e não as que o sacerdócio tem por nós. Defender o que sentimos sem nos preocupar com o post-mortem. Vamos fingir que nossas almas não se perderão ou que o mundo após este não será pior só porque resolvemos tratar bem os que não compactuam com nossa crença. Vamos fingir que o mundo não vai acabar. Que não há Ragnarok, Armagedom, Kali Yuga ou Yawm ad-Din.

Vamos ser sinceros com nós mesmos. Pelo menos por um dia vamos parar de julgar a podridão alheia e aceitar a nossa própria podridão. Vamos aceitar aquilo que somos somente porque é isso que somos. Todos nós sabemos que o funk carioca canta o que todos gostamos e que as cortesãs sempre fizeram parte da nobre corte e que os boêmios adoram passar um bom tempo em bordéis. Nós sabemos de um mundo de coisas que preferimos negar que sabemos por falso moralismo. Vamos assumir as nossas faltas, os nossos pensamentos, nossas idéias e emoções. Vamos nos arrepender do que dizemos, mas jamais tentar apagar o que foi dito. É melhor viver e remediar do que prevenir e não aproveitar.

Curtamos essa idéia, compartilhamos essa idéia e mais do que tudo vivamos esta idéia. Nada nos mata se não o próprio tempo, uma bala na cabeça ou uma hemorragia não remediada. Vamos libertar nosso pensamento ao menos por um dia, quem sabe nós gostamos e vivamos livres sempre?

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Triângulo Amoroso


Elas se mexem feito ninfas
Na cama dos prazeres
Como tigresas lindas
No cio da carne. Rubras faces

Morena exótica linda mulher
De toques febris e felacivos
Loira minguante de lingua rosada
Miraculosa e sensual
A boca cunilingual

Toda glória à orgia
Nós três em cama bacanal
Festejamos nossas vidinhas
Em belo triângulo amoroso

terça-feira, 5 de junho de 2012

Gozar em teu céu e inferno

Já não me contento apenas com teu sorriso
Já não me contento apenas com tuas palavras
Quero entrar em teus meios
Mergulhar em teu suor
Afogar-me em teus lábios
Saciar-me na tua árvore da vida
Sorver-me de tua saliva
Vaguear pelo teu bosque
Aventurar-me em tuas curvas
Gozar em teu ventre
Quero dominar-te
Explorar-te
Perder-me em teu cheiro
Curtir o teu sexo
Entre cigarros, vinhos e blues

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Bem-vindo ao Mundo dos Sonhos II

   Seu corpo grita de dor, uma dor que ele é incapaz de sentir. Seus olhos se abrem, porém nada são capazes de enxergar, aos poucos a luz vai penetrando por eles. Por sobre a relva ele se encontra deitado, sem muita certeza do que acabou de acontecer, mas ele sente como é bom estar vivo. Estando recuperado de eventos já esquecidos ele começa a se levantar, tentando saber onde se encontrava. Tudo lhe é estranhamente familiar, mesmo não sabendo onde é que ele está. A seu redor nada há além de um campo mais extenso do que sua visão é capaz de supor. Sem saber para que lado seguir ele espera pelo vento que irá lhe mostrar qual caminho tomar. Sem muita demora o vento passa soprando para o leste, ou talvez para oeste, não interessa, é para lá que ele irá, ainda que lá esteja ao sul ou ao norte. Após uma quase longa jornada ele chega a algum outro lugar, a paisagem em nada mudou , mas em nada se parece com a anterior. O vento lhe trás sons de onde acabara de vir e, como se fosse um sonho, ao olhar para trás ele vê pastores sentados, onde antes não havia ninguém, como se ali estivessem desde o início dos tempos. Na direção dos pastores ele vai na esperança de ter sua curiosidade saciada antes que o mundo mudasse de novo.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Poema de Rato nº 4


Oh ratos imundos
   que se despem no início do dia
   mostram suas bundas peludas aos céus
   trepada matutina e puta nas ruas da cidade
Oh ratos desgraçados
   que se esgueiram pelo jardim
   rosas fulminadas, margaridas despedaçadas, cravinas fodidas
   priapo deus em cus infiéis
Ratos!:
   suas faces estão bem guardadas.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Bem-vindo ao Mundo dos Sonhos I


       Ainda é madrugada, a cidade inteira dorme, apenas eu não consigo dormir. A casa parece vazia, mas ainda ouço sons vindo de lugar nenhum. Lá fora a lua a iluminar no céu sorri para mim, ela me lembra alguém, eu só não sei quem. O vento sopra, as nuvens passam deixando o quarto na escuridão. O tempo passa, mas o sono não vem. Cansado de esperar em vão ele decide sair pra caminhar, nada como andar pelas ruas desertas à noite. Uma densa neblina toma conta do lugar, o mundo se esconde por trás das nuvens, apenas a lua está visível e tão próxima que até parece ser possível alcançá-la. Ele corre em sua direção, faz de tudo para alcançá-la, mal percebe ele que enquanto ele corre o céu se abre, as nuvens desaparecem ao seu redor. Da lua ele está cada vez mais próximo, mas algo o impede de continuar até ela, parecendo até mesmo uma força do além. Ele olha pra baixo e vê o que era, seus pés não mais tocavam o chão, por sobre as nuvens ele se encontrava. De repente, como num desenho animado, seu corpo fica mais pesado e ele despenca ao chão. Nesse momento só o que ele deseja é que tudo não passe de um sonho do qual ele está prestes a acordar, porém, estranhamente, ele sabe que tudo isso, de alguma maneira, é a realidade. Parece que dessa vez sua morte será real, e não outro sonho qualquer.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Religião Carnal


Pernas entrelaçadas
Laços de amor
Línguas se encontram
Liquidos se misturam

Movimentos orquestrados
Gemidos em música
O sangue virginal
Derrama-se na cama

Mordidas suaves
Carinhos selvagens
Deileitam-se na cama
No chão, na parede

Um quarto de motel
Um beco escuro
Verdadeiros altares
Duma estranha religião

quarta-feira, 21 de março de 2012

Nada Além de um Sonho

Lá do alto tudo parece pequeno, pequeno e fraco, somente o vento está mais forte. Rajadas constantes parecem querer lhe derrubar, mas ele permanece imóvel, somente seus olhos percorrem a paisagem. Ele sabe que tudo não passa de um sonho, mas há algo de errado, ele não sabe o que é, ele só pode sentir. Um grito ecoa no ar, trazendo medo e pavor, trazendo um pedido de ajuda. Seu coração se acelera, o vento enlouquece, alguém o empurra, mas não há ninguém além dele, seu corpo é jogado ao vazio. Ele cai pelo infinito, um nome é sussurrado no escuro, um nome que ele jamais escutou.  Imagens surgem no nada, imagens confusas como seu sonho, é a vida passando diante de seus olhos, porém não era sua vida. Ele pode ouvir o vento, porém ele não mais o sente a bagunçar seu cabelo, só o que ele sente é medo, um medo intenso, um medo que não tem explicação. Ele ouve passos, vindo de todos os lados, indo para lugar nenhum. As imagens se tornam mais claras, ele pode ver uma moça paralisada de medo diante de alguém que ele não consegue enxergar. Ele não sabe quem ela é, mas ele quer ajudá-la, mesmo sem saber como. Dela ele tenta se aproximar, o medo se torna mais forte, quase insuportável, de repente um grito. Ele acorda de um sonho estranho do qual ele não mais é capaz de se recordar.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Poema de Rato nº 3


Jogo tarô sentado no chão
Da estação do velho metrô
Prantos caídos nos versos
De um universo distorcido

Andando no botequim
Olho para mim vomitando
Calado e gemendo
Fadado ao fracasso

sexta-feira, 9 de março de 2012

Influências - Joy Division

Durante muito tempo Joy Division não passava de uma banda que os meus irmãos ouviam. Porém com o passar dos anos eu percebi que dentre todas as bandas que eu vim a conhecer poucas representam tão bem certas partes da minha vida quanto o Joy Division.

Assim como muitas pessoas eu tenho meus momentos de tristeza, apatia, momentos em que o mundo e minha vida não pareciam fazer sentido. Muitas vezes eu apenas ficava deitado na cama sem vontade de levantar, desejando, as vezes, poder dormir e não mais acordar. Outras vezes eu ia fazer algo pra sair do marasmo, nem que fosse dar umas voltas pela casa. Porém algumas vezes o melhor a fazer era aproveitar o momento, por mais estranho que isso possa parecer, e nada melhor, para mim, do que curtir a tristeza ouvindo Joy Division.

Nesses breves momentos eu me identificava principalmente com o som desse grupo inglês,o que pode ser percebido em alguns de meus textos que possuem um tom mais sombrio, assim como as letras de algumas de suas canções.

É difícil falar qual música deles me marcou mais, não há uma que se sobressaia, por isso é difícil postar apenas uma, portanto irei postar 3 das minhas músicas favoritas.







quinta-feira, 1 de março de 2012

Poema de Rato nº 2


Sujo rato pobre
Cruzo em pequenos pulos
Todos os cantos escuros
Becos sujos
Sarjetas às margens
De bocas de lobo
Bocas de fumo

Rato pobre sujo
Cato misérias no chão
Bitucas de cigarro
E uma longneck
Desesperançosa
Largada nessas sujas
Calçadas

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Poema de Rato nº 1


Sou um qualquer
Esquecido
Largado
Deixado
Escondido

Ninho de rato
Quarto quente
Num canto qualquer
De um lugar qualquer

Sou um qualquer
Sem grupo
Sem lugar
Além
Dum bagunçado
Ninho de rato

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Déjà vu

   Um grito ecoa no ar, ela acorda suada e com a respiração ofegante, ela não se lembra bem sobre o que acabou de sonhar, mas sabe que acabara de ter um pesadelo, seu coração palpitante não a deixa esquecer. Com um estranho sentimento de déjà vu ela se levanta, um pouco de ar fresco e um copo de água ajudarão a acalmá-la. Com um copo na mão e o vento no rosto ela observa a lua envolta em nuvens, uma imagem tão bela que nada mais a preocupa. Após algum tempo perdida em seus pensamentos o sono lhe faz lembrar que é melhor voltar a dormir. Enquanto isso lá fora o mundo escurece, a lua desaparece por entre as nuvens. As luzes se apagam, nenhuma luz no horizonte, nunca vi uma noite tão escura. O vento começa a soprar mais forte, enlouquecendo as folhas no quintal, raios iluminam a noite. Deitada em sua cama já recuperada do susto e pronta para voltar ao mundo dos sonhos ela ouve seu nome sendo sussurrado pelo vento. Não pode ser real, devo ter ouvido errado. Mas não ouviu, seu nome é sussurrado de novo e dessa vez não foi pelo vento. Já completamente desperta ela tenta ouvir algo, mas só percebe o vento varrendo as folhas do jardim. Nem bem ela se deita de novo e o vento cessa, podendo se escutar passos lá fora. Teria sua família voltado mais cedo? Ela se levanta novamente e procura acender as luzes, porém nada acontece, o mundo se aquieta. Vendo que a luz acabara, ela procura por sua lanterna, mas tudo em vão, a lanterna também não acende e ela não sabe onde estariam as pilhas novas, a solução é acender uma vela. Descendo as escadas ela sente um vento frio, mas como poderia isso acontecer se as janelas estão todas fechadas? Com a vela em mãos ela verifica se há alguém em casa, mas a casa está vazia, como ela já imaginava, estaria sua mente lhe pregando peças? Ela sente o vento novamente, ainda mais forte que antes, e percebe que a janela da sala estava aberta, mas eu tenho certeza dela ter sido fechada. Seu coração batia tão forte que ela quase não percebe o barulho de passos vindo lá de fora. Ela olha pelo vidro da porta, mas tudo parece normal, sua vela se apaga. Ela pensa em acendê-la de novo, mas talvez o melhor seja voltar a dormir e esquecer-se dessa noite. De repente um raio ilumina o vulto lhe encarando do outro lado da porta. Assustada como jamais pensou ser possível ela corre, ela não pensa em mais nada além de ligar para a polícia, mas o telefone está mudo, maldita falta de luz. Ela ouve o barulho de vidro se quebrando e a porta se abrindo, o celular deve estar funcionando. Ela corre pela escada enquanto os passos se aproximam cada vez mais. Ela corre o máximo que pode, mas a escada nunca lhe pareceu tão longa, quanto mais ela corre mais os passos se aproximam e mais seu quarto se distancia. Cada vez mais desesperada ela reza pedindo por ajuda, mesmo não acreditando em nada disso. Já exausta e sem mais ouvir os passos ela olha para trás, só para ver o desconhecido a não mais que alguns centímetros de distância. Ela tenta gritar, mas sua voz não sai, ela está muda de terror. Paralisada de medo ela deseja que aquilo tudo não passe de um sonho ruim prestes a acabar. Ela sente as mãos frias de seu perseguidor tocando seu corpo, seu coração batendo o mais forte possível e sua respiração cada vez mais difícil. Sem mais esperanças de se safar ela fecha os olhos, desejando que aquilo acabe o mais rápido possível, o invasor começa a lhe despir, o medo é tanto que ela mal consegue respirar, tudo o que ela sente são duas mãos passeando por seu corpo nu, um grito ecoa no ar, ela acorda suada e com a respiração ofegante, ela não se lembra bem sobre o que acabou de sonhar, mas sabe que acabara de ter um pesadelo...

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Um Conto de Pássaros Sem Voz


Com suas brancas asas batendo
Voava primeiro o Pelicano
Ganancioso pelo seu prêmio

Então veio logo um pombo
Em silêncio indo tão longe
Bem além do Pelicano

Um Corvo assim surgia
Voando mais alto que o Pombo
Só para provar que conseguia

E um Cisne veio suave
Querendo um canto tranquilo
Perto d'outra ave

Afinal outro Corvo chegou
Bem rápido para logo parar
E grasnando logo cochilou

Quem mostrará o caminho
Quem abrirá o cadeado
Quem te guiara até
O seu prêmio prateado?

minha tradução do poema A Tale of Birds Without a Voice, presente no primeiro jogo da série de terror Silent Hill.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Dia Quente


    Dia quente, o sol em chamas aquece a terra, o fogo toma conta de nossos corpos. O calor é intenso, a luxuria se despede do sol a partir num céu a queimar. As sombras tomam conta do mundo enquanto no céu as nuvens dançam como dançam nossos corpos nus. O fogo se alastra pelas luzes que se acendem, a cidade está em chamas. O tempo parece derreter por entre nosso suor, é forte o cheiro de pecado. A lua se esconde timidamente no céu, imaginando o que se passa por entre essas paredes. O vento vem e vai, invejando o que só eu posso ter. As nuvens se movem frenéticas no céu, até o mundo parar, até começar a chover.

sábado, 21 de janeiro de 2012

O Clamor no Deserto


Os sonhos foram feitos para serem esmigalhados. Nenhum de seus sonhos se realizará, aprenda isso e se contente, não há nada que você pode fazer para mudar isso. As utopias não passam de pinturas, pinturas com lindas paisagens, mar calmo, cavalos pastando - só servem para você admirar e mais nada. A vida é real e punitiva, pune quem você menos espera. Sim! A vida transforma sonhos em migalhas. Basta você olhar para fora de sua janela e então verá que tudo o que falo é verdade: os sonhos foram feitos para serem esmigalhados.

O boêmio estava tonto como uma égua e havia subido em uma mesa para chamar a atenção de todos à sua volta.

Desça daí! Por favor.

Vou ensinar algo a todos vocês! Ouçam essa pessoa que fala. A vida é brutal e amarga, não importa quanta anarquia você faça a vida vai de anarquizar com mais violência que fim de jogo do Atlético contra o Cruzeiro. Eis que a vida vai chegar para você e dizer: "Agora você vai ter que abrir as pernas e me deixar entrar" e a única coisa que você vai fazer é justamente deixar as pernas bem arreganhadas para a vida entrar contudo, sua cambada de fêdazunha.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

   A casa vazia, uma música se espalha solitariamente pelo quarto. Sentado na janela eu vejo o sol se despedir em lágrimas até sumir por detrás da serra. O mundo se aquieta, as sombras chegam para mergulhá-lo na escuridão. Estrelas começam a surgir por toda a terra sob o olhar solitário da lua enquanto uma estrela viaja pelo céu deixando seu rastro por onde passa, até sumir por entre as nuvens. O vento sopra, me chamando a atenção para um morcego que passa voando por mim, me lembrando que ainda há vida no mundo lá fora. Sonhos invadem a cidade, o mundo se prepara para dormir. Um vento frio passa avisando que irá chover essa noite, só que eu não tenho ninguém para me aquecer. Os sinos da igreja quebram o silêncio para se despedir desse dia que acaba e cumprimentar o que irá chegar, enquanto eu permaneço aqui esperando o sol retornar.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Femme Fatale


"Nos vemos amanhã, então?"
"Sim. Pode ser às dez?"
"Da manhã ou da noite?"
"Da noite é lógico"
"Perfeito. Onde vai ser?"
"Na Afonso Pena, perto do Palácio das Artes, que tal"
"Ótimo! Para não haver desencontros procure por uma Haley Davidson"
"Ah pode deixar! Agente se acha de um jeito qualquer."
"Até amanhã, então."
"Até."

Ambos desligaram o telefone ao mesmo tempo e foram dormir. Antes de dormir Amanda olhou em seu diário e analisou o plano. Confirmava detalhe por detalhe, abriu o guarda roupa e escolheu a logo a melhor roupa para amanhã, queria vestir-se como um verdadeira femme fatale. Logo depois leu Marquês de Sade e dormiu. Júlio pegou uma revista na gaveta do guarda roupa e pensava se Amanda seria como aquelas mulheres da revista, sentiu tesão, mas tentou agüentar, e agüentou, amanhã ele tiraria o atraso.

Leitores dos Boêmios