quarta-feira, 5 de outubro de 2011


Durante o fim de tarde, enquanto todos se preparam pra dormir, ela chora, lamentando seu triste destino, abusada por aquele que a deveria proteger. Ela grita, mas ninguém a ouve, é o que ela pensa. De repente um acidente, um corpo cai, sujando de sangue o chão, ela não teve culpa, só que ninguém quer saber, quando um rico morre o pobre é o culpado.
            Durante a madrugada, enquanto todos vão dormir, ela corre, fugindo de seu triste passado, tentando escapar daqueles que a condenaram por crimes que não cometeu. Seu único crime foi ter nascido pobre. Seus pés mal a sustentam em pé. Uma porta é aberta, ela entra em um casarão há muito abandonado, desejando encontrar ali o refúgio que tanto necessitava. Seus pés a levam ao quarto, seu corpo queria descanso, sua mente, porém, sabe que não há tempo para isso. Seus olhos passeiam pelo cômodo e param ao ver o vestido mais belo que ela jamais havia visto. Ela sabe que não deveria vestí-lo, mas seu desejo é mais forte que sua razão.
            Durante a madrugada, enquanto todos dormem ela se assusta, temendo por seu triste futuro, observando as luzes que saem pela porta que se abre, ansiando que seu pesadelo tivesse fim. Seu desejo era sair correndo, mas algo a empurrava adiante, fazendo-a entrar na sala que brilha como se o sol ali estivesse. Tudo se aquieta enquanto todos voltam seu olhar para ela. Seu coração se acelera, ele lhe estende uma mão com um sorrisso no rosto. A música toca enquanto eles dançam e todos ao redor começam a desaparecer até não ter mais ninguém além do par a dançar.
            Durante o nascer do dia, enquanto todos acordam, ela morre, sorrindo...

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