quarta-feira, 26 de outubro de 2011

3 Poemetos

A Mineirinha

A mineirinha vem andando
Suando puro tesão
Com a calça pregada no rego
Me deixa louco pra dar um fincão!

Conversa de Puta

Eu vi as mulheres
Lindas feito virgens
Beldades feito ninfas
Falavam feito prostitutas
Mas conversa de puta
Deus não escuta

Mulheres belo-horizontinas

Mulheres belo-horizontinas
Se produzem, maquiam e maquinam
Até para ir à padaria da esquina

Belo-horizontinas
Belas até na essência
Elas me causam
Uma tremenda paudurescência

quarta-feira, 19 de outubro de 2011


       Caminhando por vielas escuras eu sigo sem saber para onde. No céu as estrelas se divertem dançando por todo o universo, até começarem a cair. Os prédios vazios, que mais me lembram ruínas, começam a cair. O mundo, envolto em nada, começa a cair. Tudo está caindo, até mesmo eu estou quase caindo. Somente a vida segue seu rumo como se nada estivesse acontecendo.
       Meu corpo flutua no nada, pareço estar caindo, mas não há como saber, a escuridão é total. Caio em algo macio, abro os olhos e me vejo perante as portas do inferno. Faço mil peripécias para abri-lo e no fim não sei como entrei, tudo parece estranhamente familiar. Encontro amigos que há muito não via e amigos que eu nunca irei ver. Eles me ajudam a derrotar monstros os quais jamais derrotei.
       No fim de tudo há um túnel, mas não vejo luz alguma em seu fim, me pergunto se haverá realmente um fim...

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Invasão


Ela invade minha realidade
E eu, os seus sonhos
Abato loucamente
Minha sede sem tamanho


Ela invade meus sonhos
E eu, sua realidade
Sua mata virgem em minhas mãos
Jogo fora sua castidade


À noite ela queria
Só ficar sozinha
Mas eis-me aqui: a tentação
Minha mão sob sua calcinha


Como um vampiro
Mordo o seu pescoço
Ela é meu lanche
Meu jantar, meu almoço


Eu invado seus sonhos
E ela, minha realidade
Assim com todo carinho
Arranco fora sua castidade

quarta-feira, 5 de outubro de 2011


Durante o fim de tarde, enquanto todos se preparam pra dormir, ela chora, lamentando seu triste destino, abusada por aquele que a deveria proteger. Ela grita, mas ninguém a ouve, é o que ela pensa. De repente um acidente, um corpo cai, sujando de sangue o chão, ela não teve culpa, só que ninguém quer saber, quando um rico morre o pobre é o culpado.
            Durante a madrugada, enquanto todos vão dormir, ela corre, fugindo de seu triste passado, tentando escapar daqueles que a condenaram por crimes que não cometeu. Seu único crime foi ter nascido pobre. Seus pés mal a sustentam em pé. Uma porta é aberta, ela entra em um casarão há muito abandonado, desejando encontrar ali o refúgio que tanto necessitava. Seus pés a levam ao quarto, seu corpo queria descanso, sua mente, porém, sabe que não há tempo para isso. Seus olhos passeiam pelo cômodo e param ao ver o vestido mais belo que ela jamais havia visto. Ela sabe que não deveria vestí-lo, mas seu desejo é mais forte que sua razão.
            Durante a madrugada, enquanto todos dormem ela se assusta, temendo por seu triste futuro, observando as luzes que saem pela porta que se abre, ansiando que seu pesadelo tivesse fim. Seu desejo era sair correndo, mas algo a empurrava adiante, fazendo-a entrar na sala que brilha como se o sol ali estivesse. Tudo se aquieta enquanto todos voltam seu olhar para ela. Seu coração se acelera, ele lhe estende uma mão com um sorrisso no rosto. A música toca enquanto eles dançam e todos ao redor começam a desaparecer até não ter mais ninguém além do par a dançar.
            Durante o nascer do dia, enquanto todos acordam, ela morre, sorrindo...

Leitores dos Boêmios