quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Diário de um desconhecido XXII

Acordo com a sensação de ainda estar dormindo. O dia corre para não se atrasar, logo vem o sol. A noite se despede e vai embora com calma, a lua me chama. O tempo se distrai com o sonho a voar. As nuvens reclamam, eu podia estar lá. A morte e a vida, lado a lado ao meu lado. A loucura me faz companhia. A chuva vem visitar o deserto, o tempo reclama da mudança do tempo. A preguiça aparece e parece não querer conversar. Minha mente se apressa, preciso o sonho alcançar. Pergunto ao amor onde ela está, só o que ouço é que ela não está lá. O tédio vem para conversar, nem vejo o tempo passar. Assisto ao teatro no céu, as nuvens são belas atrizes. Ela chega junto da noite, que estava de volta. Divido a atenção com ela e a noite, como eu queria voar. Ela me beija, a noite me abraça, acho que o tempo parou. O sono, que a ela veio buscar, me diz que o sonho já foi. Sento-me no ar e procuro pelo crepúsculo, mas só a lua aparece. Meu coração parece sentir, prefiro esquecer o que acabei de esquecer. Fecho os olhos, não ouço nada. Sinto um gosto de saudade, percebo o mundo pelo cheiro. Queria ir até lá, mas lá não estarei. A lua se despede, o sono voltou. A noite se vai, o tédio se vai, o dia se foi. O vento já foi, a chuva já foi, o sol já se vai. O sono me chama, já é hora de eu ir. De volta ao mundo dos sonhos.

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