quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Diário de um Desconhecido XXIII

Sinto que alguém quer me ver. Abro os olhos e vejo o vento passar, levando consigo as nuvens para o horizonte. Queria poder continuar aqui deitado sonhando acordado, sentindo as caricias da imaginação, flutuando por entre ilusões, mas ouço o silêncio dizendo que o sono estava a me procurar. Procurando o sono, eu vou em direção ao nada, mas nada eu lá encontro. Vejo meu nome ecoando no ar, sussurros do passado lembrando-me de meu futuro. Pergunto a imaginação se era ela quem estava a me chamar, ela, porém, me responde dizendo ser isso fruto da minha imaginação. Sigo caminhando, perguntando quem estava me chamando, mas ninguém sabia. Estarei eu imaginando coisas, ou será que é a imaginação me pregando mais uma de suas peças? Encontro a lembrança que me recorda de algo que eu queria esquecer. Continuo andando para onde meus pés me levam até me encontrar com o amor, ela deve estar por perto. Vejo-a conversando com a noite que diz que o vento poderia saber quem me chamava. Atrás dele eu vou , só parando para perguntar a um sonho perdido se ele sabia onde se encontrava o vento, mas quem responde é uma de minhas ilusões me dizendo que o tempo não iria parar. Os sussurros se tornam gritos, alguém me chama, mas eu não vejo ninguém, é como se fosse o deserto a me chamar. Atravessando de novo o deserto eu encontro o sono que viera me buscar para o mundo dos sonhos voltarmos.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Mulheres belo-horizontinas


Mulheres belo-horizontinas
Se produzem, maquiam e maquinam
Até para ir à padaria da esquina

Belo-horizontinas
Belas até na essência
Elas me causam
Uma tremenda pauduressência

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Diário de um desconhecido XXII

Acordo com a sensação de ainda estar dormindo. O dia corre para não se atrasar, logo vem o sol. A noite se despede e vai embora com calma, a lua me chama. O tempo se distrai com o sonho a voar. As nuvens reclamam, eu podia estar lá. A morte e a vida, lado a lado ao meu lado. A loucura me faz companhia. A chuva vem visitar o deserto, o tempo reclama da mudança do tempo. A preguiça aparece e parece não querer conversar. Minha mente se apressa, preciso o sonho alcançar. Pergunto ao amor onde ela está, só o que ouço é que ela não está lá. O tédio vem para conversar, nem vejo o tempo passar. Assisto ao teatro no céu, as nuvens são belas atrizes. Ela chega junto da noite, que estava de volta. Divido a atenção com ela e a noite, como eu queria voar. Ela me beija, a noite me abraça, acho que o tempo parou. O sono, que a ela veio buscar, me diz que o sonho já foi. Sento-me no ar e procuro pelo crepúsculo, mas só a lua aparece. Meu coração parece sentir, prefiro esquecer o que acabei de esquecer. Fecho os olhos, não ouço nada. Sinto um gosto de saudade, percebo o mundo pelo cheiro. Queria ir até lá, mas lá não estarei. A lua se despede, o sono voltou. A noite se vai, o tédio se vai, o dia se foi. O vento já foi, a chuva já foi, o sol já se vai. O sono me chama, já é hora de eu ir. De volta ao mundo dos sonhos.

sábado, 6 de agosto de 2011

Pretensão (ou Pré-Intensões Carnais)

Minha cabeça quente
Lotada pretensões
Pré intenções carnais

A cama morna e o cetim
Largado no corpo nu da deusa

Minha cabeça quente
Fervilhando pensamentos
Que não deveriam ser pensados

A cama morna e o cetim
Largado no corpo nu da deusa

Meu olhar incandescente
Mirando suas ancas
brancas.

A deusa nua dorme e seus
sonhos tão impenetráveis

Leitores dos Boêmios