quarta-feira, 29 de junho de 2011

Triste Noite

Numa noite escura
Um sorriso sinistro
Mancha de vermelho
O céu sem estrelas.

Numa noite sinistra
O vento me faz lembrar
De certos temores
Que eu queria esquecer.

Numa noite sombria
A lua assiste,
Solitária no céu,
A uma obra macabra.

Numa noite macabra
Se ouve um grito,
Um corpo caindo
E outro fugindo.

Numa triste noite
O céu se entristece...

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Putas na Sala de Estar

O vento murmurante veio me falar
Das belas moças que estão a me esperar
Amantes meigas, amores cegos
Tudo de bom para encher meu ego.

Vou lá ver as minhas amantes nuas
Meu Deus ond'estão aquelas putas?
Me chamem de pervertido. Não sou ninguém
E quem nunca sonhou em ter um harém?

E alí estão minhas putas gostosas
Tomando o chá das cinco horas
Vejo lá minhas lindas nuas
Contando umas as outras as peripécias suas

Oh! Minas putas!

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Influências - Daft Punk

Várias são as minhas influências, algumas mais perceptíveis que outras, mas todas importantes para moldar essa personalidade meio perturbada que eu possuo hoje. Poderia citar várias dessas influências, mas vou me ater apenas algumas poucas delas, começando com algumas de minhas influências musicais.
Poderia começar falando dos Beatles, mas sejamos sinceros, o que mais há pra se falar dos Beatles? Que eles fizeram parte de toda a minha vida e provavelmente continuarão por muito mais tempo?
Poderia falar de bandas ou artistas como Queen, Led Zeppelin, Legião Urbana, Creedence, Michael Jackson... Porém elas não possuem um significado tão grande na minha vida quanto o Daft Punk. Não que eu os ache melhor que as outras bandas, longe disso. A verdade é que eu vim a conhecer esse duo francês numa época em que ainda sofria muita influência dos meus pais e irmãos, tudo o que eu gostava era o que o restante da minha família gostava e ainda gostam, assim como eu.
Meu primeiro contato com o Daft Punk não teve nada de anormal, não curti tanto de início, porém após assistir ao clipe de Around the World as coisas se modificaram. Eu comecei a me interessar pela banda e seu trabalho. Foi a primeira vez que eu me interessei por algo realmente, não apenas por que os outros gostavam. Foi, creio eu, o primeiro passo pra desvencilhar um pouco meu gosto do da minha família. Ainda tenho muito da influência de minha família, mas graças a esse clipe eu passei a ter minhas próprias influências.
Muitos não gostam da música, acham-na repetitiva demais, ainda mais se escutam a versão completa. Até mesmo eu acho-a repetitiva às vezes, ainda assim acho difícil não curtir esse clipe simples, porém genial.
Para aqueles que, assim como eu, gostaram do vídeo, recomendo muito o trabalho dessa dupla. Além das ótimas músicas, eles também têm ótimos clipes. Se puderem, não deixem de assistir à Interstella 5555: The 5tory of the 5ecret 5tar 5ystem, um longa metragem, em animação japonesa, que é a realização visual do álbum “Discovery”. O filme não possui falas e mínimos efeitos sonoros, porém possui as músicas do álbum.

sexta-feira, 10 de junho de 2011


Foi-se embora com o vento
Dum caminhão com todo o seu poder
Seu motor tremendo e pungindo ferozmente
Quem ouve os seus lamentos

Rodando avenidas
Rodando o quanto precisar
Feroz como o estouro dum trovão
Dum raio atacando torres de energia
Um monstro vigoroso
Rodando rodovias
Rodovias de entregas urgentes
Rodovias de entregas perecíveis

Sinta o tremor do terror
E o grito motorizado retumbante

Sinta a energia que se desprende
A energia que já se foi
Foi-se embora com o vento
Dum caminhão com todo o seu poder.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

O dia estava claro, ensolarado, o céu estava de um azul incrível. Aves voavam pelo céu, crianças corriam pelo gramado, do jeito que ele gostava. A vida pulsava naquele dia, só que ninguém percebia, estávamos tristes demais para isso. Era como se um pedaço de nós estivesse morrendo com ele.

Ele costumava dizer que nada é tão ruim que não possa ser bom, creio que ele tinha razão. Apesar de toda alegria lá fora, por dentro só a tristeza tinha espaço. Foi quando a vi, não sabia quem era, nunca a havia visto, mas era como se eu conhecesse-a desde que nasci.

Era estranho, parecia que somente eu a via, uma mulher como ela costuma chamar a atenção tanto que após colocar meus olhos nela eu não consegui desviá-los. Ela me viu e sorriu, até hoje não sei como consegui continuar olhando para ela. Assim que ele morreu ela se foi, nem vi quando isso aconteceu.

Pode até parecer frieza, mas enquanto ele era enterrado tudo o que eu pensava era em revê-la. Porém esperei em vão, pois ela não apareceu.

Após algum tempo procurei saber quem era ela, só que ninguém se lembrava de ter visto alguém como ela, somente eu. Comecei a pensar que tivesse apenas sonhado.

O tempo passou, dela eu só tinha lembranças, até que um dia alguém me disse oi. Era ela. Tentei balbuciar algo, mas o resultado não foi dos melhores, ela sorriu. Pensei em lhe dizer tanta coisa, mas nada saiu. Ela me disse algo, o nervosismo era tanto que nem lembro mais o que foi. No fim a conversa não foi muito longe, ela se foi, disse que o trabalho a esperava e que nos veríamos depois. Quis lhe perguntar algo, mas não consegui.

Duvidando que fosse revê-la eu sai do trabalho no dia seguinte e antes que eu virasse a esquina ela disse oi. Não me lembro o que conversamos, só lembro dela dizendo que precisava ir trabalhar e, como naquele dia, ela iria para o lado de minha casa ela me ofereceu companhia.

Os dias seguiram-se, passamos a nos encontrar diariamente e quando dei por mim estava dormindo com ela a meu lado, mas ainda acordando sozinho. Dizia ela que seu trabalho lhe tomava muito tempo e que por isso não podia passar mais tempo comigo, mas que, ainda assim, não o trocaria por nada. Meus amigos, que nunca a viram, achavam que ela fosse casada e, para ser sincero, eu também sempre acreditei nisso. Mas para quê tentar mudar algo que estava indo tão bem?

Com o tempo passamos a ter um único ponto de encontro: minha casa. Ela aparecia quando queria, aproveitava-se de toda minha energia e ia embora enquanto eu dormia. Falávamos pouco, nos comunicávamos através de ações, nossos corpos suados, ofegantes de prazer, se expressavam melhor que mil palavras.

O tempo continuou a passar, minha memória já não é tão boa e meus cabelos começaram a cair, os que não caíram ficaram branco. Minhas forças se foram, já não consigo fazer coisas que antes eram tão simples. Mas o tempo não teve efeito sobre ela, ela ainda me parece igual ao dia em que a vi pela primeira vez. Sua eterna juventude é tal que a seu lado eu sinto-me de novo com apenas vinte anos. Ela me dá energia, ela me faz jovem de novo.

Por que resolvi escrever isso hoje? Eu não sei, talvez porque eu sinto que minha hora está chegando, enfim irei morrer e não tinha nada melhor para deixar para você. Arrependo-me um pouco de não ter filhos, mas, ainda assim, se me fosse dado a oportunidade de mudar meu passado eu escolheria deixá-lo exatamente como está.

Bem, creio que é isso, não tenho mais nada a escrever. Ela chegou para nosso último momento juntos:

_ Veio se despedir de mim?
_ Não, vim te buscar.

Leitores dos Boêmios