sexta-feira, 27 de maio de 2011

Poema Urbano nº 6

Meu pé marca o compasso no chão
A cabeça ocupada por idéias diversas
Esperando eternamente por um trem
Um trem infinito de pessoas dispersas

Vento frio ventando na cara
Dum cara emburrado de cara amarrada
Vou andando na estação doentia
Sem pensar em pensar em mais nada

Mochila nas costas e um café na mente
Pra deixar a mente desperta
É o tempo em que o tempo deixou
A meia noite eterna

Hoje é o dia em que o roquenrôl
O roquenrôl parou

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Diário de um desconhecido XXI

É uma bela manhã de luar, nunca havia visto o céu tão azul quanto hoje. O tempo parece compartilhar a calma do mundo. A vida se aquece debaixo do sol e a morte se finge de morta. Vejo um trovão, onde haverá uma sombra? O vento me cumprimenta enquanto a frustração clama por atenção. Ouço um relâmpago, o mundo começa a girar. Gostaria de ir até ela, mas creio que ela não está lá. A irá conversa com a calma, acho que a noite não tarda a chegar. A vida se cansa e a morte, inquieta, observa o tempo. A noite me abraça enquanto percebo a insanidade passar apressada. A fome reclama enquanto o vazio aparece. Sinto algo no ar, onde será que isso vai dar? O mundo parece mais rápido, que cheiro de nostalgia. Meu corpo pede por descanso, o céu parece estar molhado. Sento-me de costas para o horizonte para observar melhor o céu e a terra no infinito. A lua aparece dizendo que ela queria me ver, mas a solidão me diz que o sono já estava com ela. A tristeza se despede enquanto a alegria vai embora. O céu escurece, algo se aproxima, eu sei. O dia começa a suar e as estrelas passam a sumir, algo irá acontecer, mas o sono chega antes que algo mais aconteça e me leva de novo ao mundo dos sonhos.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Diário de um desconhecido XX

O tempo passa apressado como sempre, correndo, dizendo já estar muito adiantado. A vida ri e a morte diz que o tempo não tem jeito. Ela diz que ele é muito afobado, está sempre correndo, nunca para, seja para descansar ou apenas admirar o mundo a sua volta. Para mim o tempo, as vezes anda mais devagar, o problema é que ele só faz isso quando se quer que ele passe logo. Ele passa de novo correndo, reclamando de nosso atraso, mas como eu posso estar atrasado se eu não fiz nada, o dia todo eu fiquei aqui parado, sentado, olhando o mundo. Creio que o tempo está meio estressado e sem muita razão para tal. Se continuar desse jeito um dia o tempo fica doido. Para agradá-lo um pouco, eu levanto e começo a andar, só para ver se o tempo para de reclamar. Só que ele vem me dizer que eu estou lento demais, estava atrasando tudo. Eu acelero um pouco, porém ele vem e diz que eu estou rápido demais, que não era para eu adiantar tudo. Por um bom tempo, o tempo fica assim, dizendo que eu estou lento quando eu passo a andar um pouco mais devagar ou que eu estou rápido demais se eu acelero um pouco mais o meu passo. Já não sei mais o que fazer para ele parar de reclamar. E é só quando eu me canso disso tudo e me sento novamente que o sono chega para me levar de novo ao mundo dos sonhos.

Leitores dos Boêmios