sexta-feira, 29 de abril de 2011

Mais Algumas Palavras Sóbrias.


Além do álcool, minha inspiração para esses poemas e para o momento poético o qual eu estava passando foi principalmente o livro Noite na Taverna, de Álvares de Azevedo. Um livro mágico para mim. Duas ou três vezes eu o li. Nessas duas ou três vezes eu passei por momentos poéticos semelhantes. Além disso, eu andava lendo alguns poemas de Anacreonte de Teos e de Safo de Lesbos.

O maior dos poemas, Louvor a Baco, foi escrito numa página inteira, enquanto os outros dois foram escritos numa única página. Como eu queria escrever mais de um poema, e não apenas um poema longo, eu resolvi dobrar a folha para delimitar o meu espaço.

Quando olho a letra do último poema parece que o efeito da bebida já havia passado, pois o garrancho nela é menor do que nos outros dois. No entanto quando reviro o baú de minhas lembranças e me lembro de como eu via as coisas – se minha mente não alterou nada por si mesma – lembro que ainda estava embriagado até conseguir pegar no sono. Isso só depois de mudar para a sala, pois o rato ainda fazia alvoroço no guarda-roupa não me deixando dormir – é… no dia seguinte vim saber que o rato era real.


Ao terminar de escrever o último poema, sob a luz meio amarelada daquela lâmpada eu tive o que venho hoje a chamar de "a grande revelação da minha vida". Numa sensação de profundo êxtase eu tive a revelação que eu morreria naquela mesma noite. Eu iria deitar de barriga para cima, cair num profundo sono, vomitar e engasgar com este vômito. No entanto o maldito rato não me deixava dormir – eu amaldiçoava o rato por não me deixar morrer em paz – assim como eu não conseguia dormir e nem morrer eu me levantei e caminhei até a sala, onde dormir no sofá. A morte não veio como me foi revelado (maldito rato!), mas ainda hoje tenho a sensação de que eu realmente morri naquela noite. Um Domingo do mês de Abril. Só quero que saibam que quando eu tive a revelação da minha morte a aceitação foi com um sorriso e uma exclamação apenas: "Cara, eu vou morrer!"

Ao fim da folha logo abaixo do último poema, O Grande Milagre, eu deixei gravado o nome da minha mãe e a frase "Te amo!". Isso porque quando eu tive a revelação da minha morte eu queria que minha mãe soubesse que eu lembrei dela antes que morresse, achei que assim ela ficaria feliz. Bem... eu não morri de fato, logo nunca mostrei os poemas e nem a declaração a ela.

Para finalizar eu gostaria de pedir desculpas por escrever a introdução e essa finalização num estado de sobriedade, pois eu me considero indigno de recitar, copiar ou falar sobre esses poemas enquanto sóbrio, pois, afinal de contas, esses são os Três Poemas da Embriaguez.

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