quarta-feira, 20 de abril de 2011

Diário de um desconhecido XIX

Acho que vou visitar o oceano, ver o sol surgir por entre as águas. A morte e a vida gostam da ideia, o tempo reclama que isso vai nos atrasar. Começamos logo a viagem, pois o caminho é longo. No caminho encontro a fome, a sede e o cansaço e escuto a dor. Andamos mais um pouco e eu vejo ela, acompanhada do amor. Ela vem em nossa direção, a convidamos para irmos ver o oceano, ela aceita o convite. Nós paramos poucas vezes, apenas para admirarmos a paisagem. Sai a noite, chega o dia. Ainda temos muito para andar, mesmo já tendo andado muito. É estranho, após ela se juntar a nós nessa viagem eu não vi mais o cansaço, a fome ou a sede. A morte pergunta se ainda falta muito para chegarmos e a vida diz que não. Eu pergunto ao tempo a quanto tempo estamos caminhando, mas ele só resmunga da demora e responde que já andamos por tempo demais. Ela apenas ri disso tudo. O sol se vai e dá lugar a lua, finalmente chegamos. Como o oceano só aparece com o sol, decidimos esperar o sol voltar. O tempo diz que aquilo só não era maior perda de tempo do que voltar agora sem ver o oceano. Ficamos conversando até que chega o sol e com ele o sono que me leva de volta ao mundo dos sonhos.

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