sexta-feira, 29 de abril de 2011

Mais Algumas Palavras Sóbrias.


Além do álcool, minha inspiração para esses poemas e para o momento poético o qual eu estava passando foi principalmente o livro Noite na Taverna, de Álvares de Azevedo. Um livro mágico para mim. Duas ou três vezes eu o li. Nessas duas ou três vezes eu passei por momentos poéticos semelhantes. Além disso, eu andava lendo alguns poemas de Anacreonte de Teos e de Safo de Lesbos.

O maior dos poemas, Louvor a Baco, foi escrito numa página inteira, enquanto os outros dois foram escritos numa única página. Como eu queria escrever mais de um poema, e não apenas um poema longo, eu resolvi dobrar a folha para delimitar o meu espaço.

Quando olho a letra do último poema parece que o efeito da bebida já havia passado, pois o garrancho nela é menor do que nos outros dois. No entanto quando reviro o baú de minhas lembranças e me lembro de como eu via as coisas – se minha mente não alterou nada por si mesma – lembro que ainda estava embriagado até conseguir pegar no sono. Isso só depois de mudar para a sala, pois o rato ainda fazia alvoroço no guarda-roupa não me deixando dormir – é… no dia seguinte vim saber que o rato era real.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Diário de um desconhecido XIX

Acho que vou visitar o oceano, ver o sol surgir por entre as águas. A morte e a vida gostam da ideia, o tempo reclama que isso vai nos atrasar. Começamos logo a viagem, pois o caminho é longo. No caminho encontro a fome, a sede e o cansaço e escuto a dor. Andamos mais um pouco e eu vejo ela, acompanhada do amor. Ela vem em nossa direção, a convidamos para irmos ver o oceano, ela aceita o convite. Nós paramos poucas vezes, apenas para admirarmos a paisagem. Sai a noite, chega o dia. Ainda temos muito para andar, mesmo já tendo andado muito. É estranho, após ela se juntar a nós nessa viagem eu não vi mais o cansaço, a fome ou a sede. A morte pergunta se ainda falta muito para chegarmos e a vida diz que não. Eu pergunto ao tempo a quanto tempo estamos caminhando, mas ele só resmunga da demora e responde que já andamos por tempo demais. Ela apenas ri disso tudo. O sol se vai e dá lugar a lua, finalmente chegamos. Como o oceano só aparece com o sol, decidimos esperar o sol voltar. O tempo diz que aquilo só não era maior perda de tempo do que voltar agora sem ver o oceano. Ficamos conversando até que chega o sol e com ele o sono que me leva de volta ao mundo dos sonhos.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

O Grande Milagre


Permaneço deitado
que pecado
Ora pois, me deixas
Não há nunca tão vão momento
que se compare a tal vã felicidade
Talvez sim
um sonho realizado
Queria pois então
ouvir a flauta
o alaúde, a lira
Nada existe
Hora então
Nem mesmo eu
Pensamentos jamais
Não existem
Eu! Cerva!
Nem isto existe
Somente poucas coisas são reais
Digo-vos então
O único milagre
existente
são três apenas
Mas todos formam um
Eis os três:
Flauta
Alaúde
E lira
E um apenas o que toca!
Louvado seja
Oh tu Trovador! Louvada seja, oh música!

23:54 Domingo

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Passeio pela cidade (Bem vindo ao inferno)

Andando pela cidade a noite eu vejo o céu pintado com luzes de neon e as ruas sujas de gente. Eu vejo lobos em pele de cordeiro vendendo a Deus enquanto homens e mulheres se regozijam sob as asas de Lúcifer. A meu lado um homem anuncia o fim do mundo, só pode estar louco, pois, senão, saberia que o mundo já acabou. No horizonte vermelho eu vejo um sorriso sinistro e dois olhos amarelos a observar a deusas oferecendo prazer. Eis que então aparece ela em todo o seu esplendor, desfilando sua beleza para que todos possam ver que não há nada mais no mundo além dela... Mas quem é ela? E quem se importa. Tudo o que ela quer é nossa adoração. Mas como adorar alguém quando tudo o que o que nos resta é indiferença? Afinal não passamos de marionetes presos nesse inferno o qual chamamos de vida.

Leitores dos Boêmios