quinta-feira, 24 de março de 2011

Diário de um Desconhecido XVIII

Hoje o dia está negro, o céu está escuro, parece até que se aproxima um terremoto. O vento corre violentamente uivando seus delírios para que todos possam ouvir, só que ninguém compreende. Uma luz passa com pressa rasgando o céu, que grita de dor. As nuvens voam sem nexo, dançando em seu baile no céu. Tudo indica que nevará bastante no ano que vem. A noite chega enquanto a lua desaparece, sinto um cheiro de furacão no ar. A vida se assusta e a morte fica confusa enquanto o tempo insiste em parar. O medo se cansa e a calma vai embora, cedo ou tarde esse céu acaba caindo em meu pé. Estrelas nascem distantes, explodindo planetas ou não. Meus ossos começam a doer, o dia veio buscar o sol, a quem havia esquecido. Meus pensamentos se eriçam, aumenta o calor. Os meus ouvidos não vêem, mas minha boca sente a forte neblina cegando meu coração, onde estão todos? Não consigo dormir, o mundo acabou? Hoje o céu derramará suas lágrimas, será que terá maremoto? O sono, que dúvida que algo aconteça, vem para me buscar. E eu volto para o mundo dos sonhos.

sábado, 19 de março de 2011

Sonho de Amor a Três

Oh que estou aqui!
O poeta
Peço! Clamo! Grito!
Anacreonte dei-me inspiração!

Pois sei onde estou
em casa de santo amigo
E chamo por ti, Deusa
Átis!
Safo!
Vênus
Afrodite
onde vós estais
Pois clamo a vós
um segundo de vossa atenção
Oh tríplice
Já me encheste e embriagaste
O que mais quereis me dizer
Safo! Venha! Como necessito de tua presença...
Qual é? Diga-me logo
Qual o teu segredo

Ontem minha lira não soou
Meu alaúde não tocava
Momento mil! Oh Safo...
Não conheceste será
os tristes prantos de uma alma sonhadora?

Álvares! Drummond! Eu sei, mas vós não...
Não sabeis o quanto choro
Onde está Átis?
Oh Átis porque voaste para Andrômeda?
Safo! Junto a ti choro
oh Deusa
querendo teu amor. Mas me ignoras

Volta Átis!
Quem sabe assim
Não sejamos nós felizes?

23:40 Domingo

quarta-feira, 9 de março de 2011

Diário de um desconhecido XVII

Meu coração bate mais rápido e eu sinto um frio no estômago, mal abro os olhos e já estou com saudades dela. Estou ansioso demais, não vejo a hora de vê-la de novo. A paixão me diz para ficar calmo, mas como, se só nela eu consigo pensar? Eu fecho os olhos e respiro fundo, com isso eu começo a sentir-me mais calmo. Eu me deito e sinto uma brisa suave correndo a meu lado. Já mais calmo, e passo a observar as nuvens, que vão acompanhando o vento. Eu reparo nas mais diferentes formas das nuvens, mas tudo o que eu vejo é ela. Eu vou até o lago para observar os peixes, tudo me lembra ela. Eu vou até o jardim para admirar as flores, o único cheiro que eu sinto é o dela. Se eu continuar desse jeito vou acabar enlouquecendo, eu preciso dela. Acho que se eu não a ver logo eu acabarei morrendo, ela é minha vida. Ela, então, me pergunta se não estou exagerando demais com essa história de não viver sem ela. Eu digo que sim, pois a vida fica mais interessante com um pouco de drama. Ela acha graça e ficamos assim, fingindo estar atuando, brincando de sermos crianças. Ficamos nessa brincadeira, até que eu abro os olhos e me vejo de novo nesse mundo, sendo arrastado, contra minha vontade, pelo sonho de volta para o mundo dos sonhos.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Louvor a Baco


Estou aqui, aproveitando doce momento
oh Baco, o que vieste fazer aqui?
Resolveste me entorpecer
E sobre doces experiências falar
tais experiências quais nunca experimentei
Tais doces bacanais e orgias
tais quais nunca fiz.
Mais sim
Diga-me oh Baco
Qual seria a maior blasfêmia?
Esta qual seria?
Maldição!
Haverá blasfêmia maior
do que a Embriaguez da cerva e da água?
E onde está o vinho oh Baco?
E as orgias oh Dionísio?
Eis que chego em tal sonho!
Eis que chego em tal momento
em que peço a ti! oh Baco
Envia-me às ninfas do bosque
ou às dríades das árvores
Envia-me por favor
Oh Baco às deusas do Olimpo
Envia-me à tão bela Afrodite
E deixa-me quanto for
Curtir a Embriaguez
Eis a vida
O orgulho
Eis o Sonho
Falta apenas uma, oh Baco
Manda-me Afrodite
Até mesmo Diana
Pois com todo fervor as anseio
Tal momento não existe
Quem sabe estou errado?
Talvez não tenha existido antes maior momento
Talvez não houvera existido antes mais divertida e viajante conversa
qual essa
Pois sabes bem oh Baco
Estou embriagado

Não digo verdades nem mentiras
Sou apenas poeta
Em seu louvor sou poeta
sou escritor
sou Eu!

Que sabes estou mentindo
Mas uma página é escrita em minha melhor viajem

Em tal louca conversa
não importa oh Baco
Pois esta taverna não existe
E tal vida não existe
Só existe o momento
Eu e o papel
o papel e a caneta
A caneta e a garrafa
Só isso

Leitores dos Boêmios