quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Diário de um Desconhecido XVI

Abro os olhos e vejo a noite conversando com o sol. Ouço o tempo reclamando com o estresse que eu nunca o respeito, que nunca sou pontual. Ou eu atraso tudo, ou eu me adianto demais. É incrível como o tempo está sempre preocupado com o tempo. Não muito longe dali esta a morte, calma e decidida como sempre, também observa o desabafo do tempo. Ela vê que eu a estou olhando e apenas sorri para mim e eu vejo como a morte pode ser bela. Nisso a vida aparece não sei de onde, me assustando. A vida quando quer consegue me pregar boas peças. Ela ri do susto que eu levei e me diz que eu sou super fofo, a vida, as vezes, pode parecer bem estranha. Ela, então, radiante, se afasta de mim com um sorriso misterioso no rosto. Vendo isso o tempo me diz que a vida é bonita mas que é impossível entendê-la. Eu concordo com ele e pergunto-lhe se estou fora do meu horário de novo e o tempo responde que eu não devo me preocupar com o tempo, pois todos os horários estão em seus devidos lugares. O tempo deve ser desses que sentem prazer em reclamar com os outros, mesmo quando não há nada do que reclamar. Ele também se afasta e vai conversar com a morte e a vida enquanto a noite se despede do dia e o sono chega para que possamos ir, de novo, para a terra dos sonhos.

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