quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Diário de um Desconhecido XV

Olho para o infinito me perdendo em pensamentos, divagando sobre a vida, indagando sobre qual seria o seu sentido. Penso tanto que penso em voz alta e a morte acaba escutando. A morte senta ao meu lado e eu lhe pergunto se ela, que tão próxima da vida é, sabe o sentido da vida. Ela responde dizendo que a vida não tem sentido, eu não entendo e lhe peço para explicar. Ela, então, começa dizendo que a vida nem sempre segue uma lógica, que muitas vezes ela faz o mais improvável. A morte diz que, para ela, assim é melhor, pois que graça teria a vida se já soubéssemos tudo o que ela irá fazer antes mesmo de ela o fazer. A morte explica que para a vida fazer sentido tudo teria que ser como deveria ser, mas que isso só seria possível se tudo o que fizéssemos fosse determinado pela vida, que fizéssemos apenas o que a vida quisesse. A morte me pergunta se seria legal ser controlado pela vida, ter um destino traçado e que não pode ser mudado, não ter livre-arbítrio. Eu creio que isso não seria legal, mas alguém poderia considerar isso interessante. A morte me diz que o mais divertido na vida são as surpresas que a vida nos prepara e pergunta se há alguém que não goste de surpresas. Eu lhe digo que sempre tem aqueles que preferem uma vida sem surpresas, ao que ela diz que nós humanos não sabemos o que queremos. A morte sai me deixando a pensar sobre a vida, até que o sono me leva de volta ao mundo dos sonhos.

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