quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Algumas palavras sóbrias

Pode parecer estranho, mas vai ser assim: Um sóbrio introduzindo um ébrio. Nas próximas "páginas" irei postar os três poemas mais loucos que já escrevi em minha vida, os três poemas que mais coloquei de todo meu êxtase neles. Para mim eles são sempre juntos e um não vale nada sem o outro. Cada um com um título distinto em sobriedade, mas os três foram escritos num momento em que eu estava embriagado - e posso dizer que foi minha melhor bebedeira - e portanto juntos os três tem um nome apenas: Momento de Embriaguez.

As transcrições que serão postas aqui contem algumas pequenas diferenças do original que foi escrito com uma letra "engarranchada" a caneta. Essas diferenças não tiram a essência dos poemas (eu acho) pois basicamente erros de português que foram corrigidos (fora o garrancho que eu não posso imitar nessa letra Arial). Coisas como "embreaguês" ou "resolvesteste" se tornaram "embriaguez" e resolveste, sendo assim acho que estou sendo até bem fiel ao meu próprio texto (ou aos meus próprios textos).


Numa casa de classe média baixa - nunca sei o que isso quer dizer ao certo, mas aqui irá significar numa casa da Sarzedo, cidade de Minas Gerais, onde os pais, por mais que queiram a melhor educação pros seus filhos jamais conseguiriam inserí-los numa escola ou universidade particular sem que essa atitude gere em suas contas bancarias uma grande força negativa - dois amigos conversam sobre coisas que eu não me lembro mais. Um desses dois sou eu, mas tentarei deixar esta história na terceira pessoa. Essas conversas são acompanhadas de cerveja, caipirinha (a melhor caipirinha que já bebi na minha vida, preparada pelas mãos mágicas do meu grande amigo Ravengar) e Cachaça Seleta e essas bebidas são acompanhadas por uma deliciosa feijoada - não sei se é o melhor "tiragosto", mas estava ótimo.

Após deses e mais doses e mais doses, os dois resolvem sair noite a dentro passeando pela escuridão do bairro até encontrar um boteco que tivesse sinuca. No caminho, nós mijamos em frente a casa de uma pessoa que não conheço e creio que nunca irei conhecer - e se caso isso aconteça eu acho que nem saberei que ela era a dona da casa - e minha cerveja ficou estranhamente quente e, como toda cerveja quente, ruim, embora tivesse muito gelo dentro da garrafa.


Chegamos ao bar. Jogamos sinuca contra outros bêbados. Se existe algum amontoado de palavras que me lembro desse dia esse amontoado veio principalmente da boca do Ravengar.

Ra: Nós temos uma vantagem
Eu: Qual?
Ra: Eles estão bêbados... Mas temos uma desvantagem
Eu: Hã. ("hã" numa entonação que deu o sentido "prossiga teu argumento" e não de "Não entendi, pode repetir por favor?")
Nós dois: Nós também estamos.


Após esses dois ébrios perderem na sinuca - sempre fui um péssimo sinuqueiro - eles voltam pra casa, pegando outro caminho. Por esse outro caminho os dois param na casa de um outro cara igualmente bêbado. Ele os chama para entrar, oferece um gole de vodca, o Ravengar recusa, mas o outro bebi um golezinho de nada apenas. Depois o outro cara que desconheço quem seja, e se me chamasse na rua hoje eu não reconheceria, mostra aos dois ébrios e por fim depois de uma saudável conversa se despedem.

Os dois personagens da história voltam pra casa. Bebem outra latinha de cerveja e como uma conclusão de uma filosofia barata (Deus! Como eu queria me lembrar toda aquela conversa) terminam um mandando o outro tomar no cu. Ravengar se dirige ao quarto de sua mãe. O outro vai dormir no quarto do Ravengar. Tenta dormir, mas começa a ouvir alguns barulhos estranhos vindos do guarda-roupa. Acha que esses sons são provenientes unicamente de sua cabeça, mas depois se lembra que o álcool não cria - ou nunca criou até aquele momento - coisas do nada, assim conclui que era um rato. Então ele acende a luz e sente uma súbita inspiração entrar em sua alma. Panha dois papéis de sua mochila, todos os dois estavam usados de um dos lados, assim com esse limite de apenas duas páginas, o ébrio decide escrever os poemas assinalando com uma barra ("/") para os versos e duas barras ("//") para as estrofes, assim quando fosse transcrever futuramente substituiria essas barras por quebras de linha. E assim surgiram os Três Poemas da Embriaguez ou Momento de Embriaguez.

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