quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Diário de um Desconhecido XVI

Abro os olhos e vejo a noite conversando com o sol. Ouço o tempo reclamando com o estresse que eu nunca o respeito, que nunca sou pontual. Ou eu atraso tudo, ou eu me adianto demais. É incrível como o tempo está sempre preocupado com o tempo. Não muito longe dali esta a morte, calma e decidida como sempre, também observa o desabafo do tempo. Ela vê que eu a estou olhando e apenas sorri para mim e eu vejo como a morte pode ser bela. Nisso a vida aparece não sei de onde, me assustando. A vida quando quer consegue me pregar boas peças. Ela ri do susto que eu levei e me diz que eu sou super fofo, a vida, as vezes, pode parecer bem estranha. Ela, então, radiante, se afasta de mim com um sorriso misterioso no rosto. Vendo isso o tempo me diz que a vida é bonita mas que é impossível entendê-la. Eu concordo com ele e pergunto-lhe se estou fora do meu horário de novo e o tempo responde que eu não devo me preocupar com o tempo, pois todos os horários estão em seus devidos lugares. O tempo deve ser desses que sentem prazer em reclamar com os outros, mesmo quando não há nada do que reclamar. Ele também se afasta e vai conversar com a morte e a vida enquanto a noite se despede do dia e o sono chega para que possamos ir, de novo, para a terra dos sonhos.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Algumas palavras sóbrias

Pode parecer estranho, mas vai ser assim: Um sóbrio introduzindo um ébrio. Nas próximas "páginas" irei postar os três poemas mais loucos que já escrevi em minha vida, os três poemas que mais coloquei de todo meu êxtase neles. Para mim eles são sempre juntos e um não vale nada sem o outro. Cada um com um título distinto em sobriedade, mas os três foram escritos num momento em que eu estava embriagado - e posso dizer que foi minha melhor bebedeira - e portanto juntos os três tem um nome apenas: Momento de Embriaguez.

As transcrições que serão postas aqui contem algumas pequenas diferenças do original que foi escrito com uma letra "engarranchada" a caneta. Essas diferenças não tiram a essência dos poemas (eu acho) pois basicamente erros de português que foram corrigidos (fora o garrancho que eu não posso imitar nessa letra Arial). Coisas como "embreaguês" ou "resolvesteste" se tornaram "embriaguez" e resolveste, sendo assim acho que estou sendo até bem fiel ao meu próprio texto (ou aos meus próprios textos).

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Diário de um Desconhecido XV

Olho para o infinito me perdendo em pensamentos, divagando sobre a vida, indagando sobre qual seria o seu sentido. Penso tanto que penso em voz alta e a morte acaba escutando. A morte senta ao meu lado e eu lhe pergunto se ela, que tão próxima da vida é, sabe o sentido da vida. Ela responde dizendo que a vida não tem sentido, eu não entendo e lhe peço para explicar. Ela, então, começa dizendo que a vida nem sempre segue uma lógica, que muitas vezes ela faz o mais improvável. A morte diz que, para ela, assim é melhor, pois que graça teria a vida se já soubéssemos tudo o que ela irá fazer antes mesmo de ela o fazer. A morte explica que para a vida fazer sentido tudo teria que ser como deveria ser, mas que isso só seria possível se tudo o que fizéssemos fosse determinado pela vida, que fizéssemos apenas o que a vida quisesse. A morte me pergunta se seria legal ser controlado pela vida, ter um destino traçado e que não pode ser mudado, não ter livre-arbítrio. Eu creio que isso não seria legal, mas alguém poderia considerar isso interessante. A morte me diz que o mais divertido na vida são as surpresas que a vida nos prepara e pergunta se há alguém que não goste de surpresas. Eu lhe digo que sempre tem aqueles que preferem uma vida sem surpresas, ao que ela diz que nós humanos não sabemos o que queremos. A morte sai me deixando a pensar sobre a vida, até que o sono me leva de volta ao mundo dos sonhos.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Poema Urbano nº 5

Viver é fazer o que não se deve fazer

Vejo as belas curvas numa cidade fantasma
De carros calados, ônibus de luz interna apagada
É noite e vejo coloridas estrelas sob a linha do horizonte
Suor etílico nas portas dos cabarés
Abraço um novo amor como amizade feita em boteco (Como um novo amor de bordel)
É noite na luz do amor do meu cigarro
Luz em beco sem saída
É ponta de cigarro, é letreiro de motel

Sou o Ribeirão Arrudas
Enchente podre da Tereza Cristina no verão
Sou boêmio pobre vagando nas ruas da Savassi
Sou romântico a moda antiga esgueirando na Guaicurus
Sou a luz vermelha no semáforo
A Rua dos Desenganos na música do Metralha
Sou o "eterno seu", o café forte aquecendo seu fruto proibido
O beijo francês, o gosto do cigarro, o seu melhor romance

Vejo as belas curvas num beco sem saída
Abraçando um novo romance de café quente matinal
Vejo as belas curvas numa porta de motel
Abraçando o dia cinza no quintal
Acariciando o fruto proibido na vazia praça central
Sou o "eterno seu", o café forte aquecendo seu fruto proibido
O beijo francês, o gosto do cigarro, o seu melhor romance

Viver é fazer o que não se deve fazer

Leitores dos Boêmios