quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Diário de um Desconhecido XIV

Sopra uma frisa bina, digo uma brisa fina. Cai uma chuva morna que abaixa a poeira e levanta esse cheiro de terra molhada. Enquanto isso eu fico aqui, só olhando, observando enquanto a paisagem toma banho. E ela lá dançando na chuva, parece até que nunca havia visto a chuva. Ela me chama para dançarmos juntos, devido a minha recusa ela me puxa para junto dela. A água me molha aos poucos enquanto ela insiste em que eu participe da dança. Já completamente molhado, eu me junto à ela em sua dança estranha e me esqueço de tudo. Dançamos, corremos, pulamos. Parecemos até crianças brincando na chuva. Nós nos divertimos e esquecemos do mundo, naquele instante só existia eu, ela e a chuva, nada mais importava. Ficamos assim até que, finalmente , ficamos cansados. Paramos e nos sentamos sob a varanda apenas observando a chuva banhando a relva e sentindo o suave perfume de terra molhada. Acabamos dormindo com o leve barulho da chuva e eu acordo de novo no deserto negro em companhia do tempo, me dizendo que não era para eu ter voltado ainda, e do sono, que me ajuda a voltar para o mundo dos sonhos.

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