quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Até ano que vem

Eu só passei pra desejar um feliz dia de ação de graças e dizer que caso as bruxas estiverem à solta e a fadinha do dente não lhe der um ovo de chocolate ou o Papai Noel não estourar o champanhe a meia noite gritando “Viva os noivos” e o coelhinho da páscoa não lhe der os parabéns enquanto o cúpido canta “Adeus ano velho, olá ano novo” você não deve ficar triste, pois, com certeza, isso é melhor do que ser servido durante a ceia de natal.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Do Sonho ao Acordar


Tudo foi como uma grande mentira mal contada
E todos os atos se tornaram meros desejos
Desejos escondidos profundamente na decadência
De minh'alma.

Tudo foi como uma grande mentira mal contada
E todas as verdades do mundo se tornaram apenas
Simples brinquedinhos entregues a mulheres ofegantes
Brinquedinhos para diversão ambígua.

Sim ela foi a fatal... A única fatal.
Tornou todos os grandes budas do mundo
Em meros seres mortais mais baixos que o mais baixo
De todos os demônios.

E sua boca foi uma lâmina que brilha ao Sol
Pronta para cortar a lingua de quem a contradizer
Pois todas suas palavras são suas verdades
O resto: Mentiras Mal Contadas.

Oh! O que aconteceu com essa alma? Desfaleceu-se?
Sim! Desfaleceu-se num buraco profundo
Vindo a acordar sobre pulmões que pouco respiravam.
O suor já secara.

O suor da pele negra já não existia mais
Perdeu-se no calor do dia e na estagnação
Perdeu-se na pausa do movimento.
Evaporou...

... deixando apenas sal.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Numa clara noite de verão
A Lua nos convida pra dançar
Por sobre um mar de nuvens
Ao som do vento a cantar

Com o mundo ao nossos pés
E o universo a nossa frente
De mãos dadas caminhamos
De encontro ao infinito

Sozinhos em nosso mundo
Por entre sonhos nos dançamos
Pedindo as estrelas
Que esse sonho nunca acabe



quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Poslúdio aos Poemas Urbanos (O Louco Deprimido)


Vou embora 
Deixo para traz 
o centro da cidade 
A vida começa a fluir 
correr sangue nas veias 
Pontos de ônibus lotados 


Vou embora 
O centro da cidade 
fica para traz 
Extravaso o contorno 
Uma vida elétrica me guia 
A cidade inteira se acorda 
enquanto eu vou dormir 


Engarrafamentos 
que não participo 
A cidade fuma 
na fina chuva 
Eu vou embora dormir 
Enquanto a cidade acorda 

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

   Ainda nem é tão tarde, mas o sol já não brilha mais, estará ele se escondendo por de trás das nuvens ou se terá retirado mais cedo. A rua, antes cheia, está agora vazia, todos correm para se proteger da chuva que começa a cair, menos ele que olha para o alto observando as nuvens negras donde nascem as lágrimas a lavar-lhe a alma. O mundo tem pressa, ninguém alem dele parece querer se molhar. Trovões ecoam no ar, seu corpo estremece, mas ele não sai do lugar, sentado em um banco de praça sob uma chuva de verão. Pessoas passam apressadas, espantadas com aquele jovem estranho, imaginando o que se passa em sua mente, se perguntando o porque daquele sorriso tão alegre, um sorriso que nos diz que vale a pena viver.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Minhas Testemunhas

As esquinas são testemunhas
De meus amores & amarguras
Sou cafajeste a moda antiga
Cheio de amores cheios de ternura

Amores de esquina & bebida
Passageiro como tudo na vida
Meu samba-canção enrolado
E meu coração amargurado

Oh boemia! Amores sem vida
Vida sem alegrias & bar de esquina
Oh boemia! Vida sem sentido
Perdida & sem destino

As esquinas são as testemunhas
De meus amores & amarguras
Pois os amores de um cafajeste
Não brotam se não nas ruas

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

   O sol aparece no céu anunciando o espetáculo que já vai começar, entram em cena as nuvens em festa, invadindo o céu como um vulcão em erupção, pintando de branco o que antes era azul. Minha mente voa por entre o mar de nuvens que mudam de forma, tentando me seduzir. Ao longe passa o vento, as nuvens correm, fugindo num céu azul, fugindo para lugar nenhum, fugindo para onde sua imaginação desejar.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Francesinha rubro-carmim


Uma francesinha de lábios carmins
Vasos sangüíneos à flor da pele
Pele rubra. pele

Cílios muito pretos. Olhos, duas luas
Bustos.... tamanho perfeito de minha mão
Oh! A alma divina me tira a vida

Que xangri-lá dure o que durar
O paraíso no corpo feminino
Quente, trêmulo, rubro

Os deuses regozijam no prazer
do mambo, da lambada, a dançando no gozo
Oh! E agora? O que fazer?

Na face lívida derrama o vinho
Deus Baco rogai por ela e eu
O calor do vinho fazendo o gozo interminável

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

       Ainda é madrugada, o mundo inteiro está a dormir, até mesmo a morte parece estar descansando. Lá no alto, por entre as nuvens, a lua aparece soberana no céu, iluminando os sonhos que vagueiam pela terra. Não há ninguém a contemplar tão bela paisagem, nem mesmo ele, ali parado olhando para o nada, vagando por terras desconhecidas, observando sonhos que não são seus, desejando encontrar o mais belo dos sonhos, o seu próprio sonho.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

3 Poemetos

A Mineirinha

A mineirinha vem andando
Suando puro tesão
Com a calça pregada no rego
Me deixa louco pra dar um fincão!

Conversa de Puta

Eu vi as mulheres
Lindas feito virgens
Beldades feito ninfas
Falavam feito prostitutas
Mas conversa de puta
Deus não escuta

Mulheres belo-horizontinas

Mulheres belo-horizontinas
Se produzem, maquiam e maquinam
Até para ir à padaria da esquina

Belo-horizontinas
Belas até na essência
Elas me causam
Uma tremenda paudurescência

quarta-feira, 19 de outubro de 2011


       Caminhando por vielas escuras eu sigo sem saber para onde. No céu as estrelas se divertem dançando por todo o universo, até começarem a cair. Os prédios vazios, que mais me lembram ruínas, começam a cair. O mundo, envolto em nada, começa a cair. Tudo está caindo, até mesmo eu estou quase caindo. Somente a vida segue seu rumo como se nada estivesse acontecendo.
       Meu corpo flutua no nada, pareço estar caindo, mas não há como saber, a escuridão é total. Caio em algo macio, abro os olhos e me vejo perante as portas do inferno. Faço mil peripécias para abri-lo e no fim não sei como entrei, tudo parece estranhamente familiar. Encontro amigos que há muito não via e amigos que eu nunca irei ver. Eles me ajudam a derrotar monstros os quais jamais derrotei.
       No fim de tudo há um túnel, mas não vejo luz alguma em seu fim, me pergunto se haverá realmente um fim...

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Invasão


Ela invade minha realidade
E eu, os seus sonhos
Abato loucamente
Minha sede sem tamanho


Ela invade meus sonhos
E eu, sua realidade
Sua mata virgem em minhas mãos
Jogo fora sua castidade


À noite ela queria
Só ficar sozinha
Mas eis-me aqui: a tentação
Minha mão sob sua calcinha


Como um vampiro
Mordo o seu pescoço
Ela é meu lanche
Meu jantar, meu almoço


Eu invado seus sonhos
E ela, minha realidade
Assim com todo carinho
Arranco fora sua castidade

quarta-feira, 5 de outubro de 2011


Durante o fim de tarde, enquanto todos se preparam pra dormir, ela chora, lamentando seu triste destino, abusada por aquele que a deveria proteger. Ela grita, mas ninguém a ouve, é o que ela pensa. De repente um acidente, um corpo cai, sujando de sangue o chão, ela não teve culpa, só que ninguém quer saber, quando um rico morre o pobre é o culpado.
            Durante a madrugada, enquanto todos vão dormir, ela corre, fugindo de seu triste passado, tentando escapar daqueles que a condenaram por crimes que não cometeu. Seu único crime foi ter nascido pobre. Seus pés mal a sustentam em pé. Uma porta é aberta, ela entra em um casarão há muito abandonado, desejando encontrar ali o refúgio que tanto necessitava. Seus pés a levam ao quarto, seu corpo queria descanso, sua mente, porém, sabe que não há tempo para isso. Seus olhos passeiam pelo cômodo e param ao ver o vestido mais belo que ela jamais havia visto. Ela sabe que não deveria vestí-lo, mas seu desejo é mais forte que sua razão.
            Durante a madrugada, enquanto todos dormem ela se assusta, temendo por seu triste futuro, observando as luzes que saem pela porta que se abre, ansiando que seu pesadelo tivesse fim. Seu desejo era sair correndo, mas algo a empurrava adiante, fazendo-a entrar na sala que brilha como se o sol ali estivesse. Tudo se aquieta enquanto todos voltam seu olhar para ela. Seu coração se acelera, ele lhe estende uma mão com um sorrisso no rosto. A música toca enquanto eles dançam e todos ao redor começam a desaparecer até não ter mais ninguém além do par a dançar.
            Durante o nascer do dia, enquanto todos acordam, ela morre, sorrindo...

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Inferno

Deusas belas femininas
Entorpecem-me. Aquecem-me
Na sonolenta transa noturna
Deusas belas nuas

Glúteos. Firmes. Glúteos.
Nuvens em formas indiscretas
Roupas intimas fazem intimamente
Do corpo uma volúpia

Volúpia. A voluptuosidade.
Sede por mulheres libertinas.
Morenas, louras, índias
Loucas, negras, ninfomaníacas

Uma escuridão noturna
Religião carnal
Religião do libido
Inferno paradisíaco

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Sussurros Numa Noite Qualquer

Quando não há fantasmas
O vento vai dormir
Mais cedo que um beija-flor.

Mas se os espíritos aparecem
O vento se apressa para anunciar
Que algo de estranho paira no ar.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Tigresa

Três gravações diferentes de uma mesma música. Três gravações diferentes, mas igualmente sensacionais. De Caetano Veloso para Sônia Braga, Tigresa.


por Caetano Veloso


por Caetano Veloso & Ney Matogrosso


por Ney Matogrosso


quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Beach House - 10 Mile Stereo

Por falta de organização e pura preguiça essa semana não postarei nenhum texto meu, ao invés disso resolvi apenas postar uma música que descobri faz não muito tempo mas tempo o suficiente para se tornar uma de minhas músicas favoritas.


quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Bar das Amarguras

Volto ao bar das minhas amarguras
Querendo viver mais alguma boemia
Deixando de demonstrar toda a bravura
Que eu costumava fingir que possuía

Canto mais uma canção amarga ao amor
Oh tão grande amor que não mais voltará
Deixando na apenas na lembrança uma dor
Maltrata um coração que não vai mais amar

Humildemente peço com o coração em pedaços:
Oh garçom, por favor, vê mais uma cachaça
Para esquecer o amor que foi destinado
A causar esta dor que meu ao peito desgraça

E percorrendo pelas ruas da suja cidade
Volto do bar de todas minhas amarguras
Cantando ao boêmio que em sua mocidade
Amou várias vezes por toda eternidade

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Diário de um Desconhecido XXIII

Sinto que alguém quer me ver. Abro os olhos e vejo o vento passar, levando consigo as nuvens para o horizonte. Queria poder continuar aqui deitado sonhando acordado, sentindo as caricias da imaginação, flutuando por entre ilusões, mas ouço o silêncio dizendo que o sono estava a me procurar. Procurando o sono, eu vou em direção ao nada, mas nada eu lá encontro. Vejo meu nome ecoando no ar, sussurros do passado lembrando-me de meu futuro. Pergunto a imaginação se era ela quem estava a me chamar, ela, porém, me responde dizendo ser isso fruto da minha imaginação. Sigo caminhando, perguntando quem estava me chamando, mas ninguém sabia. Estarei eu imaginando coisas, ou será que é a imaginação me pregando mais uma de suas peças? Encontro a lembrança que me recorda de algo que eu queria esquecer. Continuo andando para onde meus pés me levam até me encontrar com o amor, ela deve estar por perto. Vejo-a conversando com a noite que diz que o vento poderia saber quem me chamava. Atrás dele eu vou , só parando para perguntar a um sonho perdido se ele sabia onde se encontrava o vento, mas quem responde é uma de minhas ilusões me dizendo que o tempo não iria parar. Os sussurros se tornam gritos, alguém me chama, mas eu não vejo ninguém, é como se fosse o deserto a me chamar. Atravessando de novo o deserto eu encontro o sono que viera me buscar para o mundo dos sonhos voltarmos.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Mulheres belo-horizontinas


Mulheres belo-horizontinas
Se produzem, maquiam e maquinam
Até para ir à padaria da esquina

Belo-horizontinas
Belas até na essência
Elas me causam
Uma tremenda pauduressência

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Diário de um desconhecido XXII

Acordo com a sensação de ainda estar dormindo. O dia corre para não se atrasar, logo vem o sol. A noite se despede e vai embora com calma, a lua me chama. O tempo se distrai com o sonho a voar. As nuvens reclamam, eu podia estar lá. A morte e a vida, lado a lado ao meu lado. A loucura me faz companhia. A chuva vem visitar o deserto, o tempo reclama da mudança do tempo. A preguiça aparece e parece não querer conversar. Minha mente se apressa, preciso o sonho alcançar. Pergunto ao amor onde ela está, só o que ouço é que ela não está lá. O tédio vem para conversar, nem vejo o tempo passar. Assisto ao teatro no céu, as nuvens são belas atrizes. Ela chega junto da noite, que estava de volta. Divido a atenção com ela e a noite, como eu queria voar. Ela me beija, a noite me abraça, acho que o tempo parou. O sono, que a ela veio buscar, me diz que o sonho já foi. Sento-me no ar e procuro pelo crepúsculo, mas só a lua aparece. Meu coração parece sentir, prefiro esquecer o que acabei de esquecer. Fecho os olhos, não ouço nada. Sinto um gosto de saudade, percebo o mundo pelo cheiro. Queria ir até lá, mas lá não estarei. A lua se despede, o sono voltou. A noite se vai, o tédio se vai, o dia se foi. O vento já foi, a chuva já foi, o sol já se vai. O sono me chama, já é hora de eu ir. De volta ao mundo dos sonhos.

sábado, 6 de agosto de 2011

Pretensão (ou Pré-Intensões Carnais)

Minha cabeça quente
Lotada pretensões
Pré intenções carnais

A cama morna e o cetim
Largado no corpo nu da deusa

Minha cabeça quente
Fervilhando pensamentos
Que não deveriam ser pensados

A cama morna e o cetim
Largado no corpo nu da deusa

Meu olhar incandescente
Mirando suas ancas
brancas.

A deusa nua dorme e seus
sonhos tão impenetráveis

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Hoje eu Tive um Sonho (Final)

Hoje sonhei estar caindo no mais profundo abismo, rodeado pela escuridão de lembranças que eu pensava ter esquecido, lembranças de um passado que ainda nem aconteceu. Nada vejo além de imagens, fragmentos de uma vida que nem parece minha. O mundo começa a girar lentamente, sonhos passam por mim como nuvens numa ventania, pensamentos invadem minha mente e minhas memórias começam a mudar. Vejo lembranças do que ainda não aconteceu e visões do que jamais acontecerá, tenho lembraças de vidas que nem são minhas, vidas de diferentes pessoas, vidas que jamais existirão. O mundo gira, tudo gira. Estaria o mundo girando ao meu redor ou será que sou eu quem gira ao redor do mundo? Vejo pessoas andando por caminhos invisíveis, girando e dançando ao meu redor, girando como gira o mundo, girando como giram as cabras. O mundo gira cada vez mais rápido, ele continua a girar até não restar mais nada além dessa escuridão em meu coração.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

A Mineirinha

A mineirinha vem andando
Suando puro tesão
Com a calça vem pregada no rego
Me deixa louco pra dar logo um fincão!

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Hoje eu Tive um Sonho (Parte 2)

Hoje sonhei estar caindo no mais profundo abismo, rodeado pela escuridão de lembranças que eu pensava ter esquecido, lembranças de um passado que ainda nem aconteceu. Nada vejo além de imagens, fragmentos de uma vida que nem parece minha. O mundo começa a girar lentamente, sonhos passam por mim como nuvens numa ventania, pensamentos invadem minha mente e minhas memórias começam a mudar. Vejo lembranças do que ainda não aconteceu e visões do que jamais acontecerá, tenho lembraças de vidas que nem são minhas, vidas de diferentes pessoas, vidas que jamais existirão. O mundo gira, tudo gira. Estaria o mundo girando ao meu redor ou será que sou eu quem gira ao redor do mundo? Vejo pessoas andando por caminhos invisíveis, girando e dançando ao meu redor, girando como gira o mundo, girando como giram as cabras. O mundo gira cada vez mais rápido, ele continua a girar até não restar mais nada além dessa escuridão em meu coração.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Mari-Lou

Há bares roncando um samba numa rua dominical
E janelas vomitam luzes azuis ou amarelas
São televisores ligados numa novela sem sal
Há uma moça numa das casas dessas janelas

Com sua voz suave e risinho quase infantil
Fala ao telefone com seu namorado ausente
Sonhando, na verdade, com um cara mais viril
Vendo novela global só para ocupar a mente

Suas pernas estão desnudas para ninguém
Marca encontros que jamais se lembrará
Faz promessas de fazer algo a Deus sabe quem
Enquanto brinca com os cabelos pra lá & pra cá

Os dedos nos cabelos castanhos vão brincar noutro lugar
Pousam no umbigo e vão andando caminho acima
Está com metade do corpo pra fora do sofá
Somente seus dedos entendem su'alma feminina

Dos seios sua mão toma uma outra direção
Escorregando barriga abaixo até parar na calcinha
Diz a voz ao telefone: "Vamos assistir Rio, coração?"
"Que saco esse cara achando que ainda sou menininha"

"Ah depois a gente olha isso, 'tou com sono, vou desligar"
"Boa noite meu bem e sonhe com os anjos"
Sim, boa ideia! Com anjos fortes ela vai sonhar
Acariciando sua perseguida durante o banho

Durante o banho uma ova! Vai ser ali mesmo no sofá
Abaixa sua calcinha junto com o short de pijama
E ali passeando no seu bosque a brincar
Imaginando um anjo negro aplacando suas chamas

Fortalece seu desejo sonhando com um outro homem
Talvez um vizinho, quem sabe um alguém fardado?
Toda e qualquer pessoa que nos sonhos a ame
Seja o cabeleireiro, a manicure ou mesmo aquele viado.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Triste Noite

Numa noite escura
Um sorriso sinistro
Mancha de vermelho
O céu sem estrelas.

Numa noite sinistra
O vento me faz lembrar
De certos temores
Que eu queria esquecer.

Numa noite sombria
A lua assiste,
Solitária no céu,
A uma obra macabra.

Numa noite macabra
Se ouve um grito,
Um corpo caindo
E outro fugindo.

Numa triste noite
O céu se entristece...

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Putas na Sala de Estar

O vento murmurante veio me falar
Das belas moças que estão a me esperar
Amantes meigas, amores cegos
Tudo de bom para encher meu ego.

Vou lá ver as minhas amantes nuas
Meu Deus ond'estão aquelas putas?
Me chamem de pervertido. Não sou ninguém
E quem nunca sonhou em ter um harém?

E alí estão minhas putas gostosas
Tomando o chá das cinco horas
Vejo lá minhas lindas nuas
Contando umas as outras as peripécias suas

Oh! Minas putas!

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Influências - Daft Punk

Várias são as minhas influências, algumas mais perceptíveis que outras, mas todas importantes para moldar essa personalidade meio perturbada que eu possuo hoje. Poderia citar várias dessas influências, mas vou me ater apenas algumas poucas delas, começando com algumas de minhas influências musicais.
Poderia começar falando dos Beatles, mas sejamos sinceros, o que mais há pra se falar dos Beatles? Que eles fizeram parte de toda a minha vida e provavelmente continuarão por muito mais tempo?
Poderia falar de bandas ou artistas como Queen, Led Zeppelin, Legião Urbana, Creedence, Michael Jackson... Porém elas não possuem um significado tão grande na minha vida quanto o Daft Punk. Não que eu os ache melhor que as outras bandas, longe disso. A verdade é que eu vim a conhecer esse duo francês numa época em que ainda sofria muita influência dos meus pais e irmãos, tudo o que eu gostava era o que o restante da minha família gostava e ainda gostam, assim como eu.
Meu primeiro contato com o Daft Punk não teve nada de anormal, não curti tanto de início, porém após assistir ao clipe de Around the World as coisas se modificaram. Eu comecei a me interessar pela banda e seu trabalho. Foi a primeira vez que eu me interessei por algo realmente, não apenas por que os outros gostavam. Foi, creio eu, o primeiro passo pra desvencilhar um pouco meu gosto do da minha família. Ainda tenho muito da influência de minha família, mas graças a esse clipe eu passei a ter minhas próprias influências.
Muitos não gostam da música, acham-na repetitiva demais, ainda mais se escutam a versão completa. Até mesmo eu acho-a repetitiva às vezes, ainda assim acho difícil não curtir esse clipe simples, porém genial.
Para aqueles que, assim como eu, gostaram do vídeo, recomendo muito o trabalho dessa dupla. Além das ótimas músicas, eles também têm ótimos clipes. Se puderem, não deixem de assistir à Interstella 5555: The 5tory of the 5ecret 5tar 5ystem, um longa metragem, em animação japonesa, que é a realização visual do álbum “Discovery”. O filme não possui falas e mínimos efeitos sonoros, porém possui as músicas do álbum.

sexta-feira, 10 de junho de 2011


Foi-se embora com o vento
Dum caminhão com todo o seu poder
Seu motor tremendo e pungindo ferozmente
Quem ouve os seus lamentos

Rodando avenidas
Rodando o quanto precisar
Feroz como o estouro dum trovão
Dum raio atacando torres de energia
Um monstro vigoroso
Rodando rodovias
Rodovias de entregas urgentes
Rodovias de entregas perecíveis

Sinta o tremor do terror
E o grito motorizado retumbante

Sinta a energia que se desprende
A energia que já se foi
Foi-se embora com o vento
Dum caminhão com todo o seu poder.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

O dia estava claro, ensolarado, o céu estava de um azul incrível. Aves voavam pelo céu, crianças corriam pelo gramado, do jeito que ele gostava. A vida pulsava naquele dia, só que ninguém percebia, estávamos tristes demais para isso. Era como se um pedaço de nós estivesse morrendo com ele.

Ele costumava dizer que nada é tão ruim que não possa ser bom, creio que ele tinha razão. Apesar de toda alegria lá fora, por dentro só a tristeza tinha espaço. Foi quando a vi, não sabia quem era, nunca a havia visto, mas era como se eu conhecesse-a desde que nasci.

Era estranho, parecia que somente eu a via, uma mulher como ela costuma chamar a atenção tanto que após colocar meus olhos nela eu não consegui desviá-los. Ela me viu e sorriu, até hoje não sei como consegui continuar olhando para ela. Assim que ele morreu ela se foi, nem vi quando isso aconteceu.

Pode até parecer frieza, mas enquanto ele era enterrado tudo o que eu pensava era em revê-la. Porém esperei em vão, pois ela não apareceu.

Após algum tempo procurei saber quem era ela, só que ninguém se lembrava de ter visto alguém como ela, somente eu. Comecei a pensar que tivesse apenas sonhado.

O tempo passou, dela eu só tinha lembranças, até que um dia alguém me disse oi. Era ela. Tentei balbuciar algo, mas o resultado não foi dos melhores, ela sorriu. Pensei em lhe dizer tanta coisa, mas nada saiu. Ela me disse algo, o nervosismo era tanto que nem lembro mais o que foi. No fim a conversa não foi muito longe, ela se foi, disse que o trabalho a esperava e que nos veríamos depois. Quis lhe perguntar algo, mas não consegui.

Duvidando que fosse revê-la eu sai do trabalho no dia seguinte e antes que eu virasse a esquina ela disse oi. Não me lembro o que conversamos, só lembro dela dizendo que precisava ir trabalhar e, como naquele dia, ela iria para o lado de minha casa ela me ofereceu companhia.

Os dias seguiram-se, passamos a nos encontrar diariamente e quando dei por mim estava dormindo com ela a meu lado, mas ainda acordando sozinho. Dizia ela que seu trabalho lhe tomava muito tempo e que por isso não podia passar mais tempo comigo, mas que, ainda assim, não o trocaria por nada. Meus amigos, que nunca a viram, achavam que ela fosse casada e, para ser sincero, eu também sempre acreditei nisso. Mas para quê tentar mudar algo que estava indo tão bem?

Com o tempo passamos a ter um único ponto de encontro: minha casa. Ela aparecia quando queria, aproveitava-se de toda minha energia e ia embora enquanto eu dormia. Falávamos pouco, nos comunicávamos através de ações, nossos corpos suados, ofegantes de prazer, se expressavam melhor que mil palavras.

O tempo continuou a passar, minha memória já não é tão boa e meus cabelos começaram a cair, os que não caíram ficaram branco. Minhas forças se foram, já não consigo fazer coisas que antes eram tão simples. Mas o tempo não teve efeito sobre ela, ela ainda me parece igual ao dia em que a vi pela primeira vez. Sua eterna juventude é tal que a seu lado eu sinto-me de novo com apenas vinte anos. Ela me dá energia, ela me faz jovem de novo.

Por que resolvi escrever isso hoje? Eu não sei, talvez porque eu sinto que minha hora está chegando, enfim irei morrer e não tinha nada melhor para deixar para você. Arrependo-me um pouco de não ter filhos, mas, ainda assim, se me fosse dado a oportunidade de mudar meu passado eu escolheria deixá-lo exatamente como está.

Bem, creio que é isso, não tenho mais nada a escrever. Ela chegou para nosso último momento juntos:

_ Veio se despedir de mim?
_ Não, vim te buscar.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Poema Urbano nº 6

Meu pé marca o compasso no chão
A cabeça ocupada por idéias diversas
Esperando eternamente por um trem
Um trem infinito de pessoas dispersas

Vento frio ventando na cara
Dum cara emburrado de cara amarrada
Vou andando na estação doentia
Sem pensar em pensar em mais nada

Mochila nas costas e um café na mente
Pra deixar a mente desperta
É o tempo em que o tempo deixou
A meia noite eterna

Hoje é o dia em que o roquenrôl
O roquenrôl parou

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Diário de um desconhecido XXI

É uma bela manhã de luar, nunca havia visto o céu tão azul quanto hoje. O tempo parece compartilhar a calma do mundo. A vida se aquece debaixo do sol e a morte se finge de morta. Vejo um trovão, onde haverá uma sombra? O vento me cumprimenta enquanto a frustração clama por atenção. Ouço um relâmpago, o mundo começa a girar. Gostaria de ir até ela, mas creio que ela não está lá. A irá conversa com a calma, acho que a noite não tarda a chegar. A vida se cansa e a morte, inquieta, observa o tempo. A noite me abraça enquanto percebo a insanidade passar apressada. A fome reclama enquanto o vazio aparece. Sinto algo no ar, onde será que isso vai dar? O mundo parece mais rápido, que cheiro de nostalgia. Meu corpo pede por descanso, o céu parece estar molhado. Sento-me de costas para o horizonte para observar melhor o céu e a terra no infinito. A lua aparece dizendo que ela queria me ver, mas a solidão me diz que o sono já estava com ela. A tristeza se despede enquanto a alegria vai embora. O céu escurece, algo se aproxima, eu sei. O dia começa a suar e as estrelas passam a sumir, algo irá acontecer, mas o sono chega antes que algo mais aconteça e me leva de novo ao mundo dos sonhos.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Diário de um desconhecido XX

O tempo passa apressado como sempre, correndo, dizendo já estar muito adiantado. A vida ri e a morte diz que o tempo não tem jeito. Ela diz que ele é muito afobado, está sempre correndo, nunca para, seja para descansar ou apenas admirar o mundo a sua volta. Para mim o tempo, as vezes anda mais devagar, o problema é que ele só faz isso quando se quer que ele passe logo. Ele passa de novo correndo, reclamando de nosso atraso, mas como eu posso estar atrasado se eu não fiz nada, o dia todo eu fiquei aqui parado, sentado, olhando o mundo. Creio que o tempo está meio estressado e sem muita razão para tal. Se continuar desse jeito um dia o tempo fica doido. Para agradá-lo um pouco, eu levanto e começo a andar, só para ver se o tempo para de reclamar. Só que ele vem me dizer que eu estou lento demais, estava atrasando tudo. Eu acelero um pouco, porém ele vem e diz que eu estou rápido demais, que não era para eu adiantar tudo. Por um bom tempo, o tempo fica assim, dizendo que eu estou lento quando eu passo a andar um pouco mais devagar ou que eu estou rápido demais se eu acelero um pouco mais o meu passo. Já não sei mais o que fazer para ele parar de reclamar. E é só quando eu me canso disso tudo e me sento novamente que o sono chega para me levar de novo ao mundo dos sonhos.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Mais Algumas Palavras Sóbrias.


Além do álcool, minha inspiração para esses poemas e para o momento poético o qual eu estava passando foi principalmente o livro Noite na Taverna, de Álvares de Azevedo. Um livro mágico para mim. Duas ou três vezes eu o li. Nessas duas ou três vezes eu passei por momentos poéticos semelhantes. Além disso, eu andava lendo alguns poemas de Anacreonte de Teos e de Safo de Lesbos.

O maior dos poemas, Louvor a Baco, foi escrito numa página inteira, enquanto os outros dois foram escritos numa única página. Como eu queria escrever mais de um poema, e não apenas um poema longo, eu resolvi dobrar a folha para delimitar o meu espaço.

Quando olho a letra do último poema parece que o efeito da bebida já havia passado, pois o garrancho nela é menor do que nos outros dois. No entanto quando reviro o baú de minhas lembranças e me lembro de como eu via as coisas – se minha mente não alterou nada por si mesma – lembro que ainda estava embriagado até conseguir pegar no sono. Isso só depois de mudar para a sala, pois o rato ainda fazia alvoroço no guarda-roupa não me deixando dormir – é… no dia seguinte vim saber que o rato era real.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Diário de um desconhecido XIX

Acho que vou visitar o oceano, ver o sol surgir por entre as águas. A morte e a vida gostam da ideia, o tempo reclama que isso vai nos atrasar. Começamos logo a viagem, pois o caminho é longo. No caminho encontro a fome, a sede e o cansaço e escuto a dor. Andamos mais um pouco e eu vejo ela, acompanhada do amor. Ela vem em nossa direção, a convidamos para irmos ver o oceano, ela aceita o convite. Nós paramos poucas vezes, apenas para admirarmos a paisagem. Sai a noite, chega o dia. Ainda temos muito para andar, mesmo já tendo andado muito. É estranho, após ela se juntar a nós nessa viagem eu não vi mais o cansaço, a fome ou a sede. A morte pergunta se ainda falta muito para chegarmos e a vida diz que não. Eu pergunto ao tempo a quanto tempo estamos caminhando, mas ele só resmunga da demora e responde que já andamos por tempo demais. Ela apenas ri disso tudo. O sol se vai e dá lugar a lua, finalmente chegamos. Como o oceano só aparece com o sol, decidimos esperar o sol voltar. O tempo diz que aquilo só não era maior perda de tempo do que voltar agora sem ver o oceano. Ficamos conversando até que chega o sol e com ele o sono que me leva de volta ao mundo dos sonhos.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

O Grande Milagre


Permaneço deitado
que pecado
Ora pois, me deixas
Não há nunca tão vão momento
que se compare a tal vã felicidade
Talvez sim
um sonho realizado
Queria pois então
ouvir a flauta
o alaúde, a lira
Nada existe
Hora então
Nem mesmo eu
Pensamentos jamais
Não existem
Eu! Cerva!
Nem isto existe
Somente poucas coisas são reais
Digo-vos então
O único milagre
existente
são três apenas
Mas todos formam um
Eis os três:
Flauta
Alaúde
E lira
E um apenas o que toca!
Louvado seja
Oh tu Trovador! Louvada seja, oh música!

23:54 Domingo

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Passeio pela cidade (Bem vindo ao inferno)

Andando pela cidade a noite eu vejo o céu pintado com luzes de neon e as ruas sujas de gente. Eu vejo lobos em pele de cordeiro vendendo a Deus enquanto homens e mulheres se regozijam sob as asas de Lúcifer. A meu lado um homem anuncia o fim do mundo, só pode estar louco, pois, senão, saberia que o mundo já acabou. No horizonte vermelho eu vejo um sorriso sinistro e dois olhos amarelos a observar a deusas oferecendo prazer. Eis que então aparece ela em todo o seu esplendor, desfilando sua beleza para que todos possam ver que não há nada mais no mundo além dela... Mas quem é ela? E quem se importa. Tudo o que ela quer é nossa adoração. Mas como adorar alguém quando tudo o que o que nos resta é indiferença? Afinal não passamos de marionetes presos nesse inferno o qual chamamos de vida.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Diário de um Desconhecido XVIII

Hoje o dia está negro, o céu está escuro, parece até que se aproxima um terremoto. O vento corre violentamente uivando seus delírios para que todos possam ouvir, só que ninguém compreende. Uma luz passa com pressa rasgando o céu, que grita de dor. As nuvens voam sem nexo, dançando em seu baile no céu. Tudo indica que nevará bastante no ano que vem. A noite chega enquanto a lua desaparece, sinto um cheiro de furacão no ar. A vida se assusta e a morte fica confusa enquanto o tempo insiste em parar. O medo se cansa e a calma vai embora, cedo ou tarde esse céu acaba caindo em meu pé. Estrelas nascem distantes, explodindo planetas ou não. Meus ossos começam a doer, o dia veio buscar o sol, a quem havia esquecido. Meus pensamentos se eriçam, aumenta o calor. Os meus ouvidos não vêem, mas minha boca sente a forte neblina cegando meu coração, onde estão todos? Não consigo dormir, o mundo acabou? Hoje o céu derramará suas lágrimas, será que terá maremoto? O sono, que dúvida que algo aconteça, vem para me buscar. E eu volto para o mundo dos sonhos.

sábado, 19 de março de 2011

Sonho de Amor a Três

Oh que estou aqui!
O poeta
Peço! Clamo! Grito!
Anacreonte dei-me inspiração!

Pois sei onde estou
em casa de santo amigo
E chamo por ti, Deusa
Átis!
Safo!
Vênus
Afrodite
onde vós estais
Pois clamo a vós
um segundo de vossa atenção
Oh tríplice
Já me encheste e embriagaste
O que mais quereis me dizer
Safo! Venha! Como necessito de tua presença...
Qual é? Diga-me logo
Qual o teu segredo

Ontem minha lira não soou
Meu alaúde não tocava
Momento mil! Oh Safo...
Não conheceste será
os tristes prantos de uma alma sonhadora?

Álvares! Drummond! Eu sei, mas vós não...
Não sabeis o quanto choro
Onde está Átis?
Oh Átis porque voaste para Andrômeda?
Safo! Junto a ti choro
oh Deusa
querendo teu amor. Mas me ignoras

Volta Átis!
Quem sabe assim
Não sejamos nós felizes?

23:40 Domingo

quarta-feira, 9 de março de 2011

Diário de um desconhecido XVII

Meu coração bate mais rápido e eu sinto um frio no estômago, mal abro os olhos e já estou com saudades dela. Estou ansioso demais, não vejo a hora de vê-la de novo. A paixão me diz para ficar calmo, mas como, se só nela eu consigo pensar? Eu fecho os olhos e respiro fundo, com isso eu começo a sentir-me mais calmo. Eu me deito e sinto uma brisa suave correndo a meu lado. Já mais calmo, e passo a observar as nuvens, que vão acompanhando o vento. Eu reparo nas mais diferentes formas das nuvens, mas tudo o que eu vejo é ela. Eu vou até o lago para observar os peixes, tudo me lembra ela. Eu vou até o jardim para admirar as flores, o único cheiro que eu sinto é o dela. Se eu continuar desse jeito vou acabar enlouquecendo, eu preciso dela. Acho que se eu não a ver logo eu acabarei morrendo, ela é minha vida. Ela, então, me pergunta se não estou exagerando demais com essa história de não viver sem ela. Eu digo que sim, pois a vida fica mais interessante com um pouco de drama. Ela acha graça e ficamos assim, fingindo estar atuando, brincando de sermos crianças. Ficamos nessa brincadeira, até que eu abro os olhos e me vejo de novo nesse mundo, sendo arrastado, contra minha vontade, pelo sonho de volta para o mundo dos sonhos.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Louvor a Baco


Estou aqui, aproveitando doce momento
oh Baco, o que vieste fazer aqui?
Resolveste me entorpecer
E sobre doces experiências falar
tais experiências quais nunca experimentei
Tais doces bacanais e orgias
tais quais nunca fiz.
Mais sim
Diga-me oh Baco
Qual seria a maior blasfêmia?
Esta qual seria?
Maldição!
Haverá blasfêmia maior
do que a Embriaguez da cerva e da água?
E onde está o vinho oh Baco?
E as orgias oh Dionísio?
Eis que chego em tal sonho!
Eis que chego em tal momento
em que peço a ti! oh Baco
Envia-me às ninfas do bosque
ou às dríades das árvores
Envia-me por favor
Oh Baco às deusas do Olimpo
Envia-me à tão bela Afrodite
E deixa-me quanto for
Curtir a Embriaguez
Eis a vida
O orgulho
Eis o Sonho
Falta apenas uma, oh Baco
Manda-me Afrodite
Até mesmo Diana
Pois com todo fervor as anseio
Tal momento não existe
Quem sabe estou errado?
Talvez não tenha existido antes maior momento
Talvez não houvera existido antes mais divertida e viajante conversa
qual essa
Pois sabes bem oh Baco
Estou embriagado

Não digo verdades nem mentiras
Sou apenas poeta
Em seu louvor sou poeta
sou escritor
sou Eu!

Que sabes estou mentindo
Mas uma página é escrita em minha melhor viajem

Em tal louca conversa
não importa oh Baco
Pois esta taverna não existe
E tal vida não existe
Só existe o momento
Eu e o papel
o papel e a caneta
A caneta e a garrafa
Só isso

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Diário de um Desconhecido XVI

Abro os olhos e vejo a noite conversando com o sol. Ouço o tempo reclamando com o estresse que eu nunca o respeito, que nunca sou pontual. Ou eu atraso tudo, ou eu me adianto demais. É incrível como o tempo está sempre preocupado com o tempo. Não muito longe dali esta a morte, calma e decidida como sempre, também observa o desabafo do tempo. Ela vê que eu a estou olhando e apenas sorri para mim e eu vejo como a morte pode ser bela. Nisso a vida aparece não sei de onde, me assustando. A vida quando quer consegue me pregar boas peças. Ela ri do susto que eu levei e me diz que eu sou super fofo, a vida, as vezes, pode parecer bem estranha. Ela, então, radiante, se afasta de mim com um sorriso misterioso no rosto. Vendo isso o tempo me diz que a vida é bonita mas que é impossível entendê-la. Eu concordo com ele e pergunto-lhe se estou fora do meu horário de novo e o tempo responde que eu não devo me preocupar com o tempo, pois todos os horários estão em seus devidos lugares. O tempo deve ser desses que sentem prazer em reclamar com os outros, mesmo quando não há nada do que reclamar. Ele também se afasta e vai conversar com a morte e a vida enquanto a noite se despede do dia e o sono chega para que possamos ir, de novo, para a terra dos sonhos.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Algumas palavras sóbrias

Pode parecer estranho, mas vai ser assim: Um sóbrio introduzindo um ébrio. Nas próximas "páginas" irei postar os três poemas mais loucos que já escrevi em minha vida, os três poemas que mais coloquei de todo meu êxtase neles. Para mim eles são sempre juntos e um não vale nada sem o outro. Cada um com um título distinto em sobriedade, mas os três foram escritos num momento em que eu estava embriagado - e posso dizer que foi minha melhor bebedeira - e portanto juntos os três tem um nome apenas: Momento de Embriaguez.

As transcrições que serão postas aqui contem algumas pequenas diferenças do original que foi escrito com uma letra "engarranchada" a caneta. Essas diferenças não tiram a essência dos poemas (eu acho) pois basicamente erros de português que foram corrigidos (fora o garrancho que eu não posso imitar nessa letra Arial). Coisas como "embreaguês" ou "resolvesteste" se tornaram "embriaguez" e resolveste, sendo assim acho que estou sendo até bem fiel ao meu próprio texto (ou aos meus próprios textos).

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Diário de um Desconhecido XV

Olho para o infinito me perdendo em pensamentos, divagando sobre a vida, indagando sobre qual seria o seu sentido. Penso tanto que penso em voz alta e a morte acaba escutando. A morte senta ao meu lado e eu lhe pergunto se ela, que tão próxima da vida é, sabe o sentido da vida. Ela responde dizendo que a vida não tem sentido, eu não entendo e lhe peço para explicar. Ela, então, começa dizendo que a vida nem sempre segue uma lógica, que muitas vezes ela faz o mais improvável. A morte diz que, para ela, assim é melhor, pois que graça teria a vida se já soubéssemos tudo o que ela irá fazer antes mesmo de ela o fazer. A morte explica que para a vida fazer sentido tudo teria que ser como deveria ser, mas que isso só seria possível se tudo o que fizéssemos fosse determinado pela vida, que fizéssemos apenas o que a vida quisesse. A morte me pergunta se seria legal ser controlado pela vida, ter um destino traçado e que não pode ser mudado, não ter livre-arbítrio. Eu creio que isso não seria legal, mas alguém poderia considerar isso interessante. A morte me diz que o mais divertido na vida são as surpresas que a vida nos prepara e pergunta se há alguém que não goste de surpresas. Eu lhe digo que sempre tem aqueles que preferem uma vida sem surpresas, ao que ela diz que nós humanos não sabemos o que queremos. A morte sai me deixando a pensar sobre a vida, até que o sono me leva de volta ao mundo dos sonhos.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Poema Urbano nº 5

Viver é fazer o que não se deve fazer

Vejo as belas curvas numa cidade fantasma
De carros calados, ônibus de luz interna apagada
É noite e vejo coloridas estrelas sob a linha do horizonte
Suor etílico nas portas dos cabarés
Abraço um novo amor como amizade feita em boteco (Como um novo amor de bordel)
É noite na luz do amor do meu cigarro
Luz em beco sem saída
É ponta de cigarro, é letreiro de motel

Sou o Ribeirão Arrudas
Enchente podre da Tereza Cristina no verão
Sou boêmio pobre vagando nas ruas da Savassi
Sou romântico a moda antiga esgueirando na Guaicurus
Sou a luz vermelha no semáforo
A Rua dos Desenganos na música do Metralha
Sou o "eterno seu", o café forte aquecendo seu fruto proibido
O beijo francês, o gosto do cigarro, o seu melhor romance

Vejo as belas curvas num beco sem saída
Abraçando um novo romance de café quente matinal
Vejo as belas curvas numa porta de motel
Abraçando o dia cinza no quintal
Acariciando o fruto proibido na vazia praça central
Sou o "eterno seu", o café forte aquecendo seu fruto proibido
O beijo francês, o gosto do cigarro, o seu melhor romance

Viver é fazer o que não se deve fazer

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Diário de um Desconhecido XIV

Sopra uma frisa bina, digo uma brisa fina. Cai uma chuva morna que abaixa a poeira e levanta esse cheiro de terra molhada. Enquanto isso eu fico aqui, só olhando, observando enquanto a paisagem toma banho. E ela lá dançando na chuva, parece até que nunca havia visto a chuva. Ela me chama para dançarmos juntos, devido a minha recusa ela me puxa para junto dela. A água me molha aos poucos enquanto ela insiste em que eu participe da dança. Já completamente molhado, eu me junto à ela em sua dança estranha e me esqueço de tudo. Dançamos, corremos, pulamos. Parecemos até crianças brincando na chuva. Nós nos divertimos e esquecemos do mundo, naquele instante só existia eu, ela e a chuva, nada mais importava. Ficamos assim até que, finalmente , ficamos cansados. Paramos e nos sentamos sob a varanda apenas observando a chuva banhando a relva e sentindo o suave perfume de terra molhada. Acabamos dormindo com o leve barulho da chuva e eu acordo de novo no deserto negro em companhia do tempo, me dizendo que não era para eu ter voltado ainda, e do sono, que me ajuda a voltar para o mundo dos sonhos.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Trincheira

Não sei se alguém se lembra, mas há algum tempo eu postei aqui no blog um vídeo da carioca Agatha Sampaio (OWL - One Way Love). Hoje faço o mesmo. Deixo aqui para o deleite de todos outro vídeo da Agatha.



Passa das vinte e três horas.
Hoje eu varo a madrugada mendigando
na memória momentos de você.

YouTube Channel da Agatha Sampaio: http://www.youtube.com/user/xperiencebr


quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Diário de um Desconhecido XIII

O mundo está girando e tudo gira com ele, dó eu faço o contrário e fico parado. Tudo começa a girar vagarosamente, mas, quanto mais o tempo passa, mais rápido o mundo gira. Isso não me faz tão bem, pois hoje minha cabeça não consegue acompanhar direito o mundo a girar, e isso começa a me deixar zonzo. Para ajudar minha mente, eu tento acompanhar a todos e girar com o mundo, mas o meu corpo não ajuda. Tento, em vão, fazer o mundo parar de girar ou, pelo menos, fazê-lo girar mais lentamente. A dor vem para me avisar dizendo que havia algo de errado e, só então, eu percebo que o mundo não está girando tão rápido quanto eu pensei, a minha mente é que está girando na direção contrária. Eu tento fazer minha mente seguir o mundo e correr no sentido certo . Eu tento fazer minha mente seguir o mundo correndo no sentido correto, mas eu estou zonzo demais para tal. A calma tenta me ajudar, mas não obtém muito sucesso. Eu procuro pelo socorro, mas só encontro o desespero, que me diz algo, mas eu não consigo entender direito o que eu tento escutar. Sai o dia, vem a noite e o mundo a girar. Fecho os olhos e tento ir para lá, mas a dor atrapalha minha concentração dizendo-me sempre que algo estava errado. E continua tudo assim até que o sono consegue acalmar minha mente e nos leva de volta para o mundo dos sonhos.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Eu acho que moro numa casa assombrada. Seu estilo colonial me assusta. Entristece. Me deixa sentado em minha poltrona rasgada de espuma e esqueleto para fora - fraturas expostas numa velha poltrona. Ontem enquanto eu ia pegar algo para comer na dispensa algo me assombrou. Um movimento suspeito numa sacola a menos de 10 centímetros, um espeto de churrasco caindo em cima das latas de Coca-Cola que sobraram do Natal que eu me esqueci que existiam. Pensei que era um rato. O movimento suspeito parecia um rato. Ou um lagarto. Outro dia entrou um lagarto aqui em casa e se aconchegou de baixo do sofá da copa. Fiquei ali parado olhando para o lagarto durante meia hora e durante meia hora o lagarto permaneceu ali parado sem um movimento sequer além de piscar os olhos, então eu me levantei e fui tomar um banho. Não havia rato, no fim das contas só havia eu com um prato na mão. Prato o qual trazia uma vela acesa, sua luz mal iluminava meu caminho. É... eu me acostumei de mais com a modernidade da luz elétrica. O transformador da minha rua havia dado um estouro por causa da intensa chuva. Chuva com raios. O termo "chuva elétrica" me vem à mente, mas não sei o que isso significa. O rato? Apenas fruto da minha imaginação, provavelmente. Essa casa me assusta.

Entro na lavanderia num dia desses. Tudo limpo. Eu havia dado uma limpeza naquela manhã. Um cheiro de esgoto subia e impregnava minhas narinas. Eu quis vomitar. Eu vomitei. Corri até o tanque de lavar roupa. Aquele gosto ácido insuportável invade minha língua e deixa uma sensação horrível na minha garganta. Vejo algumas sementes de gergelim do hambúrguer que comi junto a um líquido nojento que suja minhas roupas que estão de molho. Eu lavando as roupas no dia seguinte. Lavar roupas. Levar vasilhas. Odeio tudo quanto é trabalho caseiro. Odeio essa casa. Odeio suas madeiras que seguram o telhado. Por causa delas eu mandei por um forro. Besteira minha. A intenção era forrar toda a casa. Cozinha, copa e sala foram forradas, então o dinheiro acabou. Os quartos ficaram sem forro e toda manhã de verão eu acordo sentindo falta de ar por conta do estremo calor. O cheiro de esgoto havia passado logo após eu lavar minha boca.

Ratos invisíveis, baratas que aparecem no canto do meu olho e desaparecem quando olho diretamente assim como as mariposas. Toda sorte de animais inexistentes. Eu sei que não existem. São frutos de minha mente. Imaginação. Ontem veio um dedetizador algumas horas antes do toró começar. Não encontrou nada. Pensando bem, são frutos dessa casa. Essa casa me faz ver e ouvir coisas inexistentes. Acho que a casa não gostou do forro que eu mandei colocar. Um forro branco contradizendo toda a escuridão da casa, tampando suas madeiras de sustentação escuras, tampando suas telhas escuras. Desde que o forro foi colocado os barulhos se intensificaram. A alvorada e o crepúsculo se tornaram momentos barulhentos, cheios de estalos. Todos que vem me visitar adoram a casa. Dizem que é confortável. Exceto pela machucada poltrona. Naquela noite, pouco depois de me assustar com o rato invisível eu me sentei arrastei a poltrona para a sacada para assistir às únicas luzes que me eram possíveis enxergar. Não eram estrelas. Muito embora a chuva tivesse acabado, havia muitas núvens no céu. Núvens. É estranho, mas sempre escrevi essa palavra com acento. Eu sei que não tem acento em núvem, muito menos em núvens, mas sempre que alguém corrige o que escrevo. Seja uma carta para um amigo, para a prefeitura, seja para onde for ou a merda que for, as pessoas me dizem: Núvem não tem acento.

Não havia estrela, luar e nem raios. Não havia TVs vizinhas ligadas, nem lâmpadas, só velas. Luzes de postes a nada iluminavam (inútil poste que não faz o que lhe é mandado). Somente motos e carros iluminavam a tal noite. Peguei minha viola caipira para tentar iluminar algo na minha alma, mas essa casa com seu tom coloquial lúgubre não permite que nenhum tom bucólico anime minha alma. Tudo que há são tons em preto e branco. Assombros e tristezas.

Leitores dos Boêmios