sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Poema Urbano nº 4

As prostitutas vestidas de preto
Andam maquiadas sobre ruas molhadas
Molhadas e brilhantes
Brilham postes, brilham faróis
Brilham revoltadas as putas vestidas de preto
Naquela rua póschuva
Ruazinha vazia
Ruazinha de feriado
Carros metidos passam
Com seus neons ligados
Hora de faturar uns trocados
Descascar a banana
Regaçar a Xexênia

 
Andam feito rainhas aquelas putas
Prostitutas vestidas de preto
Mulheres que brilham
Brilho gloss.
Numa sede insaciável
Sede de sono, sede de dinheiro, sede
Vão matar a sede e a fome
De homens de dinheiro
Sob a lua enluarada
Voltar com grana na mão
Retocam a maquiagem, essas putas
Sob silhuetas prediais negras
Esperando numa noite
Ou talvez até mesmo num dia
Ter a chance de ser rainha
Esperam e sonham
Essas prostitutas vestidas de preto.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Diário de um desconhecido VIII

O sol brilha em una bela noite de luar. Eu cumprimento o dia e dou bom-dia a lua; eu abraço a noite e digo boa-noite ao sol. Beijo a vida, a morte , o tempo e danço com a alegria. A felicidade me pergunta por que estou tão contente eu respondo apenas que não sei porque estou assim, só sei que é assim que estou. É confuso mas eu me sinto bem. Estou disposto a gritar ao mundo para que todos possam saber o que se passa em meu ser. Até o sono é contagiado por minha euforia e acordando para o mundo em sua volta propõem que comemoremos. O tempo pergunta o que seria comemorado e só o que digo é que não importa o que se comemora o importante é comemorar. O tempo acha uma perda de tempo comemorar nada. Ninguém liga para o tempo pois já estamos todos comemorando algo que nem sabíamos exatamente o que era. Dançamos, cantamos, gritamos, pulamos, nos divertimos. A felicidade e a alegria são as que mais chamam a atenção. Celebra o dia, a noite; a vida, a morte; a tristeza, a esperança; a solidão e a escuridão; celebra o nada, celebra o tudo. Todos comemoram não se sabe o que. Nós nem percebemos o tempo, mas o tempo percebe que já é tempo de a festa acabar e é com a tristeza que o sono vem para levar-me de volta ao mundo dos sonhos.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Eu andava pela rua. Noite. Carros. Luzes. Pessoas. Praças. Praças. Todo o tipo de clichê de um frustrado filme de romance. Todo o tipo de clichê de um blues qualquer tocado magicamente num saxofone ou num trompete mágico. Um mago do trompete nos dias de hoje é isso que eu preciso ouvir. Pessoas estão morrendo por aí. Pessoas estão nascendo. Pessoas estão trepando. Eu estou caminhando. Olhares mágicos do outro canto da rua me atraem, não são olhares de gentes, nem de felinos ou outros tipos quaisquer de animais. É um olhar torto e estranho e mítico, talvez seja algum tipo de deusa divina vinda dos universos paralelos só para me dizer alguma coisa. Alguma Marylin Monroe vinda do mundo dos mortos para me falar como é lá e me contar todo o seu poder orgásmico que esconde em seu monte de Vênus.

Mas não. Não são olhos orgásmicos. Não são pontas de cigarro. Não são vaga-lumes. São olhos sim, mas tristes olhos sombrios e não são olhos de uma deusa bardot, nem de um deus gainsbourg. São os olhos de um boêmio qualquer vagando triste do outro lado da rua. Sou eu. Meu corpo vagando solitário explorando aqueles cantos enquanto meu pensamento explora este.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Hoje eu Tive um Sonho

Hoje sonhei que o mais encantador dos anjos veio em minha direção e pegou minhas mãos dizendo-me o que de mais belo eu poderia ouvir enquanto me levava ao infinito. Voavamos por sobre toda a terra, vimos os lugares mais espetaculares do mundo: caichoeiras, florestas, campos floridos, o mar... lugares os quais já havia visto, mas, nos quais jamais habvia reparado. Era quase tudo tão belo quanto aquele anjo. Vimos o sol nascendo, vimos o sol se pondo, nunca havia percebido o quão magnifico era um por-do-sol. Será que poderia ficar melhor? Ao fim do dia por sobre as nuvens paramos, o anjo olhou em meus olhos, aproximou seu rosto do meu e sussurrou em meus ouvidos:
_ Adeus!!!
Mal o anjo terminou de falar e eu pude sentir o meu corpo caindo. As nuvens passavam por mim enquanto eu via a Terra se aproximar. Só o que conseguia pensar é se eu iria morrer. Mas, antes de chegar ao chão, o sonho acabou. O sonho acabou mas eu jamais acordei

Leitores dos Boêmios