quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Poema Urbano nº 3 (Faces)

Assim os ônibus vão passando
Como uma louca balada triste
Assim todos se transformam
Em algo que não existe
E garotas maquiadas
Trazem em suas faces rubras de desejo
A vontade da umidade entrepernas

Ruas metamórficas apaziguam os solitários
Em suas roupas pretas e vermelhas
Preocupados, sem mulheres.
São anjos da noite maliluminada
Fazendo da noite seu dia
Brincando de sexo e putaria
Anjos maliluminados trazendo na tez branca
Uma palidez desmenaninizada

Sem céu, sem chão.
Um mundo caído ao léu
Vão poucos voando, esgueirando em becos
Procurando faces rubras de sangue a flor da pele
Saltitantes progesteronas virginais

Assim como o dia vai passando
Nas calçadas metamorfoseadas
Das belezas de vestido curtinho
Fazendo festas com brinquedinhos
Assim como os ônibus desgastam seus pneus
A folga diminui e resgata lembranças
Negras, poluídas, cheias de pecados gostosos

Foto: Vida noturna, de O Trovador das Gerais

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