sexta-feira, 23 de julho de 2010


Sua face quebrada em mil outras faces nas faces dos cristais, cristais que traçavam uma linha pelo espaço sideral. A linha do tempo. O tempo à velocidade da luz. Sua mente traçava mil planos, mil crimes, mil linhas de pensamento que se curvavam no buraco de minhoca e voltava para o préterito-do-futuro em cerca de novecentos milhões de zilhões de um microsegundo em forma de uma lágrima. Uma lágrima e outra e outra e mais outra. O que sua mente planeja olhando a si naqueles cristais?


Mil planos, mil ações, mil e quinhetos e tantos anos. O toca discos rodava um disco antigo arranhado uma vez o 'maybe, maybe, maybe" ficou infinito como a luz que se propaga milhões de anos pela esfera do espaço desde o dia em que foi gerada naquela estrela distante que morreu de velhice enquanto sua filha, a luz, ainda está no auge de sua juventude. O que haveria a mais naquele vinho? Ou o que haveria a mais naquela mente, naquela face estática? O que haveria a mais naquele coração que bate cada dia mais lento um pouco. O que haveria a mais naquela tristeza infinda? Aquela tristeza sem luz. Onde estaria aquela luz poetica que acompanhava a sua tristeza e por que aquele corpo nu jaz agachado no banheiro com a cabeça encostada na parede enquanto as águas dum chuveiro escorrem pelos seus ombros e as águas salgadas da tristeza escorrem pelos seus olhos?



Onde estão aqueles cristais quebrados em mil pedaços pelo peso do tempo? Talvez um dia me contem a verdade sobre o amor, talvez um dia me contem por que o amor dói tanto no peito, ou então por que um cara que a única coisa a qual amava era a solidão e agora, neste exato momento, chorava nu, sob a água do chuveiro, pelo amor de uma loira de olhos castanhos e pele branca.


Era uma vez um bêbado andando por ruas noturnas sem nenhum horizonte bonito para se ver além de um horizonte apagado pela noite, já que o aqui era tão bem iluminado pelas luzes posteanas. Era uma vez um bêbado andando feliz, por ruas tristes, por outras felizes, por ruas feias, por outras bonitas, por umas com cheiro de xixi, por outras com cheiro de porra.


Era uma vez um homem que não ligava para uma moeda clássica da era mesozóica, não ligava para um tostão furado que não fosse os cinquenta centavos de cachaça ou um vinho barato pego no primeiro copo-sujo que viu pela frente. Era uma vez esse cara olhando bem para uma loira de roupa azul, florida de branco, já gasta segunrando uma bebezinha que não era sua. E era mês de agosto. Era mês de agosto. Era mês de agosto. É mês de fevereiro. Fevereiro. Fevereiro. O fevereiro olha o verão lá fora. Era uma vez esse cara chorando sob a água aquecida pelo chuveiro. Era uma vez esse cara derramando lágrimas que somente foram derramadas um dia por culpa de um marimbondo que ferrou seu joelho e agora sente o marimbondo filho da puta ferroar seu coração por causa de fotos tolas e mensagens tolas que viu em algum lugar. Onde mesmo? Num poste? Num ônibus? Na sua cara? Numa invenção estranha criada pelo macaco despeludo que interliga todos que estão distante em um lugar só?


Era uma vez uma assassina. Uma assassina d'almas que assassinou a alma desse pobre diabo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Leitores dos Boêmios