sábado, 3 de julho de 2010

Diário de um Desconhecido IV

Eu me despeço da lua pois o sol já aparece no horizonte iluminando todo o deserto negro, esse deserto infinito e imutável. Observando esse deserto eu me sinto tão calmo. O vento passa trazendo lembranças dos outros cantos do mundo. Procuro saber de onde o vento vem e descubro que ele vem de todos os cantos. Começo a pensar se há algo além desse deserto e peço ao vento notícias do mundo. Ouço-o contar sobre o oceano que nasce com o sol e morre sem ele. Ouço falar da pequena floresta das árvores caídas e da poderosa montanha que a lua tenta alcançar, mas que somente no sol consegue encostar, tendo de, toda noite, sua jornada recomeçar. Ele fala sobre esse deserto que sempre se modifica e contínua igual. O vento logo se vai pois o tempo não o deixa ficar muito tempo parado. Pergunto a vida e a morte se elas já foram a esses lugares. Elas dizem que sim, mas já tem muito tempo desde que a morte viu o oceano pela última vez. Eu me pergunto como seriam esses lugares e elas me dizem que um dia eu irei vê-los. Eu fico imaginando como será o resto do mundo enquanto o sono me leva de volta para o intrigante planeta dos sonhos.

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