terça-feira, 22 de junho de 2010

Poema Urbano nº2

Vi o louco profeta das ruas
Pedia dinheiro em troca
Dum Deus te abençoa
            (olhava os cinco centavos com seus olhos desfocados)

Vi frades e freiras
Vestiam seus finos mantos
Calçavam sandálias melhores que as minhas
            (Que não são lá grandes coisas)

Vi mendigos deitados
Ou sentados ouvindo rádio
Em seus radinhos de pilha de fones

Ouvi a cega da calçada
Entoando aos quatro cantos
Seu canto de Mega-Sena acumulada

Ouvi sinfonias eruditas
Dum Palácio das Artes que
Apenas uma vez me dei ao privilégio de ir


Ouvi a sinfonia das ruas
Quando saía das ruas e
Ia ao parque de minha infância

Vi os neons de motéis
Pequenos motéis duvidosos
Clamando um tiquinho de adultério

Comi uma fatia de pizza
Onde do outro lado da vitrina
Um mudo andarilho pedia uma fatia
            (Ele me deu um abraço em agradecimento)

Ouvi o canto do maltrapilho
Na praça da área nobre até
Maltrapilho canta em bom inglês
            ("It's now or never
            Come hold me tight
            Kiss me my darling
            Be mine tonight
            Tomorrow will be too late
            It's now or never
            My love won't wait")

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Diário de um Desconhecido III

Já é tarde, a esta hora eu deveria fazendo algo de útil, mas, na verdade, o meu desejo é passar o dia inteiro aqui deitado, só pensando em minha vida. E eu penso, penso em como não aproveito bem a minha vida. Lembro-me que raramente eu faço aquilo que eu realmente quero, que eu raramente sei o que eu quero. Relembro-me de tudo de errado que já fiz e de tudo o que não fiz. Percebo o quão cheio de dúvidas eu sou, que eu nem mesmo sei quem sou. Descubro o quão inútil eu sou. Eu concluo que minha vida não possui sentido algum. Sinto a alegria ir embora, vejo a solidão sentar-se calmamente a meu lado enquanto a tristeza acalma minha mente acariciando meu coração e o desespero se aproxima. Minhas lágrimas decidem se libertarem de min levando com elas minhas forças. Já não sei se tenho forças para prosseguir com minha jornada e não vejo mais saída para meus caminhos. Tudo o que eu vejo é o cansaço. E eu estou cansado, cansado de ter tantas dúvidas, cansado de perceber que nada faz sentido, cansado de não ver direito a felicidade, cansado de ser um inútil, cansado de não saber viver, cansado de ..., muito cansado. Meu único desejo é sumir, deixar de ser um inútil, abandonar a dor, a solidão , a tristeza e o desespero. Enquanto eu penso aparece o sono que me leva de volta ao mundo dos sonhos fazendo-me esquecer de tudo o que eu jamais deveria ter lembrado.

domingo, 13 de junho de 2010

La Vie En Chose

Creio que eu já deveria ter postado há um bom tanto de dias, mas como essa semana ficou um tanto quanto apertada eu simplesmente me esqueci.


Dessa vez deixo aqui um dos meus vídeos prediletos nos últimos tempos. É da música La Vie En Chose da cantora brasileira Bluebell (Bel Garcia). E viva as Música de Bolso!




Site do projeto Música de Bolso: http://www.musicadebolso.com.br/
MySpace da cantora: www.myspace.com/blubellspace

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Visões de um Tempo Qualquer

Hoje eu vi o passado
um passado que me lembra o presente
um passado que me persegue
por crimes que eu não cometi

Vi também o futuro
cavalgando em seu cavalo
vindo para me salvar
de meu próprio passado

No fim tudo o que eu vi
foi o que não vi

Leitores dos Boêmios