terça-feira, 25 de maio de 2010

Lá estava o homem das mil faces recluso em um quarto escuro iluminado por uma pequena luminária e pela luzinha que se desprendia de seus cigarro. Fingia não ouvir a barulheira que vinha de outros cômodos e principalmente do terreiro da casa. Uma festa heavy-punk-gothic-hippie-beat-pseudo-black-metal-rock acontecia enquanto ele escrevia loucamente em uma empoeirada maquina de escrever que não se sabe quanto tempo ficara parada, mas sua tinta ainda manchava o papel com letras.

Imperava naquele momento a face de José, o escritor, que após uma avalanche de álcool, tira gostos, pulos e repulos de alguém que não sabe dançar, músicas e sexo a face de Joe, o Frenético, saiu subitamente deste homem, dando espaço para José, o escritor. Assim, o homem das mil faces se desligou completamente do mundo a sua volta, sentou-se de frente aquela velha máquina de escrever e começou a relatar um poderoso fluxo de consciência que, embora fosse José quem escrevia agora, era Joe, o frenético, quem impulsionava essa avalante de pensamentos e também gerava alguns tremeliques nas mãos enquanto acendia um novo cigarro, ou recarregava a máquina com um novo papel enquanto deixa o recém papel escrito posto numa montanha de papel em formação.

Feito seis páginas escritas sente alguém dar um cheiro em seu cangote e, sem parar de escrever como se seus dedos funcionassem sem que a mente precisasse comandá-los, perguntou:

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Diário de um Desconhecido II

Abro os olhos e vejo que está escuro, mas não sei se é noite ou se é dia. Sinto a vida, a morte e o tempo me envolvendo, tomando conta de mim. Ouço-as dizendo que enquanto eu permanecer neste mundo nós cinco estaremos sempre juntos. Olho o sol e vejo a lua. Observo esse mundo ao meu redor. Tudo aqui é novo, diferente, estranho para mim. A vontade que eu tenho é explorar o mundo, conhecer tudo o que há nele. Ver, ouvir e sentir tudo de bom que existe nesse mundo. Minha curiosidade é enorme, mas o tempo vem dizer que isso está fora dos planos, pois, na verdade, eu já estava adiantado. Ele diz que eu ainda não deveria estar aqui, isso prejudicou os planos. Dizem-me para não me preocupar pois o tempo está sempre reclamando, mas, como eu poderei ver, ele é um bom amigo. A felicidade, a fome, a tristeza e a ingratidão chegam para darem as boas vindas, a alegria é a mais presente. Conheço o dia, que, nesse dia, está radiante, e a noite, bela e misteriosa. Todos querem aproveitar a ocasião e comemorar. Isso me parece legal até que o conselho me apresenta o cansaço, o qual me diz que o melhor para mim seria descansar. E é então que eu percebo o quão cansado eu estava e, por fim, o sono chega me convidando a ir conhecer o mundo dos sonhos.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Poema Urbano nº 1 (My Sorrow)

Forte como um dia claro
Como a solidão da noite
Forte como um trem sem freios
Uma chuva de verão

Avenida Afonso Pena, foto de Frederico Haikal

Forte como um Sol sem nuvens
Uma Afonso Pena ao meio-dia
Forte como o amor sem mágoas
Uma chuva de granizo

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Diário de um desconhecido I

Olho para o céu e vejo que o tempo parece normal, pelo menos o meu relógio está marcando as horas, os minutos e os segundos como sempre. A lua brilha de um jeito e com uma força que eu jamais havia visto, por causa disso o dia está mais claro que o de costume. Olho para os lados procurando alguém que pudesse me explicar o que estava acontecendo, mas eu só encontro o silêncio dizendo-me que eu estava vendo coisas. Resolvo então continuar minha jornada, a qual eu ainda não havia encontrado, e acabo me encontrando com a solidão, que me faz companhia durante um tempo. Ela me explica que estávamos no deserto negro e que, por isso, a lua brilhava tanto. Antes de me deixar nos deparamos com o vazio e, então, ela começa a seguir um outro rumo, mas não sem antes me dizer que eu deveria continuar minha caminhada, pois eu já havia achado a minha jornada. Após isso eu volto a sentir a presença do sono, que, na verdade, não havia me deixado só em momento algum naquele dia, então eu apenas me entrego ao vazio e volto ao mundo dos sonhos.

Leitores dos Boêmios