quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Diário de um Desconhecido XII

O dia aparece como sempre apareceu, mas mesmo assim eu sinto que hoje o será diferente. Saúdo a noite como sempre faço e saio a procura da felicidade, que algo queria me dizer. Só vejo a alegria me dizendo que a felicidade devia estar mais a frente. Continuo andando e encontro ela, a mais perfeita dos seres, a mais bela entre as mulheres, conversando com o amor, que nos apresenta. Conversamos um pouco até que eu me lembro o que estava fazendo. Ela oferece sua companhia enquanto eu procuro a felicidade. Volto a caminhar enquanto eu e ela nos conhecemos melhor. O amor nos acompanha, na verdade eu acho que o amor está sempre ao lado dela. Pouco depois nós encontramos a felicidade que já não lembrava mais o que queria me dizer. O tempo diz que já era hora de nos separarmos. Nós nos despedimos e ela vai embora, mas não sem antes eu lhe perguntar como eu faria para encontrá-la novamente. Ela responde que só o que eu deveria fazer é fechar os olhos e viajar para lá, pois certamente ela estará lá me esperando. E, quando não mais eu a vejo, me aparece o sono e, mais uma vez, eu tenho de voltar ao mundo dos sonhos.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Nós artistas somos muito acomodados. Todos. Sem exceção. Músicos, escritores, pintores, strippers, modelos gostosas, putas... Gostamos de estar rodeados por homens ou mulheres, depende da opção de cada um. Eu por exemplo amo estar rodeado por gatinhas. Quanto mais, melhor!

Lembro-me quando eu era vagabundo, vadio. Eram meus melhores tempos de arte. Eu vivia por aí, fuçando em latas de lixo caçando o que comer. Pois é meu amigo, a vida para mim nem sempre foi fácil, mas esses meus tempos de pobre, eu posso te garantir, foram os melhores. Eu era forte! imponente! Eu tinha todas as gatas que eu quisesse. Em noite de lua cheia eu subia em um muro dum beco sem saída e cantava.

Ah! como são doces as lembranças. Era sempre assim, toda noite de lua cheia! na primavera então... hum! Apareciam as gatas mais ariscas e eu as dominava assim - miau! - só com o meu olhar super poderoso. Meus tempos de vagabundagem pelas ruas da cidade eram assim.

Não sei como é com vocês, mas as gatas de verdade não querem saber de grana - lógico que ter um conforto pode ser interessante - com nós gatos, você precisa mesmo ser assim: vagabundo, imponente e acomodado. Ser riquinho com bandeja de ração na hora que se quer não importa. Esses não são sujos e preguiçosos, eles são mesmo limpinhos e frescos. Não é à-toa que a maioria é castrada.

E, nós gatos, gostamos também das gatinhas mais vagabundas, que passem por nós exibindo seus lindos corpinhos e passando a cauda perto de nosso nariz. Essas que se fazem de difícil. E as que são difíceis de verdade são as melhores. Aquelas independentes que jogam na cara que somos apenas seus objetos! Ah... essas sim são quentes! Essas que gostamos, pois deixamos claro que elas são exatamente isso para nós! Aquelas fáceis de mais são apenas brinquedinhos como bolas de lã você brinca hoje e amanhã esquece. Aquelas que você diz: "Olá gatinha, vem satisfazer meus desejos" e elas se derretem facinho você as come hoje e descarta no dia seguinte.

Como eu disse, gatas gostam mesmo de vagabundos, imponentes e acomodados, mas quando se é artista, isso ajuda um tanto que você não faz idéia. Principalmente quando se é músico - o louco samba canção, ah! cantei muito samba canção para comer umas gatinhas lindas. Quando se é escritor, também pode ajudar. Mas o escritor poeta tem que falar de lances mais próximos das pessoas, e o amor de forma louca, absurda e encantadora. Talvez até mesmo de uma forma um pouco promiscua!

Hoje não sou mais gato de rua. Tenho casa, comida, tenho até minha caminha. Tudo isso em troca de um pouco de atenção. Quando fui adotado meu dono me obrigou largar a vagabundagem e a arte das ruas. Ainda bem que não fui castrado, preservaram meu sexo, ainda não sou gato de madame. Embora não iria adiantar muita coisa, já estou velho de mais para isso! E também já tenho muitos gatinhos por aí afora que nem conheço.

De vez em quando, em noite de lua cheia, eu tento fazer um som, ou quando vejo uma gatinha eu ouriço o pelo, faço aquela pose de Poderoso Chefão e dou uma piscadela só para ver o que acontece.

Hoje eu agradeço por ter sido adotado logo. Enquanto você é jovem, bonitão é tudo fácil! Mas quando se envelhece você fica jogado por aí ao vento, esperando que aconteça algum milagre. Já vi muitos gatos velhos assim na minha juventude. Eu ria deles. Agora fico pensando que não sei quanto tempo eu conseguiria sobreviver naquela vida vagabunda. Fui adotado no tempo certo, a velhice começava a surgir. É... eu estava ficando velho. Velho e careta talvez. Agora tudo que eu faço é ficar no colo do meu dono - também velho - e fico olhando a mocidade lá fora e pensando como essa mocidade está curtindo a vida.

Às vezes eu vejo meu velho se sentando na cadeira de balanço que fica perto da janela. Eu caminho assim, como um rei, até ele e com um salto paro em suas pernas. Ele me acaricia a cabeça e diz "E aí meu velho gato?". Então ele lá. Sentado em sua cadeira de balanço com seus olhos brilhantes fixos lá fora.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Nomes e Nada Mais

Parece que vai começar a chover, minha carona bem que poderia chegar logo. Sem mais o que fazer eu resolvo olhar as pessoas a minha volta e... olha, mas não é uma antiga colega do ensino médio que vem ali? Sim, é ela mesmo. Ela está diferente mas ainda a reconheço, como poderia me esquecer das longas horas em que passamos jogando truco ao invés de estudar? Bons tempos aqueles em que se preocupar com a nota no fim do ano era o maior dos meus problemas e nem era assim um problema muito grande. Ao que parece ela não me reconheceu, ou fingiu não me reconhecer, na verdade acho que ela sequer me viu. Não faz mal, eu chamo ela:

_ Ô... Mas como ela se chama mesmo? Aline? Carol? Luana? Não! Tenho quase certeza que o nome dela começava, ou começa, com A. Ana? Amanda? Adelaide? Abigail? Alessandra? Adriana? Alice? Não, não. A única Alice que eu conheço é a da história do Lewis Carrol (até tem outra Alice, mas é melhor não pensar nela agora). Talvez seja Andressa, Angélica, Augusta, Aurora, Amélia (ela é que era mulher de verdade, ou não?). Araci? Aparecida? Anita? Antônia? Aleluia? (Aleluia? Será que existe alguém com esse nome? Bem do jeito que são as coisas não dúvido nada que exista). Desisto, não vou conseguir lembrar o nome dela, talvez eu deva apenas tentar chamar sua atenção com um aceno de mão, um oi ou apenas um leve toque no ombro dela e... ué, cadê ela? Tenho certeza que ela estava aqui agora mesmo.

E agora, o que faço? Devo ir procurá-la mesmo debaixo dessa chuva toda? Ou será que... Opa, minha carona chegou, melhor deixar isso prá lá.


.......


Ah, sim! O nome dela era Júlia.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Diário de um desconhecido XI

Que tédio, nada de interessante acontece. Cansado de não fazer nada eu apenas fecho os olhos e viajo, viajo para lá. Lá eu vejo a terra e o céu se encontrando no horizonte, ouço o rio correndo por entre a relva e sinto a brisa suave que acaricia calmamente as árvores. É um mundo totalmente novo e diferente. Eu procuro mas não acho ninguém. Eu procuro mas não acho, não, nem mesmo vejo a vida, a morte, o tempo. Eu procuro mas... Eu ouço uma doce canção. Eu procuro e acho ela, aquela que a mais bela voz possui. Eu apenas me aproximo mais para poder ouvir melhor aquela voz tão suave que tanto me encanta e hipnotiza, é como se eu estivesse ouvindo um anjo de Deus. Enfim termina a canção e, então, ela volta sua atenção para mim e pergunta o que eu achei. Eu respondo que jamais escutara canção tão magnífica quanto essa. Ela agradece e me pede que lhe cante algo mas eu lhe digo que eu nunca fui um bom cantor. Ela, então, pergunta-me se eu sei declamar poesia e eu respondo apenas que não se compara a ela cantando, mas, se ela quiser, eu declamo assim mesmo. Ela consente. Nem bem termino de declamar e ela aplaude dizendo que eu havia sido incrível e me pede que eu declame outra poesia a ela. E eu declamo outra, e outra, e outra. Ficamos assim nesse mundo de poesias até que eu volto a esse mundo pois o sono já estava impaciente e, finalmente, eu faço o que ele tanto quer: volto ao mundo dos sonhos.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Diário de um Desconhecido X

Abro os olhos e vejo que está escuro, mas não sei se é noite ou se é dia. Sinto a vida, a morte e o tempo me envolvendo, tomando conta de mim. Ouço-as dizendo que enquanto eu permanecer neste mundo nós cinco estaremos sempre juntos. Olho o sol e vejo a lua. Observo esse mundo ao meu redor. Tudo aqui é novo, diferente, estranho para mim. A vontade que eu tenho é explorar o mundo, conhecer tudo o que há nele. Ver, ouvir e sentir tudo de bom que existe nesse mundo. Minha curiosidade é enorme, mas o tempo vem dizer que isso está fora dos planos, pois, na verdade, eu já estava adiantado. Ele diz que eu ainda não deveria estar aqui, isso prejudicou os planos. Dizem-me para não me preocupar pois o tempo está sempre reclamando, mas, como eu poderei ver, ele é um bom amigo. A felicidade, a fome, a tristeza e a ingratidão chegam para darem as boas vindas, a alegria é a mais presente. Conheço o dia, que, nesse dia, está radiante, e a noite, bela e misteriosa. Todos querem aproveitar a ocasião e comemorar. Isso me parece legal até que o conselho me apresenta o cansaço, o qual me diz que o melhor para mim seria descansar. E é então que eu percebo o quão cansado eu estava e, por fim, o sono chega me convidando a ir conhecer o mundo dos sonhos.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

O começo de tudo foi como uma mentira mal contada. O tom bucólico de minhas lembranças é como a lugubridade kerouaciana que adentra de Tristessa para todo o meu ser, minh'alma.

Olho-me no espelho. Nu. Meu corpo magro e nobremente e lugubremente pálido é como uma agulha de bússola desimãtizada e jogada num palheiro. Meu corpo, minh'alma, meus pêlos. Todos os pêlos. Dos que se concentram ao centro do meu peitoral até a linha que corre pela minha magra barriga até o umbigo e do umbigo desemboca-se num mar de pêlos pubianos. Meu pau molemente olha para baixo. Uma imagem refletida no espelho, um cabeludo pelado, me olha, me encara, desvenda minh'alma.

Eu me desvendo e me escondo de mim mesmo.

Arrasto-me do banheiro até o quarto. Minha cabeleira tampa meus olhos. Minha imagem nua se arrasta como um cara fraquejado e entorpecido. Um bêbado que bambeia as pernas e põe as mãos tampando a boca para conter o vomito. Imaginou essa imagem indigna? Essa foto deprimente? Pois é exatamente assim. Saindo pelado do banheiro à copa, da copa ao quarto. Intermináveis pequenos corredores.

Um mundo de pequenos infinitos corredores. Até chegar a seus fins. A trágica luz solar se desprende de algum lugar no infinito e entra tremula em meu quarto ligeiramente escuro e completamente abafado. O suor que se desprende de meus poros não conseguem se evaporar facilmente. Um mundo de vapor ocupa invisivelmente meu quarto e me joga para fora do quarto super-aquecido-e-super-abafado-pela-força-calorenta-das-telhas-de-amianto.

Expulso do meu próprio quarto me dirijo àquela sala escura de janelas fechadas e ligo o ventilador. Deito-me no sofá o velho sofá confortável e macio. O velho sofá confortável e macio e inacreditável tenta me transportar para outros mundos a cada vez que fecho os olhos. O velho sofá confortável e macio e inacreditavelmente tenta me transportar para outra dimensão, mas essa viajem inter-dimensional me deixa ainda mais enjoado e com uma vontade ainda maior de vomitar e por isso eu abro os olhos: Para fugir da viajem interespacial.

Quero gritar. Quero fugir. Quero correr daqui para outro lugar. Qualquer lugar que não seja aqui, mas não posso sair. Não sei a chave da sala. A porta da sala me manda para um lugar mais claro e menos dolorido. O outro lado para fora da sala se chama liberdade e a liberdade não me causa vômitos. Não mais. Eu só preciso achar aquela maldita chave.

Arrasto-me pelos cantos derretendo em suor procurando pela maldita chave. A chave de meus sonhos. A chave que me tirará desta maldita casa abafada e me levará ainda desnudo para a liberdade de ventos que baterão em meus cabelos e refrescarão minha nuca. Eu me arrasto para cima duma cadeira e procuro em cima de armários e guarda roupas. Eu rastejo pelo chão procurando em baixo da geladeira, em baixo dos sofás, das camas, do fogão, mas a chave não está em lugar algum.

Estou passando mal. Estou morrendo. Tento conter o vômito, novamente. Mas o vômito chega forte e o sinto queimar e cortar garganta acima enquanto eu corro de volta ao banheiro e me pondo ajoelhado ao vaso sanitário jogo para fora aquele líquido nojento que mistura restos do meu almoço e algum tantinho de sangue.

Ouço o som de um metal bater na cerâmica da privada. E olho meu vomito sanguíneo se misturando à água e a chave da sala lá no fundo do vaso.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Diário de um Desconhecido IX

Ouço um grito e vejo que é a solidão cansada da conversa tola do silêncio. Os dois conversam com a discussão e descobrem-se sozinhos. Eu rio de tudo aquilo e volto a caminhar. Observo a vida, a morte, o tempo enquanto eles acompanham a pequena excursão no deserto negro. Vejo o tudo no ar e escuto o nada ao meu lado. Percebo que este e um mundo realmente intrigante, até parece mágica. Tudo aqui é interessante. É interessante como tudo aqui é diferente, nunca é a mesma coisa. Esse mundo nunca muda, está igual a quando eu cheguei aqui. E é por isso que tudo me esquece, tudo me lembra. Nesse mundo eu nunca me encontro e é nesse mundo que e um me encontro mais. Aqui eu posso ser eu mesmo, aqui eu posso ser quem eu quiser. Aqui todos fazem o que querem, todos fazer o que eu quero. Nesse mundo tudo é natural, tudo é como eu quero. Continuo caminhando enquanto o pensamento voa. O mundo parece voar ao meu lado, sumindo no horizonte enquanto eu observo tudo o que acontece ao meu redor. Parece que nesse momento eu paro de existir, só esse mundo existe. Parece que eu sou o mundo e o mundo sou eu. Quase não ouço o sono que já estava me chamando de volta ao mundo dos sonhos.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Poema Urbano nº 4

As prostitutas vestidas de preto
Andam maquiadas sobre ruas molhadas
Molhadas e brilhantes
Brilham postes, brilham faróis
Brilham revoltadas as putas vestidas de preto
Naquela rua póschuva
Ruazinha vazia
Ruazinha de feriado
Carros metidos passam
Com seus neons ligados
Hora de faturar uns trocados
Descascar a banana
Regaçar a Xexênia

 
Andam feito rainhas aquelas putas
Prostitutas vestidas de preto
Mulheres que brilham
Brilho gloss.
Numa sede insaciável
Sede de sono, sede de dinheiro, sede
Vão matar a sede e a fome
De homens de dinheiro
Sob a lua enluarada
Voltar com grana na mão
Retocam a maquiagem, essas putas
Sob silhuetas prediais negras
Esperando numa noite
Ou talvez até mesmo num dia
Ter a chance de ser rainha
Esperam e sonham
Essas prostitutas vestidas de preto.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Diário de um desconhecido VIII

O sol brilha em una bela noite de luar. Eu cumprimento o dia e dou bom-dia a lua; eu abraço a noite e digo boa-noite ao sol. Beijo a vida, a morte , o tempo e danço com a alegria. A felicidade me pergunta por que estou tão contente eu respondo apenas que não sei porque estou assim, só sei que é assim que estou. É confuso mas eu me sinto bem. Estou disposto a gritar ao mundo para que todos possam saber o que se passa em meu ser. Até o sono é contagiado por minha euforia e acordando para o mundo em sua volta propõem que comemoremos. O tempo pergunta o que seria comemorado e só o que digo é que não importa o que se comemora o importante é comemorar. O tempo acha uma perda de tempo comemorar nada. Ninguém liga para o tempo pois já estamos todos comemorando algo que nem sabíamos exatamente o que era. Dançamos, cantamos, gritamos, pulamos, nos divertimos. A felicidade e a alegria são as que mais chamam a atenção. Celebra o dia, a noite; a vida, a morte; a tristeza, a esperança; a solidão e a escuridão; celebra o nada, celebra o tudo. Todos comemoram não se sabe o que. Nós nem percebemos o tempo, mas o tempo percebe que já é tempo de a festa acabar e é com a tristeza que o sono vem para levar-me de volta ao mundo dos sonhos.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Eu andava pela rua. Noite. Carros. Luzes. Pessoas. Praças. Praças. Todo o tipo de clichê de um frustrado filme de romance. Todo o tipo de clichê de um blues qualquer tocado magicamente num saxofone ou num trompete mágico. Um mago do trompete nos dias de hoje é isso que eu preciso ouvir. Pessoas estão morrendo por aí. Pessoas estão nascendo. Pessoas estão trepando. Eu estou caminhando. Olhares mágicos do outro canto da rua me atraem, não são olhares de gentes, nem de felinos ou outros tipos quaisquer de animais. É um olhar torto e estranho e mítico, talvez seja algum tipo de deusa divina vinda dos universos paralelos só para me dizer alguma coisa. Alguma Marylin Monroe vinda do mundo dos mortos para me falar como é lá e me contar todo o seu poder orgásmico que esconde em seu monte de Vênus.

Mas não. Não são olhos orgásmicos. Não são pontas de cigarro. Não são vaga-lumes. São olhos sim, mas tristes olhos sombrios e não são olhos de uma deusa bardot, nem de um deus gainsbourg. São os olhos de um boêmio qualquer vagando triste do outro lado da rua. Sou eu. Meu corpo vagando solitário explorando aqueles cantos enquanto meu pensamento explora este.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Hoje eu Tive um Sonho

Hoje sonhei que o mais encantador dos anjos veio em minha direção e pegou minhas mãos dizendo-me o que de mais belo eu poderia ouvir enquanto me levava ao infinito. Voavamos por sobre toda a terra, vimos os lugares mais espetaculares do mundo: caichoeiras, florestas, campos floridos, o mar... lugares os quais já havia visto, mas, nos quais jamais habvia reparado. Era quase tudo tão belo quanto aquele anjo. Vimos o sol nascendo, vimos o sol se pondo, nunca havia percebido o quão magnifico era um por-do-sol. Será que poderia ficar melhor? Ao fim do dia por sobre as nuvens paramos, o anjo olhou em meus olhos, aproximou seu rosto do meu e sussurrou em meus ouvidos:
_ Adeus!!!
Mal o anjo terminou de falar e eu pude sentir o meu corpo caindo. As nuvens passavam por mim enquanto eu via a Terra se aproximar. Só o que conseguia pensar é se eu iria morrer. Mas, antes de chegar ao chão, o sonho acabou. O sonho acabou mas eu jamais acordei

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Diário de um Desconhecido VII

Passa a vida, passa a morte; seja como o suave vento de uma brisa, seja como o vento furioso de um furacão. Passa o tempo, o dia, a noite. Vejo o sol, a lua, a estrela. Passam o segundo e o minuto, vão tão rápidos que quase não se vê; a hora passa já não tão veloz, talvez porque não é mais tão nova assim; passa o dia, bem mais calmo que os anteriores, mas não tão calmo quanto o mês, que passa sem pressa de viver; passa o ano, calmamente observando o mundo e cumprimentando a todos enquanto aproveita a companhia e a conversa das quatro estações, cada uma carregando algo em suas mãos. Passam o sentimento e a emoção, passa a tristeza, a alegria; passa o ódio, o amor. Passa o tempo, o dia, a noite; passa a calma, passa a raiva. Passa a fome e a sede; passa o sono, passa a dor. Passa o dia, passa o ano, o segundo e o minuto. Passa a vida bem intensa; passa a morte, as vezes lenta. Passam mundos ou lugares, rios ou desertos. Passa o mês, nunca igual; passa ele outra vez. Passa a lua, passa o sol; passa a estrela e o cometa. Passa a vida ainda calma, passa a morte sem demora. Passa tudo, passa nada e eu aqui parado, sempre ao lado dela. Passa nada, passa tudo até que o sono de novo venha ao mundo dos sonhos nos levar.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

OWL - One Way Love

Vou deixando aqui no baú dos favoritos um dos vídeos mais bacanas que eu vi nos últimos tempos. OWL - One Way Love é 1 minuto e 58 segundos de uma indescritível declaração de amor - pois afinal, os brutos também amam - com texto, roteiro, edição, atuação e o que mais for possível de Agatha Sampaio (e o fodão do Miles Davis soprando seu trompete melodicamente ao fundo).





"Todas as cartas de amor são
Ridículas. (...)
Mas, afinal, 
Só as criaturas que nunca escreveram 
Cartas de amor 
É que são 
Ridículas."
Álvaro de Campos

quarta-feira, 8 de setembro de 2010


É noite, a lua não apareceu, mas apareceram as estrelas. Chegam as nuvens, começa a chover. Apesar da escuridão é possível ver um triste vulto movendo-se solitariamente por entre uma antiga viela.

Sinto a chuva, olho para o céu
Estrelas caem, deixam um rastro no espaço
O céu está a desabar, junto dele está a Terra
Será isso um sonho ou o fim do mundo?


A chuva aumenta, as nuvens cobrem todo o céu fazendo desaparecer as estrelas. Quase não se vê nem se ouve nada além da chuva e do vulto caindo.

Tudo desabou, meu mundo acabou
Sou atirado ao nada, mergulho na escuridão
Estou só, caindo em um abismo sem fim
Irá alguém me salvar?


A chuva começa a diminuir. O vulto se ergue e se vê perante um enorme portão. Devido a escuridão nada se pode ler nele.

Meu corpo flutua no infinito, enfim chego ao fim
Sinto-me fraco, não sei mais como continuar
Abro os olhos e vejo-me perante um enorme portal
Seria essa a entrada do inferno ou do paraíso?


Cessa a chuva e as nuvens começam a se dissipar. O vulto abre o portão e entra no que parece ser um velho casebre. Enquanto a lua desponta no céu um cachorro uiva para a recém chegada.

Atravesso o portal e vejo uma luz no fim do túnel
Ouço meu nome, sinto um perfume
Guiado pela voz eu vou em busca da luz
Para onde estarei eu indo?


O céu se abre de novo e as estrelas reaparecem. O vulto atravessa o que um dia já foi um jardim e para perante outro vulto.

A luz me envolve, estou no mais belo jardim
Esterlas sobem ao céu, um anjo me cumprimenta
De mãos dadas com ela eu subo ao céu
Estou no paraíso


O sol aparece no horizonte iluminando toda a Terra. Sobe ao céu revelando tudo o que a noite tentou esconder. Iluminando um anjo caído


Imagem retirada da internet

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Poema Urbano nº 3 (Faces)

Assim os ônibus vão passando
Como uma louca balada triste
Assim todos se transformam
Em algo que não existe
E garotas maquiadas
Trazem em suas faces rubras de desejo
A vontade da umidade entrepernas

Ruas metamórficas apaziguam os solitários
Em suas roupas pretas e vermelhas
Preocupados, sem mulheres.
São anjos da noite maliluminada
Fazendo da noite seu dia
Brincando de sexo e putaria
Anjos maliluminados trazendo na tez branca
Uma palidez desmenaninizada

Sem céu, sem chão.
Um mundo caído ao léu
Vão poucos voando, esgueirando em becos
Procurando faces rubras de sangue a flor da pele
Saltitantes progesteronas virginais

Assim como o dia vai passando
Nas calçadas metamorfoseadas
Das belezas de vestido curtinho
Fazendo festas com brinquedinhos
Assim como os ônibus desgastam seus pneus
A folga diminui e resgata lembranças
Negras, poluídas, cheias de pecados gostosos

Foto: Vida noturna, de O Trovador das Gerais

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

A Chuva

A escuridão começa a se espalhar pelo meu quarto, ocupando cada canto do meu coração, quase não consigo respirar. Abro a janela e vejo as nuvens cobrindo o sol enquanto um vento frio começa a soprar, será o mundo está tão triste quanto eu? Raios, relâmpagos e trovões, o vento fica mais forte, só eu não consigo sentir. A escuridão toma conta do céu, o vento lamenta enquanto os pássaros procuram por proteção. As luzes se apagam, só restou a escuridão, mas tudo o que sinto é uma enorme vontade de chorar. Lágrimas começam a cair do céu, a chuva, enfim, começou a cair. Ela fica mais forte, parece até que o céu chora por mim. Sinto a chuva molhar o meu corpo, lavando minha alma e curando meu coração. Raios fazem, por poucos instantes, a noite virar dia enquanto a chuva leva embora minha tristeza. No fim, com lágrimas até em meu coração, eu vou dormir, mas com a certeza de que jamais serei o mesmo.

terça-feira, 17 de agosto de 2010


Os sonhos foram feitos para serem esmigalhados. Nenhum de seus sonhos se realizara, aprenda isso e se contente, não há nada que você pode fazer para mudar isso. As utopias não passam de pinturas, pinturas com lindas paisagens, mar calmo, cavalos pastando - só servem para você admirar e mais nada. A vida é real e punitiva, pune quem você menos espera. Sim! A vida transforma sonhos em migalhas. Basta você olhar para fora de sua janela e então verá que tudo o que falo é verdade: os sonhos foram feitos para serem esmigalhados.

O boêmio estava tonto como uma égua e havia subido em sua mesa para chamar a atenção de todos à sua volta.

Desça daí! Por favor.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Noite escura


O mundo se aquieta, a rua parece escura e vazia, assim como meu coração. Carros passam apressados deixando um rastro de luz que se confunde com as luzes da cidade ao fundo. Vultos passam por mim, parecem fantasmas sem tempo de olhar para os lados, sem tempo de observar que ao lado há alguem, porém ninguém me vê, para eles o fantasma sou eu. Meu corpo continua caminhando sem destino fixo, observando as nuvens brincando enlouquecidas enquanto o sol morre no horizonte.

O tempo passa, passado, presente e futuro se misturam criando uma realidade irreal, prendendo minha mente no infinito. Chego a beirada dum barranco e vejo um morcego passar voando, cortando as luzes ao longe. Começa a chover, chuva e lágrimas se misturam. Um grito ecoa em minha mente, meu corpo despenca barranco abaixo, ninguém vê, nem mesmo eu, pois, no fim, tudo não passa de ilusões, assim como tudo em minha vida.

sábado, 7 de agosto de 2010

Recentemente eu encontrei Bilora. Um exímio violeiro que eu não o via há dez anos, confesso que foi muito bom vê-lo novamente, ele estava matriculando o filho mais novo num curso pré-vestibular exatamente quando fui visitar uma amiga que trabalha lá.

E por esse recente acontecimento, vou colocar aqui um vídeo de Bilora no Festival de Música da TV Cultura de 2005. A música se chama Sertão Urbano.


quarta-feira, 28 de julho de 2010

Diário de um Desconhecido VI

É cedo, cedo até demais, nunca havia acordado tão tarde. Pergunto ao tempo que horas são e ele apenas diz não saber. Só então eu percebo sua presença e olho em sua direção. Vejo-a sentada a meu lado, calma e pensativa. Sento-me a seu lado , fecho os olhos e posso então viajar de volta ao nosso lar. E lá eu a encontro dormindo na rede que está entre as arvores. Eu apenas me sento tranqüilamente sob a arvore a seu lado sentindo o doce aroma das flores enquanto o vento acaricia suavemente a relva e a vida segue seu rumo sem pressa. Pássaros e pequenos insetos pairam no ar enquanto outros animais exploram nosso jardim. Ela acorda e eu lhe desejo bom dia ao que ela responde dizendo que finalmente eu acordei. Peço-lhe desculpas pois não sabia que ela estava me esperando e ela diz não haver problema pois ela gosta de ficar me observando, seja acordado ou não. Conversamos o dia todo sobre a vida; sobre nós e nossos mundos. Discutimos sobre o passado, o presente e o futuro; sobre o tempo, a vida e a morte. Dizemos não tudo o que queremos, mas tudo o que podemos, até que abro os olhos pois o sono, acompanhado do tempo, diz-nos que não deveríamos ainda estar aqui. Nós temos de nos despedir para, enfim, voltarmos ao mundo dos sonhos.

sexta-feira, 23 de julho de 2010


Sua face quebrada em mil outras faces nas faces dos cristais, cristais que traçavam uma linha pelo espaço sideral. A linha do tempo. O tempo à velocidade da luz. Sua mente traçava mil planos, mil crimes, mil linhas de pensamento que se curvavam no buraco de minhoca e voltava para o préterito-do-futuro em cerca de novecentos milhões de zilhões de um microsegundo em forma de uma lágrima. Uma lágrima e outra e outra e mais outra. O que sua mente planeja olhando a si naqueles cristais?


Mil planos, mil ações, mil e quinhetos e tantos anos. O toca discos rodava um disco antigo arranhado uma vez o 'maybe, maybe, maybe" ficou infinito como a luz que se propaga milhões de anos pela esfera do espaço desde o dia em que foi gerada naquela estrela distante que morreu de velhice enquanto sua filha, a luz, ainda está no auge de sua juventude. O que haveria a mais naquele vinho? Ou o que haveria a mais naquela mente, naquela face estática? O que haveria a mais naquele coração que bate cada dia mais lento um pouco. O que haveria a mais naquela tristeza infinda? Aquela tristeza sem luz. Onde estaria aquela luz poetica que acompanhava a sua tristeza e por que aquele corpo nu jaz agachado no banheiro com a cabeça encostada na parede enquanto as águas dum chuveiro escorrem pelos seus ombros e as águas salgadas da tristeza escorrem pelos seus olhos?

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Diário de um Desconhecido V

É estranho. Eu sinto que ainda não tarde nem é cedo, mas ao observar o horizonte não é isso que eu percebo, me parece que ainda estou e entre o dia e a noite. Saio para ver o que há e encontro o dia e a noite discutindo. Sei que não é muito educado fazer isso, mas eu tenho que ajudá-los antes que o tempo chegue reclamando do atraso deles. Eu pergunto aos dois qual é o problema e eles dizem que estavam discutindo para ver quais dos dois é o mais belo, ou bela, e começam a descrever suas belezas. O dia diz que nada é mais belo que um dia ensolarado, com um lindo céu azul e algumas nuvens para enfeitar, ao que a noite revida dizendo que uma clara noite de lua cheia, com um céu sem nuvens mas com muitas estrelas é bem mais bela. O dia, então, pergunta se a noite já chegou a ver como apenas ele deixa um campo florido mais bonito. A noite responde que não e pergunta se o dia já havia visto a beleza que existe ao olhar por sobre um mar de nuvens com a lua cheia ao fundo. Só que antes de o dia responder, tentando acabar com a discussão, eu os lembro de dois exemplos da beleza deles: o nascer do sol e o pôr do sol, dois momentos de extrema beleza. Isso parece acalmá-los pois eles terminam a discussão enquanto eu volto para o mundo dos sonhos em companhia do sono, que tanta graça viu na discussão.

sábado, 10 de julho de 2010


Acordei cedo hoje; mais cedo que o de costume. A noite ainda imperava no quarto. Quantas horas? Três? Quatro? Certamente não é cinco, no horário de verão o dia amanhece mais cedo que o de costume. Costume. O costume está impregnado correndo em minhas veias. Meu Deus! Dez horas?! E este escuro, o que é?


Uma escuridão mais negra que um olho fechado. Acendo a lâmpada. Dez vivas ao interruptor. A luz branca invade e inunda meu quarto e tudo fica tão claro que eu não consigo enxergar porra nenhuma além da luz branca violenta, sanguinária e tortuosa; a luz branca que fere meus olhos com a loucura de um recém viciado com sintomas de abstinência. Logo aos poucos começo a conseguir enxergar meu quarto, a luz branca amarelou-se.


Estou nu, deitado em minha cama e sinto alguma coisa grudada nas costas da minha mão, na divisa donde nascem o polegar e o indicador. É uma meleca seca. Meleca de nariz, ao que parece. Coço-a usando o meu indicador da mão direita – seria o polegar? – e ela se esfarela. A cama descoberta por sonhos e pesadelos do álcool. Minha bochecha direita molhada de baba, ou seria vômito? – não, é baba mesmo.

sábado, 3 de julho de 2010

Diário de um Desconhecido IV

Eu me despeço da lua pois o sol já aparece no horizonte iluminando todo o deserto negro, esse deserto infinito e imutável. Observando esse deserto eu me sinto tão calmo. O vento passa trazendo lembranças dos outros cantos do mundo. Procuro saber de onde o vento vem e descubro que ele vem de todos os cantos. Começo a pensar se há algo além desse deserto e peço ao vento notícias do mundo. Ouço-o contar sobre o oceano que nasce com o sol e morre sem ele. Ouço falar da pequena floresta das árvores caídas e da poderosa montanha que a lua tenta alcançar, mas que somente no sol consegue encostar, tendo de, toda noite, sua jornada recomeçar. Ele fala sobre esse deserto que sempre se modifica e contínua igual. O vento logo se vai pois o tempo não o deixa ficar muito tempo parado. Pergunto a vida e a morte se elas já foram a esses lugares. Elas dizem que sim, mas já tem muito tempo desde que a morte viu o oceano pela última vez. Eu me pergunto como seriam esses lugares e elas me dizem que um dia eu irei vê-los. Eu fico imaginando como será o resto do mundo enquanto o sono me leva de volta para o intrigante planeta dos sonhos.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Poema Urbano nº2

Vi o louco profeta das ruas
Pedia dinheiro em troca
Dum Deus te abençoa
            (olhava os cinco centavos com seus olhos desfocados)

Vi frades e freiras
Vestiam seus finos mantos
Calçavam sandálias melhores que as minhas
            (Que não são lá grandes coisas)

Vi mendigos deitados
Ou sentados ouvindo rádio
Em seus radinhos de pilha de fones

Ouvi a cega da calçada
Entoando aos quatro cantos
Seu canto de Mega-Sena acumulada

Ouvi sinfonias eruditas
Dum Palácio das Artes que
Apenas uma vez me dei ao privilégio de ir


Ouvi a sinfonia das ruas
Quando saía das ruas e
Ia ao parque de minha infância

Vi os neons de motéis
Pequenos motéis duvidosos
Clamando um tiquinho de adultério

Comi uma fatia de pizza
Onde do outro lado da vitrina
Um mudo andarilho pedia uma fatia
            (Ele me deu um abraço em agradecimento)

Ouvi o canto do maltrapilho
Na praça da área nobre até
Maltrapilho canta em bom inglês
            ("It's now or never
            Come hold me tight
            Kiss me my darling
            Be mine tonight
            Tomorrow will be too late
            It's now or never
            My love won't wait")

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Diário de um Desconhecido III

Já é tarde, a esta hora eu deveria fazendo algo de útil, mas, na verdade, o meu desejo é passar o dia inteiro aqui deitado, só pensando em minha vida. E eu penso, penso em como não aproveito bem a minha vida. Lembro-me que raramente eu faço aquilo que eu realmente quero, que eu raramente sei o que eu quero. Relembro-me de tudo de errado que já fiz e de tudo o que não fiz. Percebo o quão cheio de dúvidas eu sou, que eu nem mesmo sei quem sou. Descubro o quão inútil eu sou. Eu concluo que minha vida não possui sentido algum. Sinto a alegria ir embora, vejo a solidão sentar-se calmamente a meu lado enquanto a tristeza acalma minha mente acariciando meu coração e o desespero se aproxima. Minhas lágrimas decidem se libertarem de min levando com elas minhas forças. Já não sei se tenho forças para prosseguir com minha jornada e não vejo mais saída para meus caminhos. Tudo o que eu vejo é o cansaço. E eu estou cansado, cansado de ter tantas dúvidas, cansado de perceber que nada faz sentido, cansado de não ver direito a felicidade, cansado de ser um inútil, cansado de não saber viver, cansado de ..., muito cansado. Meu único desejo é sumir, deixar de ser um inútil, abandonar a dor, a solidão , a tristeza e o desespero. Enquanto eu penso aparece o sono que me leva de volta ao mundo dos sonhos fazendo-me esquecer de tudo o que eu jamais deveria ter lembrado.

domingo, 13 de junho de 2010

La Vie En Chose

Creio que eu já deveria ter postado há um bom tanto de dias, mas como essa semana ficou um tanto quanto apertada eu simplesmente me esqueci.


Dessa vez deixo aqui um dos meus vídeos prediletos nos últimos tempos. É da música La Vie En Chose da cantora brasileira Bluebell (Bel Garcia). E viva as Música de Bolso!




Site do projeto Música de Bolso: http://www.musicadebolso.com.br/
MySpace da cantora: www.myspace.com/blubellspace

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Visões de um Tempo Qualquer

Hoje eu vi o passado
um passado que me lembra o presente
um passado que me persegue
por crimes que eu não cometi

Vi também o futuro
cavalgando em seu cavalo
vindo para me salvar
de meu próprio passado

No fim tudo o que eu vi
foi o que não vi

terça-feira, 25 de maio de 2010

Lá estava o homem das mil faces recluso em um quarto escuro iluminado por uma pequena luminária e pela luzinha que se desprendia de seus cigarro. Fingia não ouvir a barulheira que vinha de outros cômodos e principalmente do terreiro da casa. Uma festa heavy-punk-gothic-hippie-beat-pseudo-black-metal-rock acontecia enquanto ele escrevia loucamente em uma empoeirada maquina de escrever que não se sabe quanto tempo ficara parada, mas sua tinta ainda manchava o papel com letras.

Imperava naquele momento a face de José, o escritor, que após uma avalanche de álcool, tira gostos, pulos e repulos de alguém que não sabe dançar, músicas e sexo a face de Joe, o Frenético, saiu subitamente deste homem, dando espaço para José, o escritor. Assim, o homem das mil faces se desligou completamente do mundo a sua volta, sentou-se de frente aquela velha máquina de escrever e começou a relatar um poderoso fluxo de consciência que, embora fosse José quem escrevia agora, era Joe, o frenético, quem impulsionava essa avalante de pensamentos e também gerava alguns tremeliques nas mãos enquanto acendia um novo cigarro, ou recarregava a máquina com um novo papel enquanto deixa o recém papel escrito posto numa montanha de papel em formação.

Feito seis páginas escritas sente alguém dar um cheiro em seu cangote e, sem parar de escrever como se seus dedos funcionassem sem que a mente precisasse comandá-los, perguntou:

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Diário de um Desconhecido II

Abro os olhos e vejo que está escuro, mas não sei se é noite ou se é dia. Sinto a vida, a morte e o tempo me envolvendo, tomando conta de mim. Ouço-as dizendo que enquanto eu permanecer neste mundo nós cinco estaremos sempre juntos. Olho o sol e vejo a lua. Observo esse mundo ao meu redor. Tudo aqui é novo, diferente, estranho para mim. A vontade que eu tenho é explorar o mundo, conhecer tudo o que há nele. Ver, ouvir e sentir tudo de bom que existe nesse mundo. Minha curiosidade é enorme, mas o tempo vem dizer que isso está fora dos planos, pois, na verdade, eu já estava adiantado. Ele diz que eu ainda não deveria estar aqui, isso prejudicou os planos. Dizem-me para não me preocupar pois o tempo está sempre reclamando, mas, como eu poderei ver, ele é um bom amigo. A felicidade, a fome, a tristeza e a ingratidão chegam para darem as boas vindas, a alegria é a mais presente. Conheço o dia, que, nesse dia, está radiante, e a noite, bela e misteriosa. Todos querem aproveitar a ocasião e comemorar. Isso me parece legal até que o conselho me apresenta o cansaço, o qual me diz que o melhor para mim seria descansar. E é então que eu percebo o quão cansado eu estava e, por fim, o sono chega me convidando a ir conhecer o mundo dos sonhos.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Poema Urbano nº 1 (My Sorrow)

Forte como um dia claro
Como a solidão da noite
Forte como um trem sem freios
Uma chuva de verão

Avenida Afonso Pena, foto de Frederico Haikal

Forte como um Sol sem nuvens
Uma Afonso Pena ao meio-dia
Forte como o amor sem mágoas
Uma chuva de granizo

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Diário de um desconhecido I

Olho para o céu e vejo que o tempo parece normal, pelo menos o meu relógio está marcando as horas, os minutos e os segundos como sempre. A lua brilha de um jeito e com uma força que eu jamais havia visto, por causa disso o dia está mais claro que o de costume. Olho para os lados procurando alguém que pudesse me explicar o que estava acontecendo, mas eu só encontro o silêncio dizendo-me que eu estava vendo coisas. Resolvo então continuar minha jornada, a qual eu ainda não havia encontrado, e acabo me encontrando com a solidão, que me faz companhia durante um tempo. Ela me explica que estávamos no deserto negro e que, por isso, a lua brilhava tanto. Antes de me deixar nos deparamos com o vazio e, então, ela começa a seguir um outro rumo, mas não sem antes me dizer que eu deveria continuar minha caminhada, pois eu já havia achado a minha jornada. Após isso eu volto a sentir a presença do sono, que, na verdade, não havia me deixado só em momento algum naquele dia, então eu apenas me entrego ao vazio e volto ao mundo dos sonhos.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Onde é que ela está?

Passa o dia, chega a noite,
E uma dor me incomodando.
Só dois dias longe dela
E essa dor insuportável.
Se encontrá-la eu puder
Essa dor vai se acabar.
Onde ela está?

Olho o céu, não vejo a lua,
Só com ela a noite é bela.
Eu procuro pela ajuda,
Mas só acho o desespero.
Encontrar a calma eu tento,
Mas só ela me acalma.
Onde é que ela está?

Não sei mais como encontrá-la,
Pois sem ela eu só penso em nada.
Olho no espelho e não vejo imagem,
Pois sem ela eu sou um nada.
Não consigo ir lá fora,
Pois sem ela eu nem mesmo faço nada.
Onde diabos ela está?

Preocupado eu fico tanto
Que nem vejo a noite ir e o dia vir.
O cansaço é tão grande
Que vencido pelo sono eu sou
E sem ela eu vou dormir,
Mas com ela eu vou sonhar.
Onde foi parar minha aspirina?



Moral da história: não confunda amor com dor de cabeça.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Talvez seja muito cedo para sair recomendando outros blogs - analisando a pequena quantidade de leitores (ou seguidores) - mas eu gostaria de recomendar assim mesmo.

O primeiro blog que eu quero recomendar é o Nada de Novo no Front do grande escritor Damnus Vobiscum. Ele tem um perfil lá no Recanto das Letras, seus textos trazem algo de viajante que não sei bem explicar. Este meu conhecido de Livres-pensadores de influências shakespeareanas e beatnicks traduziu o livro Expresso Nova do famoso escritor beat William Seward Burroughs II.

O segundo é o Impressões de um Monocelha de um outro conhecido de Livres-pensadores, Tiago Valiensi. Os textos dele tem bem aquele jeito de diário. Aí estão marcadas as mais bacanas e malucas impressões que já li na vida e sempre cheias de boas referências musicais ou literárias.



Nunca ouviu falar na comunidade Livres-pensadores? Se conhecer este reduto de malucos clique aqui, mas já vou deixando avisado: não espere bate-papos políticos ou filosóficos dessa baderna, tudo bem? Não diga que eu não avisei.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

O Pôr-do-sol

Foto retirada da internet
No pôr-do-sol eu vejo sangue
Sangue que escorre por todo o céu
Inundando-o até o infinito,
Sufocando-o e matando-o por completo.
O pôr-do-sol anuncia as trevas, a escuridão,
Anuncia a morte, anuncia o mal, a destruição,
Anuncia o início, o início do fim.
Mas eu também vejo esperança,
Vejo a vida brotando no coração dos homens,
Vejo-a brotando em cada novo ser que chega a Terra.
No pôr-do-sol eu vejo tudo e não vejo nada,
Vejo o horizonte, vejo o sol partindo,
Partindo para, talvez, nunca mais voltar.
Eu vejo você partindo, se despedindo,
Partindo, pois a noite não tarda a chegar,
E com ela vem a lua e as estrelas
E vem também a saudade e a lembrança.
A lembrança de você e de mim,
De nós dois juntos observando,
Vendo no horizonte o mais belo dos belos,
Porém não o último,
O Pôr-do-sol!!!

terça-feira, 30 de março de 2010

Prelúdio aos Poemas Urbanos (O Louco Pervertido)



Sou um louco pervertido
Das ruas lúgubres da cidade
Um poeta marginal
de ruas sujas sem idade

Sou um qualquer excitado
Sem sentimento, sem sorte
Um louco que ri e chora
Andando de braços dados com a morte

E assim que todos dormirem
Em seus edredons confortáveis
O mundo que gira profundo
Contará mentiras incontáveis

E quando parar subitamente
Todos desrespeitarão a inércia
Morrendo aflitos nas bolas de bilhar
Sem rima, sonho, nem poesia

Um louco cidadão sentado
Em ruas com cheiro de xixi
Sem nada pra fazer além
de beber cachaça (seu elixir).

Foto: Ponto Baixo, de O Trovador das Gerais

Leitores dos Boêmios